Quinta-feira, 20 de Junho de 2019
REINCIDÊNCIA

Transferidos após massacre no AM já haviam sido encaminhados a presídios federais

Oito dos 26 presos estiveram em unidades federais antes da nova transferência, mas voltaram para prisões do Estado. Permanência média em prisões de segurança máxima é de 360 dias, segundo a Seap



DSC_0705_1C4BAADC-D79E-408D-88D8-57301BA01256.JPG Foto: Divulgação
03/06/2019 às 19:57

Ao menos oito dos 26 detentos encaminhados para presídios federais após o massacre da última semana no sistema prisional amazonense já haviam sido transferidos anteriormente. Entre os detentos com reincidência em transferências estão líderes do "Massacre do Compaj" em 2017, chefes da facção criminosa Família do Norte (FDN), homicidas, latrocidas e "xerifes" de presídios.

Conforme a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap), os presos transferidos ficam em presídios federais por um tempo limitado e determinado pela Justiça: em média 360 dias. “O governo faz o pedido (da transferência) à Justiça do Amazonas, que submete à Justiça Federal e, havendo vagas disponíveis, o deferimento retorna à Justiça Estadual, que autoriza as transferências”, disse a Seap em nota.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), na última sexta-feira (31), para saber o porquê do retorno dos presos ao amazonas, além de saber quais critérios são utilizados para determinar a volta dedetentos para o sistema prisional amazonense. Até a publicação desta matéria não obtivemos resposta.

A maioria dos detentos com reincidência em transferências para presídios de fora do Amazonas também esteve envolvida com o massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) em 2017, quando 56 presos foram mortos após uma rebelião. Na última semana, 55 detentos morreram em quatro presídios da capital.

Vinte dos 26 presos transferidos na última semana foram para presídios localizados em Brasília (DF). O restante foi para o estado do Paraná. A Seap não especificou o destino de cada um deles.

Confira abaixo a lista dos presos reincidentes em transferências.

Adailton Farias da Silva

O preso é considerado pelo Ministério Público como um dos líderes do massacre ocorrido dentro do Compaj em 2017. Adailton reponde por homicídio e chegou a fugir pela mata do Instituto Penitenciário Antônio Trindade (Ipat) em 2013, mas foi logo recapturado pela polícia.

Após o massacre no Compaj, ele foi encaminhado em 2017 para um presídio federal.

 

Demétrio Antônio Mathias (vulgo ‘’DM’’)

Apontado como um dos líderes da facção Família do Norte (FDN), Demétrio responde por homicídio na Justiça. Ele também chegou a ser transferido para uma unidade federal após o massacre de 2017.

 

João Ricardo Santos Da Costa (Vulgo ‘’Kaká’’)

João foi preso durante a operação “Pentágono”, em 2016, pela Polícia Civil do Amazonas. Ele comandava uma organização criminosa que atuava no tráfico de drogas e homicídios pela Zona Norte de Manaus, principalmente nas Comunidades Riacho Doce e Campo Dourado, no bairro Cidade Nova.

Foi transferido também em 2017 para presídio federal, após o massacre no Compaj.

 

José Bruno De Souza Pereira (Vulgo “Bruninho”)

José, como outros presos, também foi um dos que foram transferidos para presídio federal após o massacre no Compaj de 2017. Ele responde na Justiça por latrocínio.

 

Janes do Nascimento Cruz

Um dos sete presos que difundiram a ordem para o início da tragédia que ficou conhecida como “Massacre do Compaj”. Ele foi preso por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Transferido em 2017.

 

Lucirle Silva da Conceição

Único que não esteve envolvido com o massacre de 2017, Lucirle foi um dos oito presos que foram levados de Manaus para presídios em Porto Velho (RO) e Campo Grande (MS), em 2012. Era apontado, à época, como um dos chefões do tráfico no Amazonas.

 

Márcio José Lopes Carneiro (vulgo ‘Márcio Doido)

Márcio foi preso durante a ‘Operação Rede Marginal’ em outubro de 2012, pelo crime de tráfico de drogas. Ele era um dos “xerifes” do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), onde cumpria pena por tráfico.

Após o massacre no Compaj no ano de 2017, ele foi transferido para um presídio federal.

 

Rivelino de Melo Muller

Rivelino foi um dos 17 detentos apontados como líderes da rebelião que culminou na morte de 56 presos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, em janeiro de 2017, que foram transferidos para presídios federais no dia 11 daquele mês. Ele havia sido preso por tráfico de drogas.

 

*Com colaboração de Karol Rocha.

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