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Trânsito caótico de Manaus transforma e adoece motoristas

Um levantamento realizado pela Associação Internacional do Controle do Estresse (Isma), revelou que o Brasil é o segundo País do mundo com os níveis mais altos de estresse 25/06/2013 às 08:07
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Em meio aos congestionamentos, que já são rotineiros no trânsito da capital, os motoristas ficam estressados e acabam ‘explodindo’ com outros condutores
Jéssica Vasconcelos ---

Tranquila no dia a dia. Assim os amigos e familiares descrevem Deyse Santos, 26. Porém, quando está atrás do volante, no trânsito, a administradora deixa de lado a tranquilidade e se transforma em outra pessoa. “O trânsito me deixa irritada. Esperar em um congestionamento, por exemplo, faz com que eu chegue a ofender os outros motoristas”, confessou Deyse.

E ela não é a única. Um levantamento realizado pela Associação Internacional do Controle do Estresse (Isma) - International Stress Management Association -, revelou que o Brasil é o segundo País do mundo com os níveis mais altos de estresse.

Fatores como o barulho, buzinas e engarrafamentos fazem do dia a dia no trânsito um verdadeiro caos, e podem ser considerados agravantes que contribuem para o aumento no número de casos de estresse, que vem sendo classificado, por especialistas, como a doença do século 21.

O representante comercial Fausto Filho diz que já perdeu o controle no trânsito diversas vezes, mas que hoje aprendeu a controlar seus estresse. “Já fui bastante estressado, principalmente com a imprudência dos outros motoristas. Agora estou melhor”, garante Fausto.

A psicóloga perita examinadora do Trânsito, Lígia Maria, explica que existem pessoas que, por características da própria personalidade, são mais irritadas e outras mais calmas e pacientes, mas quando submetidas a situações estressantes, principalmente no trânsito das grandes cidades, acabam perdendo o controle e, até mesmo, partindo para a agressão verbal e, nos casos mais extremos, física.

Isso acontece porque, segundo ela, as pessoas que estabelecem um controle muito rígido sobre os compromissos cotidianos e o tempo que deve ser gasto para cumprí-los tendem a perder a paciência mais facilmente quando têm suas previsões contrariadas por imprevistos como um acidente de trânsito ou um congestionamento.

Ainda de acordo com a perita, o trânsito, para quem usa meios de transporte individuais, minimiza o contato com o próximo e dá ao condutor a falsa impressão de estar sendo protegido pelo carro. “Uma situação vivida no trabalho, por exemplo, pode deixar a pessoa sujeita a “explodir” atrás do volante, porque o veículo acaba dando a ela uma proteção falsa e a segurança para ela gritar e xingar os outros, coisas que ela não faria no trabalho, simplesmente por se ver contrariada”, acrescentou a psicóloga.

Segundo Lígia, o estresse provoca nas pessoas, de maneira geral, uma aceleração do metabolismo e, nos “picos” de estresse, chega a prejudicar a percepção, levando os mais estressados a adotar, inclusive, atitudes violentas que não são típicas da sua personalidade.

 

Motoristas e agentes sofrem mais

Para quem trabalha diariamente no trânsito, a situação é ainda pior: a atividade está na lista das profissões que mais levam ao estresse, segundo pesquisa.

No trânsito, o motorista profissional precisa manter a atenção no controle do veículo, nos passageiros e na via, o que exige mais dele e, à medida que as preocupações crescem, o estresse aumenta.

Mateus Silva, 33, trabalha há sete anos como motorista e já sente as consequências da rotina agitada. Com constantes dores de cabeça, ele já precisou ser afastado da função por duas semanas, em decorrência do estresse. “Precisei ficar doente para perceber que o trânsito estava me estressando”, disse o motorista.

Os agentes de trânsito, que são os responsáveis por manter a ordem no trânsito, também estão expostos a condições de estresse no trânsito. Em Manaus atuam, aproximadamente, 400 agentes que, diariamente, enfrentam sol, chuva, barulho e conflitos.

Para amenizar o estresse, antes de assumir o cargo, os agentes de trânsito recebem orientações sobre gerenciamento de conflitos no trânsito e, nas bases operacionais, contam com áreas de lazer para que possam relaxar após a jornada de trabalho.

Além disso, para os que precisam de atendimento médico, o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) mantém parceria com corpos clínicos dos núcleos de psicologia de faculdades de Manaus.

O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) também exige um teste psicológico a cada cinco anos dos condutores profissionais, no ato de renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

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