Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
Manaus

Trânsito de Manaus tem aumento de 34% no número de mortes

Mapa da Violência 2013 de acidentes revela aumento, passando Manaus do 26ª para o 20º lugar do país



1.jpg Três categorias: pedestres, motociclistas e ocupantes de automóveis, somadas, representam em torno de 90% do total de mortes no trânsito do País; no Amazonas, esse número teve um aumento de 34% entre 2001 e 2011, segundo estudo
25/11/2013 às 09:12

O vaqueiro Klebson Pinheiro França, 32, foi mais uma vítima fatal de um acidente de motocicleta ocorrido no quilômetro 43 da rodovia AM-010, na madrugada de domingo (24). A morte dele aponta para um dado que vem assombrando especialistas no mundo.

Os acidentes de trânsito têm sido a maior causa de mortes evitáveis de pessoas jovens. Em Manaus, 28,6% de óbitos tiveram essa causa, o que levou a cidade a sair do 26º lugar em 2001 para o 20º em 2011 no número de acidentes com mortes, conforme revela o Mapa da Violência 2013, Acidentes de Trânsito e Motocicletas, divulgado na última semana. No período pesquisado, houve um aumento de 34% no número de mortes da população da cidade.

Na Região Norte, por exemplo, o Amazonas só perde para o Estado de Rondônia no número de óbitos, segundo o levantamento. Enquanto aquele registrou 101,7 mortes para o grupo de 100 mil habitantes, o Amazonas tem 92,4. Os menores índices ficaram com o Amapá, 36,6%; e o Acre, 64%.

Motociclistas
Os acidentes de trânsito representam a terceira causa de mortes na faixa etária de 30-44 anos, a segunda na faixa de 5-14 e a primeira na faixa de 15-29 anos de idade. Três categorias, pedestres, motociclistas e ocupantes de automóveis, somadas, representam em torno de 90% do total de mortes no trânsito do País. O que chama a atenção dos estudiosos como Julio Jacobo Waiselfisz, autor do levantamento para o Centro de Estudos Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), é que nem somando o número de vítimas de várias guerras, é possível chegar ao quantitativo do estudo.

O incremento na mortalidade dos motociclistas se inscreve num marco mais amplo, segundo o estudo: o do progressivo agravamento global da violência no trânsito, que levou as Nações Unidas a proclamar a Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011-2020. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), esses números são estarrecedores e indicativos de uma séria epidemia letal no trânsito das vias públicas do planeta. Só no ano de 2010, aconteceram 1,24 milhão de mortes por acidente de trânsito em 182 países do mundo. Entre 20 milhões e 50 milhões sobrevivem com traumatismos e feridas.

‘Questão é a falta de consciência’
O diretor-presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-Am), Leonel Feitoza, diz que mudar essa realidade é difícil na medida em que os motociclistas não obedecem às leis e nem se importam com o fato de quase que diariamente haver registro de morte deles em acidentes. A alta velocidade e a falta de equipamentos de segurança como o capacete, que anda mais no braço, responde pelos números da violência.

Por conta do aumento da fiscalização, o pátio do Detran é sempre lotado por motocicletas apreendidas após verificação de irregularidades como falta de documentação, falta de uso do capacete, levar criança na garupa sem proteção. Em Manaus, são 165 motocicletas e serão 3 mil motociclistas que terão no veículo o tacógrafo, para controle da velocidade, numa tentativa de conter os excessos.

“É uma questão de falta de consciência porque eles pagam com a própria vida”, acredita ele, lamentando que nem as multas aplicadas e nem as apreensões dos veículos conseguem mudar essa realidade de violência.


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