Terça-feira, 20 de Outubro de 2020
doação de órgãos

Transplante de córnea tem queda de 54% no Amazonas

Efeito da pandemia do novo coronavírus fez cair consideravelmente os transplantes no Estado, que em 2019 tinha fila zerada



zCID0130-01F_5B8E4AFA-9792-430E-B6DB-F9C3A84AF267.JPG Foto: Divulgação
30/09/2020 às 09:13

O número de transplantes de córnea, realizados no Amazonas, caiu 54% neste ano em relação ao ano passado. Conforme os dados do Ministério da Saúde, o Estado realizou 101 procedimentos entre janeiro e julho de 2019 e 46 nos sete primeiros meses de 2020.

A razão para queda no número de procedimentos está ligada a pandemia do novo coronavírus, que interrompeu as cirurgias de transplantes pelo risco de contaminação de pacientes e de exposição dos profissionais. No entanto, o cenário de queda acontece em todo o Brasil. 



Para se ter noção, as doações de órgãos e de tecidos caíram 37% neste ano, em comparação com 2019. Em dados, de janeiro a julho, deste ano, foram realizados 9.952 transplantes no país, enquanto no mesmo período do ano passado, 15.827 pessoas haviam recebido os órgãos doados. Até julho, mais de 46 mil brasileiros aguardavam pelo procedimento para terem uma boa qualidade de vida.

O Amazonas realiza apenas os transplantes de córnea e a captação de rim e fígado os quais são levados para os Estados que realizam os transplantes. Os órgãos captados no Amazonas são ofertados para a Central Nacional de Transplantes (CNT), órgão responsável por localizar um receptor compatível em um ranking nacional. Por isso, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) afirma que “não há, portanto, fila de transplantes no Amazonas por se tratar de uma fila nacional”.

Recusa da família

Segundo os dados da Central de Transplantes do Amazonas, pelo menos 69% das famílias negam a doação de órgãos por desconhecer a vontade do parente em relação ao assunto. De acordo com SES-AM, a resposta das famílias é justificada pelo desconhecimento se o paciente desejava ou não doar órgãos.

Para o coordenador da Central de Transplantes do Amazonas, Marcos Lins, é necessário fortalecer junto à sociedade a importância de comunicar à família sobre o desejo de ser um doador. “Há muita desinformação sobre a doação de órgãos, muitas vidas deixam de ser salvas por desconhecimento. Muitas famílias dizem não por não saberem a vontade do paciente”, afirmou.

27 De setembro é marcado pelo Dia Nacional de Incentivo à Doação de Órgãos. A veiculação de peças publicitárias do Ministério da Saúde nos meios de comunicação segue até 23 de outubro e conta com filme, spot de rádio, peças de mídia exterior, peças de internet e redes sociais.

Campanha nacional de incentivo

Para sensibilizar a população para a importância da doação de órgãos foi lançada,   pelo Ministério da Saúde, a Campanha Nacional de Incentivo à Doação, com slogan “Doe órgãos. A vida precisa continuar”.

A iniciativa é marcada pelo Dia Nacional de Incentivo à Doação de Órgãos, comemorado no dia 27 de setembro, no entanto, a veiculação de peças publicitárias nos meio de comunicação seguem até 23 de outubro e conta com filme, spot de rádio, peças de mídia exterior, peças de internet e redes sociais.

A campanha também destaca o fator fundamental para tornar possível uma doação de órgãos e tecidos: a autorização da família, estimulando que possíveis doadores conversem com seus familiares e manifestem esse desejo.

Comunicar em vida é importante

Durante todo este mês, a Central de Transplantes do Amazonas realizou a campanha “Setembro Verde” voltada para a sensibilização da sociedade a respeito da comunicação, em vida, do desejo de doar os órgãos.

Entre os dias 21 e 25 de setembro, atividades de sensibilização com palestras, panfletagem, atividade musical e sorteio de brindes entre pacientes e acompanhantes, além da entrega de cartas de agradecimento às famílias de doadores, foram realizadas no Hospital Francisca Mendes, na Fundação Hospital Adriano Jorge e nos Hospitais e Prontos-Socorros João Lúcio, Platão Araújo e 28 de Agosto.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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