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Manaus
Sem fiscalização

Transporte e armazenamento de cilindros de GLP é feito de forma inadequada

Explosão que deixou 14 pessoas feridas mostra que é necessário haver mais fiscalização nos veículos responsáveis por transportar os tanques de gás 10/03/2016 às 11:32
Show gas
Um dia após a explosão de tanque de gás, cenário é de destruição no Tancredo Neves, Zona Leste de Manaus (Clóvis Miranda)
ISABELLE VALOIS Manaus (AM)

Após o acidente que deixou 14 pessoas feridas da comunidade Novo Reino, Tancredo Neves, Zona Leste, mostrou-se que é necessário haver mais fiscalização nos  veículos responsáveis por transportar tanques de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). A situação é comum e pode ser flagrada nas ruas de Manaus e dá margem para que outros acidentes ocorram.

O morador do bairro Dom Pedro, Mário Silvio da Costa, 36, contou para A Crítica que há mais de um ano presencia uma situação que envolve o risco na locomoção de cilindros de gás nas proximidades de sua casa.

Costa contou que uma empresa de produção de doces, bolos e salgados, localizado na avenida Pedro Teixeira, nas proximidades do conjunto Débora, Zona Centro-Oeste, semanalmente realiza a troca de pelo menos 10 cilindros. O denunciante acredita que este gás seja vendido clandestinamente, pois os cilindros além de serem velhos, não possuem nenhum selo de empresa ou de detalhes sobre o material inflamável.

“Os cilindros chegam em um caminhão sem nenhuma identificação de empresa de gás. Eles são armazenados de qualquer jeito na plataforma do veículo, para descer do caminhão, os cilindros são jogados na calçadas e os funcionários da empresa os levam rolando, e da mesma forma trazem os cilindros utilizados”, contou.

Quando viu pela primeira vez a forma de transporte do objeto inflamável, Mário ficou assustado e desde então começou a acompanhar e observar a entrega. “Isso, de uma forma me chamou atenção, e foi desde então que comecei a observar, ver os detalhes, pois acredito que se uma válvula do cilindro explodir pode ocorrer um acidente de grande proporção. É preocupante e pelo que vejo, se tornou algo natural nas ruas de Manaus. Deveria ter uma fiscalização mais rigorosa para esse caso, ainda mais agora depois desse acidente no Novo Reino”, disse.

Sobre a fiscalização desses tipos de veículos que transportam cargas inflamáveis, o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans)e o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) inforaram que por lei, a responsabilidade é do Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Amazonas (Ipem-AM).

Todas as orientações do transporte e translado de materiais inflamáveis deve seguir a resolução 420 Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Fiscalização é realizada a granel

O Instituto de Pesos e Medidas do Amazonas (Ipem) informou que fiscaliza os veículos e equipamentos de transporte de produtos perigosos a granel quanto aos requisitos de segurança, tais como: para-choque, lanternas, faróis, placas de segurança, freios, extintor de incêndio dentre outros, conforme determina a portaria no 91/2009 do Instituto Nacional de metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

O Ipem reforçou que a Resolução no 3.665/4/2011 que dispõe sobre o exercício da atividade de transporte rodoviário de produtos perigosos, realizado em vias no território nacional define que transporte de produtos perigosos somente pode ser realizado por veículos e equipamentos de transporte cujas características técnicas e operacionais, bem como o estado de conservação, limpeza e descontaminação, garantam condições de segurança compatíveis com os riscos correspondentes aos produtos transportados, conforme estabelecido pelas autoridades competentes.

Quinze dias para a retirada das máquinas

Sobre o acidente que ocorreu na comunidade Novo Reino, bairro Tancredo Neves, Zona Leste, o Instituto de Pesos e Medidas do Amazonas (Ipem) disse que o fato ocorrido será investigado pelos órgãos responsáveis, que emitirá um laudo com as possíveis causas do acidente.

Na manhã de ontem, um dos moradores da comunidade, o motorista Manoel Garcês foi convidado a visitar a empresa LestPlast para conhecer toda a estrutura utilizada e qual a forma de trabalho.

O motorista contou que durante a visita, o proprietário da empresa informou que em um prazo de 15 dias irá realizar a retirada das máquinas que utilizam o tipo de gás, uma forma de atender ao apelo da comunidade que há anos reclamava do forte cheiro de gás.

Manoel ficou de acompanhar todo o procedimento da retirada da máquina, mas informou que caso o fato não ocorra, os moradores irão se organizar para realizar uma manifestação contra a continuação da empresa na comunidade.

Estado das vítimas

Das 14 pessoas que foram vítimas do acidente, após o tanque de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) se desestabilizar e rolar da plataforma do caminhão que iria transportá-lo, fato que ocasionou o rompimento da válvula  e em seguida a explosão, 10 continuam internadas.

A única novidade foi que a Ildavane de Souza Colares, 36 que estava internada em estado grave no hospital Pronto-Socorro Platão Araújo, Zona Leste, foi transferida para Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do hospital Pronto-Socorro 28 de Agosto.

Maria de Fátima Auziel Pereira, 45, Darleno Duarte Pereira, 31 e Gilson Pinheiro da Silva, 23, também permanecem internados no 28 e o estado é estável.

No Platão, Flávia Costa Hoyos,28, permanece na UTI em estado grave. No João Lúcio, Luciana Pereira, 31 também permanece internada na UTI em estado grave.

 No pronto-socorro da Criança da Zona Sul, Caio Pereira,5, está na enfermaria em estado estável. Laís Mirela de Moraes,3 e Loren Alayne Auziel Pereira,2, continuam na UTI em estado grave.No Joãozinho, Marta Auziel Pereira,8, está na enfermaria em estado estável.

De acordo com a Organização Não Governamental de Proteção, Adoção e Tratamento Animal (Ong Pata), os dois gatos da família que também sofreram queimaduras, permanecem internados na clínica Dog Show.

Servidores da Escola Municipal Doutor Olavo Neves, avenida Batrum, que fica por trás da fábrica LestPlast, na comunidade Novo Reino, bairro Tancredo Neves, Zona Leste, estão realizando uma campanha solidária para arrecadar roupas e alimentos para as vítimas da explosão.

Conforme com a pedagoga Sol Danielle Abecassis, toda a comunidade escolar se sentiu sensibilizada com as vítimas que sofreram queimaduras graves e tiveram as casas destruídas por conta da explosão e, por isso, decidiram ceder uma sala da escola para guardar os mantimentos que estão sendo levados por outros comunitários que querem ajudar as famílias.Praticamente uma família inteira foi atingida no acidente.

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