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Manaus
SISTEMA FALIDO

Transporte público é o quinto pior problema dos manauenses, diz pesquisa

O preço da tarifa, que foi reajustado para R$ 3,80 no início do ano, foi considerado “injusto” por 92,7% dos entrevistados pelo instituto Projeta 22/05/2017 às 05:00
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Não bastasse a demora que deixa as paradas lotadas, usuários reclamam da superlotação nos coletivos convencionais. Foto: Aguilar Abecassis
Rita Ferreira Manaus (AM)

Ônibus velhos, lotados e horas de espera nas paradas e terminais de integração. Estes problemas são comuns e enfrentados por quem depende do transporte coletivo para se locomover por Manaus. O cenário de descaso e precariedade que é rotineiro nas ruas da capital foi confirmado por uma pesquisa realizada pelo instituto Projeta, a pedido do Jornal A CRÍTICA, que mostrou que o transporte público é apontado como quinto maior motivo de reclamação da população manauara. A desaprovação do sistema de transporte coletivo é tão grande que a avaliação só “ganha” das áreas de segurança pública, saúde, asfaltamento e desemprego.

Uma das principais reclamações dos usuários de ônibus convencionais em Manaus, o preço da tarifa, que foi reajustado para R$ 3,80 no início do ano, foi considerado “injusto” por 92,7% dos entrevistados pela pesquisa.

Os usuários também avaliaram a qualidade do transporte e a gestão da Prefeitura de Manaus sobre o serviço. Na avaliação de 37,2% dos entrevistados, o serviço prestado é de péssima qualidade. Já a gestão municipal foi considerada péssima por 20% dos usuários ouvidos pela Projeta.

Segundo informações do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetran), 800 mil pessoas utilizam o transporte público diariamente na cidade. E não é muito difícil de encontrar, nas paradas e terminais de ônibus, relatos de usuários que sofrem com um serviço caro e ineficiente e comprovam - e explicam - os dados apresentados pela pesquisa da Projeta. 

A estudante de pedagogia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Ingrid Brito, 21, relata que todo dia utiliza as linhas 447 ou 439 para se locomover de casa para a faculdade e enfrenta a superlotação. “Eu estou aqui há quase uma hora e já perdi dois ônibus porque eles passam tão lotados que não param para entrar mais passageiro”, contou.

A reclamação é a mesma do vendedor Marcelo da Silva Souza, que pega a linha 640 para voltar do trabalho no bairro Coroado, na Zona Leste, para casa,  situada no conjunto Canaranas, no bairro Cidade Nova, na Zona Norte. “Por volta de 17h, que é horário de pico, é o pior de todos porque tem ônibus que a gente nem consegue entrar ou então vai pendurado na porta, é horrível”, relatou.

Longa espera

A demora dos coletivos também é apontada pelos usuários como um dos problemas mais recorrentes. O funcionário público Francinaldo Mendes, 34, explica que costuma passar mais de uma hora nas paradas aguardando pela linha de ônibus que atende ao bairro onde mora. “Eu pego o 519 no Jorge Teixeira, mas tenho que ter paciência para aguardar pelo ônibus porque ele demora horas para conseguir passar”, disse.

Entrevistas

A pesquisa foi realizada pela Projeta com 800 entrevistados nos dias 24 e 25 de abril. Os dados foram coletados em dois estágios em que foram sorteados e selecionados eleitores para participar da avaliação. A margem de erro é de 3,46% para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.

Assaltos aterrorizam usuários

A falta de segurança que aflige a população manauara também causa medo dentro dos coletivos.  Marinete do Carmo, de 61 anos, relatou que presenciou um assalto dentro de um ônibus e por pouco não teve os pertences levados também.

“A cena foi horrível, os assaltantes deram coronhadas na cabeça do motorista e assaltaram a cobradora e as pessoas que estavam na parte da frente. Eu fiquei parada, assustada e eles acabaram indo embora sem me abordar”, desabafou.

E ela não foi a única a vivenciar esse “terror” a caminho do trabalho ou na volta para casa. De acordo com levantamento feito pelo próprio Sinetram, só nos três primeiro meses deste ano, o sindicato registrou 842 assaltos nos ônibus das dez empresas que operam no sistema de transporte coletivo de Manaus. O número indica um crescimento de 37,5% nos casos no comparativo com o mesmo período do ano passado.

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