Sexta-feira, 24 de Maio de 2019
Manaus

Tratamento do câncer: Solução tecnológica na fase de desenvolvimento em Manaus

No pós-doutorado do Instituto Tecnológico de Aeronáutica  (ITA), a amazonense Tamara Arruda projeta a criação de tecnologia que deverá agir na região do câncer sem que o paciente precise passar pelas sessões de  quimioterapia e radioterapia



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Engenheira por formação, Tamara Arruda enveredou pela área de tecnologia da saúde ao ingressar no curso de pós-doutorado do Instituto Tecnológico da Aeronáutica.
05/07/2015 às 13:17

Uma nova forma de exterminar as células cancerígenas está em fase de desenvolvimento pela pesquisadora amazonense, doutora em Engenharia Aeronáutica e Mecânica na Área em Sistemas Aerospaciais e Mecatrônica, Tamara Menezes Arruda, que nos últimos 20 anos tem dedicado a vida aos estudos.

A ideia será evitar que os pacientes, após a cirurgia para a retirada do tumor malígno (câncer) precise passar por quimioterapia e radioterapia, e é considerado pela pesquisadora uma forma mais eficaz ao tratamento no combate da doença.

O projeto de pesquisa faz parte dos trabalhos desenvolvidos no programa de pós-doutorado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) previsto para ser apresentado à sociedade em um livro que será lançado no segundo semestre de 2015.

“Não tenho dúvidas de que os anos que venho dedicando aos meus estudos vão valer muito para a humanidade”, disse.

 A ideia da pesquisadora será de criar uma tecnologia (robô) que irá conseguir injetar no local lesionado do paciente com câncer ou doenças graves um plasma frio - um dos estados físicos da matéria, similar ao gás, no qual certa porção das partículas é ionizada -  que com o contato no corpo humano, auxilia na cicatrização de feridas e outros problemas sérios de saúde.

“O plasma, com o contato do corpo humano, auxilia na cicatrização de feridas e outros problemas sérios de saúde, principalmente quando ele é colocado no tempo e no local certo”, informou. Com a criação da tecnologia apropriada, o tratamento rigoroso contra o câncer passaria a ser uma plasmoterapia.

“A pessoa que foi diagnosticada do câncer não iria precisar fazer quimioterapia ou radioterapia, que são tratamentos demorados e que deixam muitas sequelas, pois o plasma seria colocado no local específico onde o câncer foi retirado e além de ajudar na cicatrização, ele extermina as células cancerígenas”, explicou a pesquisadora.

Os tratamentos mais utilizado hoje na medicina no caso do câncer, é a radioterapia e quimioterapia, que além de deixar sequelas, como queda de cabelo, dores no corpo, nem sempre pode dar certo.

De acordo com a pesquisadora que também cursa Medicina, há casos em que as células cancerígenas ficam até mais forte ao medicamento por causa do tipo de tratamento. 

“O objetivo de aplicar o plasma no local lesionado é poder quebrar a cadeia dupla do DNA (ácido desoxirribonucléico) e assim evitar que ela se prolifere ou se fortaleça para continuar no sistema do corpo humano”, explicou.

Este processo é feito quando os radicais completamente energéticos do plasma entram em contato com a célula, como exemplo a cancerígena extermina o DNA no momento em que destrói a cadeia.

Para que este tipo de tratamento seja realizado, A pesquisadora orienta que cada caso tenha um estudo bem detalhado. “Sem dúvida, será um tratamento mais eficaz e seguro para a população que há anos vem sofrendo com este tipo de doença”, disse a pesquisadora.

Quando a pesquisadora iniciou seu doutorado descobriu que as radiações espaciais poderiam ajudar na saúde da humanidade, e por isso, resolveu investir o tempo e estudo para criar um novo mecanismo que pode-se ser a solução para o fim do câncer e de outras doenças até graves.

Antes mesmo de concluir o doutorado, a pesquisadora procurou estudar algumas disciplinas do curso de medicina, mas como percebeu que para sua pesquisa precisava de um estudo mais aprofundado, decidiu concluir mais uma faculdade.

No caminhar do curso de medicina em Manaus, a pesquisadora colocou seus planos e metas em ação e foi aprofundar a ideia do seu projeto no curso de pós-doutorado na área de Física de Plasma e Física Atômica e Molecular também no ITA.

Como supervisor do projeto, a pesquisadora escolheu o doutor em física, considerado como o oitavo melhor do mundo de sua área, Jayr de Amorim Filho, que tem direcionado as ideias e motodologias que o projeto pode ser desenvolvido.

Nas aulas sobre o plasma ficou encantada quando descobriu como ele auxilia na cicatrização de feridas e outros problemas sérios de saúde.

Ao saber disso, Tamara imaginou a criação de uma tecnologia que pudesse ir a fundo no sistema do corpo humano onde se encontra o câncer, ou de onde foi retirado o câncer e aplicar o plasma frio para finalizar o tratamento.

Quem nunca teve um parente ou amigo vítima do câncer? Esta é a segunda maior causa de morte no Brasil. Conforme a fundação de Câncer do Brasil são mais de 500 mil novos casos por ano.

Os principais tipos de câncer são o de boca, colo do útero, colorretal, esôfago, estômago, leucemia, mama, pele, próstata, pulmão e tireoide,

Os principais fatores de riscos de a pessoa contrair o câncer são tabagismo, alimentação não saudável e ingestão de bebidas alcoólicas, radiação, infecções, exposição ocupacional a agentes cancerígenos e sedentarismo também estão relacionados ao câncer.

Livro trará o conteúdo da pesquisa

Todas as pesquisas realizadas na construção deste projeto estão sendo publicados pela pesquisadora em um livro, que chamará ‘Metodologia para utilização de componentes não qualificados em sistemas microprocessados para Aplicação Espacial’, que será lançado no segundo semestre deste ano. O livro está sendo editado na Editora da Universidade Federal do Amazonas (EDUA).

“Este livro será minha formatura da conclusão da minha faculdade de medicina, como não vou fazer festa prefiro compartilhar todo meu conhecimento na minha terra natal”, disse.

Para aprimorar ainda mais a sua pesquisa, a doutora, depois de finalizar o lançamento do livro, vai viajar para Alemanha para se profundar melhor no assunto.

“Meu projeto não vai ficar somente nas pesquisas, pois tenho certeza que se recebi a capacidade de ter o conhecimento foi porque eu preciso fazer algo que possa sem dúvida contribuir para a melhoria na qualidade do tratamento, curando ou amenizando o sofrimento e consequentemente proporcionando uma melhor qualidade de vida”, emocionou.

O livro

Boa parte da pesquisa de Tamara Menezes será divulgado no livro ‘Metodologia para utilização de componentes não qualificados em sistemas microprocessados para Aplicação Espacial’ que será lançado em agosto deste ano.

O sonho da pesquisadora é de fato juntar as duas áreas de conhecimentos para o desenvolvimento de uma metodologia de aplicação e um sistema mais eficiente para tratamento de células cancerígenas.

Formação iniciada na federal do AM

A pesquisadora Tamara possui graduação em Engenharia da Computação na Universidade federal do Amazonas (UFAM), mestrado em Engenharia Aeronáutica e Mecânica na Área de Sistemas Aeroespaciais e Mecatrônica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), e Doutorado em Engenharia Aeronáutica e Mecânica na Área em Sistemas Aeroespaciais e Mecatrônica também cursado no ITA.

A pesquisadora tem experiência na área de engenharia da computação, com ênfase em Hardware, atuando principalmente no seguintes temas: Influência da Radiação Gama em Circuitos Eletrônicos; Dependabilidade de Sistemas Espaciais - Software/Hardware; Testes de Radiação, Técnicas de Proteção contra Radiação, Tolerância a Falhas. Screening (teste de vibração, testes de choque mecânico, teste de temperatura) de Componentes para Utilização em Aplicações Críticas.

Além de tudo participou da equipe do Projeto ITASAT, subsistema Computador de Bordo, financiado pela Agência Espacial Brasileira AEB. O Projeto ITASAT visa o desenvolvimento e a construção de um satélite universitário, através da parceria entre instituições de ensino e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).



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