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Manaus
Saúde

Pacientes renais promovem ato na Susam, denunciando precariedade no tratamento

Pacientes renais transplantados e não-transplantados promoveram a manifestação como forma de pedir providência na precariedade que vem ocorrendo há dois meses, desde que a Susam suspendeu o convênio com o Hospital Santa Júlia 25/04/2016 às 14:16 - Atualizado em 25/04/2016 às 17:58
Show renais
Protesto dos pacientes renais em frente a Susam chamava atenção para o drama que vivem para serem atendidos (Foto: Márcio Silva)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Pacientes renais transplantados e não-transplantados realizaram, na manhã desta segunda-feira (25), uma manifestação na frente da sede da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), no bairro Petropólis, Zona Centro-Sul de Manaus, como forma de pedir providência na precariedade que vem ocorrendo há dois meses, desde que a Susam suspendeu o convênio com o Hospital Santa Júlia.

Conforme o presidente da Associação dos Transplantados Renais do Amazonas, Rozival Pereira, há pacientes que podem perder o órgão recebido por falta de tratamento adequado com um especialista.

“O único procedimento que permanece no Santa Júlia é a hemodiálise, mas pode ser cancelado a qualquer momento por falta do repasse do dinheiro da secretaria. Com isso, somos prejudicados. Estamos sem atendimento médico, o transplantado precisa ser acompanhado e tomar medicação diariamente, caso contrário retorna para a fila de espera, conhecida hoje como a fila da morte”, disse Rozivaldo.

Os pacientes que ainda procuram o hospital Santa Júlia são orientados a procurar a Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ), mas de acordo com Rozivaldo, o hospital não está preparado para realizar o atendimento dos casos renais.

“Precisamos ser atendido por um nefrologista especialista em transplante e estão colocando outra médica de atendimento de urgência para nos receitar. Quando chegamos na farmácia, não é aceita a receita desta médica por causa da falta do carimbo de especialização e, por causa disso, estamos ficando sem a medicação e ninguém faz nada. Daqui a pouco vamos ter um número maior de óbitos e ninguém vai se pronunciar como já acontece”, reforçou Rozivaldo.

Sem atendimento

Além do problema da falta do carimbo na medicação, Rozivaldo disse que há situações em que o FHAJ deixou de atender pacientes renais, caso do estudante Jackson Alfaia Canto, de 15 anos, que há 4 meses recebeu um rim, mas ultimamente tem passado por complicações e não consegue atendimento especializado.

A mãe do estudante, Helen Cristina Reis, 35, contou que foi ao Santa Júlia, onde o médico pediu a internação com urgência, mas como houve a suspensão do convênio, Jackson precisou ser encaminhado ao Adriano Jorge. “Quando cheguei no Adriano Jorge, debaixo de chuva, eles sequer olharam para o meu filho e mandaram que eu procurasse a secretaria. Está com mais de uma semana que eu não sei o que eu faço. A medicação do meu filho está terminando e ele está com alguma complicação que precisa ser acompanhada, mas não conseguimos ser atendidos”, desabafou.

Resposta da Susam

A Secretaria Estadual de Saúde (Susam) informou que "há uma demanda crescente pelos serviços de Hemodiálise e que o órgão vem buscando formas de aumentar a oferta desse tratamento. O órgão ressalta, entretanto, que não procede a informação de que as clínicas conveniadas da rede tenham suspendido os serviços de Hemodiálise, para atendimento dos doentes renais crônicos. O pagamento destes serviços é realizado mediante o repasse de recursos federais. Das quatro clínicas conveniadas, apenas uma – do Hospital Santa Júlia - está com repasse atrasado, porque o referido hospital não apresentou documentos (certidões negativas de débito) exigidos para liberação dos recursos. Mesmo assim, até o momento, não houve interrupção do serviço de hemodiálise ofertado no Santa Júlia e a informação recebida pela Susam é que o hospital já está providenciando a regularização dos documentos, o permitirá a liberação imediata dos repasses".

A nota enviada continua: "Além das parcerias na rede privada, a Susam mantém, mediante convênio, serviço de hemodiálise no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) e está em negociações com a instituição para ampliar o número de vagas para atendimento dos pacientes. Além disso, o Governo do Estado está criando um novo serviço de hemodiálise na Fundação Hospital Adriano Jorge, vinculada à Susam. Este serviço já começou a funcionar e, atualmente, 31 pacientes/mês já estão sendo atendidos. A partir de maio, esse número chegará a 71 pacientes/mês".

"Paralelamente, a Susam está avançando nos procedimentos para iniciar as obras de reforma do antigo setor de Tisiologia do Hospital, onde será instalada toda a estrutura da Clínica de Hemodiálise da unidade. O número de atendimentos será ampliado conforme a capacidade do serviço. Quando a obra estiver pronta, o que deve ocorrer no segundo semestre, a capacidade instalada da clínica permitirá atender 300 pacientes/mês. Será o maior centro de diálise do estado", conclui a secretaria.

Sobre o caso do paciente Jackson Alfaia Canto, a Susam afirmou que a coordenação da Central de Transplantes entrará em contato com o médico que o acompanha, para verificar a questão da internação mencionada pela mãe do paciente, e adotar as providências necessárias.

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