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Manaus
SAUDADE

Três anos depois: o luto pelas vítimas fatais da noite mais trágica do trânsito de Manaus

Confira o relato dos familiares das vítimas fatais do acidente que aconteceu no dia 28 de março de 2014, quando um caminhão colidiu com um micro-ônibus na Djalma Batista 28/03/2017 às 21:21 - Atualizado em 28/03/2017 às 22:26
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Um caminhão colidiu com um micro-ônibus na Avenida Djalma Batista (Fotos: Antônio Lima)
Amanda Guimarães Manaus

Três anos se passaram do dia 28 de março de 2014, mas o luto das famílias das vítimas fatais do acidente entre um caminhão e um micro-ônibus na Avenida Djalma Batista, Zona Centro-Sul de Manaus, continua o mesmo. Apesar do tempo, a saudade e as lembranças permanecem dentro do coração dos entes queridos. A dor ainda existe. 

Muito abalada ao lembrar da filha Quézia Guedes, 24, e do neto Luiz Miguel, um ano e seis meses, que morreram durante o acidente, Francinei de Guedes, 50, comenta que acredita que a “ferida da perda” nunca será cicatrizada. Nesta terça-feira (28), foi realizada uma missa em memória às vítimas no Parque do Idoso. 

“Lembro do dia do acidente e só consigo pensar que imaginei que a cidade estava em guerra, porque para todo lugar que olhava só encontrava gente chorando e ambulâncias correndo em alta velocidade. Fui ao local do acidente, pois sabia que minha irmã, filha e meu neto tinham ido ao Centro. Quando cheguei lá, recebi a pior notícia da minha vida”, relatou.

Com uma camiseta com fotos da filha e do neto e com olhos inchados remetidos ao choro, Francinei narra uma série de problemas que surgiram na vida dela após aquele acidente.

“Quando perdi minha filha e neto, a minha vida acabou. Precisei ir a psicólogos e tomar remédios controlados para dormir. Além de ter parado de trabalhar. Hoje olho para trás e percebo que a dor ainda se encontra aqui. Sinto muita saudade deles. Essa ferida nunca será sarada”, disse com os olhos cheios de lágrimas.  

A mãe de Quézia até fala que recebeu indenização da empresa responsável pelo caminhão, mas destaca que dinheiro nenhum pode trazer a filha de volta.

“Eu realmente trocaria todo o dinheiro do mundo, para ter minha filha e neto de volta. Mas como não posso fazer isso, luto para que possamos receber a indenização referente a morte do meu neto, porque o pai dele apareceu e pediu um teste de DNA. O da Quézia nós já recebemos”, destacou.

‘Cheguei para enterrar’
A saudade dos pais é algo que está presente na vida de Larissa Pires, 31, desde o dia 24 de março de 2014. Ela perdeu o pai João Pires, 59 e a mãe Clarissa Pires, 75, durante o acidente. Utilizando uma medalha dourada com a foto dos dois, ela conta o que mudou desde aquele dia.

“Falei com os meus pais meia hora antes do acidente. Estava no Rio de Janeiro e eles estavam de férias aqui em Manaus. Pedi que quando eles chegassem em casa nos ligassem, mas isso nunca aconteceu. Com o passar do tempo, começamos a nos desesperar, entramos na internet e ficamos sabendo do acidente. Naquele momento sabíamos que tinha acontecido algo”, lembrou.

Mesmo com a perda, a jovem agradece a Deus pela oportunidade de ter aproveitado o mais tempo possível com os pais. “A minha vida acabou quando eles morreram, porque vivia para ser a filha deles. Nunca me importei em estudar ou coisa do tipo, mas sim em cuidar dos meus pais”, completou Larissa.

A esperança da filha do casal é o encontro com eles o mais breve possível.  “Acho que nunca vou falar desse assunto sem chorar. Sonho muito com eles e tenho certeza que um dia os verei novamente”, disse.

‘Não entendo’
Rosângela da Cunha, mãe do motorista do micro-ônibus Robert da Cunha Moraes, 27, comenta que apesar do tempo ainda não entende o motivo de ter perdido o filho.

“A ferida pode até amenizar, mas para sempre o vazio dentro de mim vai existir. Me sinto mutilada, porque perdi meu filho no trânsito e ele era um profissional muito responsável. Ele era muito jovem. Mas perdi tudo isso”, afirmou Rosangela, acrescentando que ainda luta da Justiça para receber a indenização.

 “Espero que tudo se resolva, porque meu filho não pode voltar”, finalizou.

 

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