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Manaus
TIROTEIO

Três presos em tiroteio no Hospital 28 de Agosto eram rivais e não comparsas

Polícia confirmou que apenas um homem, Everton, que foi morto, invadiu o hospital para matar “Porocada”. Os outros dois armados dentro da unidade de saúde protegiam o alvo dos disparos 26/11/2018 às 14:14 - Atualizado em 26/11/2018 às 15:40
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Foto: Jander Robson
Vinicius Leal e Joana Queiroz Manaus (AM)

Os três homens que foram presos após tiroteio no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, na noite deste domingo (25), em Manaus, eram rivais entre si e não comparsas como a polícia havia divulgado. Durante coletiva de imprensa na manhã de hoje (26), as autoridades confirmaram que apenas um homem, Everton Lima Martins, 23, que foi morto, invadiu o hospital para matar o paciente Adriano Barbosa Araújo, 24, o “Porocada”.

De acordo com a polícia, os outros dois homens presos, Gabriel Marreira de Melo, 22, e Renan Alves Maia, 22, estavam armados dentro da unidade de saúde para proteger o alvo dos disparos, “Porocada”, que estava internado no local desde o início da manhã após ter sofrido um atentado, quando foi alvejado duas vezes durante um ataque no bairro Compensa, Zona Oeste. Conforme a polícia, somente Everton foi ao local para matar Adriano “Porocada”.

Conforme imagens do circuito interno das câmeras de segurança do hospital, que o Portal A Crítica teve acesso, é possível ver Everton se aproximando da maca onde “Porocada” estava deitado. Tudo aconteceu no primeiro andar da unidade de saúde, por volta das 19h, horário de troca de plantões, quando a segurança fica enfraquecida. Everton chega mais perto de “Porocada” e efetua um disparo. Neste momento, funcionários e outros pacientes correm do local, assim como Everton e Adriano.

Logo depois, um grande tumulto se forma nos corredores da unidade de saúde e Everton e os dois “seguranças” de Adriano, Gabriel e Renan, que também estavam armados, trocam tiros entre si. Conforme testemunhas, mais de 20 tiros foram disparados e Everton acabou atingido duas vezes, na perna e no braço. Já o alvo de Everton, “Porocada”, não sofreu nenhum dano.

Durante a coletiva de imprensa de hoje, a cúpula da Segurança Pública do Amazonas admitiu que houve falha na segurança do hospital, já que tanto Everton quanto Gabriel e Renan estavam armados dentro da unidade de saúde. Entretanto, as autoridades informaram que os policiais militares responsáveis pela vigilância nas entradas do hospital se ausentaram do local em certo momento porque, segundo a SSP, foram atender outra ocorrência, quando outro homem baleado deu entrada no 28 de Agosto. Nem Everton, nem Gabriel e Renan foram revistados. Três inquéritos vão ser abertos para apurar o caso. 

Após o tiroteio, um reforço da PM foi acionado e os três homens, Everton, Renan e Gabriel acabaram presos e duas armas foram apreendidas. Após serem presos, os três foram colocados na mesma viatura e, dentro do xadrez, eles brigaram. Mesmo algemados, segundo a polícia, Renan e Gabriel foram para cima de Everton, que passou mal e acabou tendo morte cerebral. Gabriel e Renan foram autuados pelo crime de lesão corporal dolosa.

Briga de facções

Segundo a polícia, o atentado no Hospital 28 de Agosto foi motivado por uma guerra entre facções criminosas pelo domínio do tráfico de drogas em Manaus. Everton seria membro de uma facção rival de “Porocada”, Renan e Gabriel.

De acordo com a polícia, “Porocada”, inclusive, seria soldado de Luciano da Silva Barbosa, filho do narcotraficante José Roberto Fernandes Barbosa, conhecido como “Zé Roberto da Compensa”, um dos líderes de uma facção criminosa Família do Norte (FDN) e que cumpre pena no Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná. “Porocada” também foi preso em abril deste ano suspeito de participar do latrocínio que vitimou um subtenente do Exército ocorrido em 2017 na Compensa.

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