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Manaus
Procedimentos estéticos

Treze amazonenses morreram este ano após fazerem cirurgias plásticas na Venezuela

O preço “mais em conta” dos procedimentos cirúrgicos venezuelanos, em comparação aos do Brasil, é o principal atrativo. O caso mais recente é o da parintinense Dioneide Leite, 36, que morreu após complicações em cirurgias 14/09/2016 às 10:36 - Atualizado em 16/09/2016 às 20:16
Show cirurgia plastica foto ebc
Só o preço hospitalar no Brasil é o valor da cirurgia mais cara de lá, segundo a SBCP (Foto: EBC)
Vinicius Leal Manaus (AM)

Treze amazonenses já morreram este ano após ou durante fazerem cirurgias plásticas na Venezuela, segundo informou hoje o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) Regional Amazonas, Ricardo Góes Figueiras. A morte da comerciante parintinense Dioneide Leite, 36, foi a mais recente. Ela ficou por dias internada depois de complicações com procedimentos estéticos na cidade de Puerto Ordaz.

“A realidade é que são 13 pacientes em um ano com fatalidade do óbito”, disse Ricardo Góes. Segundo ele, também há muitos problemas de pós-operatório. “Existem inúmeros casos de complicações depois das cirurgias, de leve a grave”, explicou ele. Em abril deste ano, representantes da SBCP vieram a Manaus denunciar clínicas de estética que “agenciavam” pessoas interessadas em cirurgias no país vizinho.

O preço “mais em conta” dos procedimentos cirúrgicos venezuelanos, em comparação aos realizados no Brasil, é o principal atrativo para os brasileiros, principalmente as mulheres. “Não tem como competir (com os venezuelanos). Se você não cobrar pela equipe médica, não alcança o preço deles. Só o preço hospitalar no Brasil é o valor da cirurgia mais cara de lá”, disse Góes.

“Tem a internação, os medicamentos, os materiais usados na cirurgia, a sala onde é realizada, toda uma estrutura, que tem custos. O paciente vai escolher pelo preço, mas não pensa nas complicações pela viagem longa, com o material usado. A gente sabe que a Venezuela está em crise, e não sabemos a qualidade do material usado e se isso influenciou no óbito dessa moça. A gente vê um índice de infecção bem elevado”, falou Góes.

O mais indicado para os brasileiros que mesmo com os riscos elevados optam pelas cirurgias na Venezuela é pesquisar o máximo de informações antes. Entretanto, não é 100% seguro. “O perigo é não investigar o médico que vai fazer a cirurgia, se ele tem formação. Tem que perguntar se existe suporte na sua cidade de origem. Por exemplo, em Manaus não tem suporte pós-operatório. Com relação a esse caso de ontem, o médico envolvido tem registro no Brasil. Só que se a paciente tivesse investigado, ia ver que ele era clínico geral”, disse Góes.

Para a SBCP, a única maneira de evitar que mais pacientes morram em cirurgias na Venezuela é orientar sobre os riscos e que a melhor opção é fazer tudo no Brasil. “No Brasil o profissional precisa fazer seis anos do curso de medicina, mais dois anos de cirurgia geral e mais três anos de cirurgia plástica. Aqui você facilmente sabe se o médico é habilitado, porque tem o site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o site do Conselho Regional de Medicina, e o aplicativo de celular da SBCP, onde têm informações sobre cirurgias, sobre todos os médicos cadastrados”, explicou Ricardo Góes.

Além dos sites nacionais, há o endereço internacional Esthetic Plastic Surgery, que possui uma cartilha com orientações e aborda o assunto de operar em outros países. “Esse hábito de viajar para países vizinhos para fazer cirurgias também é comum entre o Mato Grosso e a Bolívia, a Inglaterra e a Índia. No Brasil, a cada dez complicações de cirurgias, nove acontecem com médicos que nem são cirurgiões”.

‘Turismo da beleza’

Não é de hoje que o “turismo da beleza” atrai dezenas de brasileiras, principalmente do Norte do País, para realizar procedimentos estéticos em países vizinhos. O cirurgião plástico Euler Ribeiro Filho afirmou, em reportagem anterior, que a maioria das pacientes que vêm da Venezuela apresentam complicações no pós-operatório. “99,9% das pacientes que vêm de lá apresentam complicações porque o procedimento não é bem feito e isso é muito preocupante”, alertou.

Segundo Euler Ribeiro, o Brasil é o 2º país do mundo com o maior número de cirurgias plásticas realizadas. O médico também informa que as pacientes que desejarem passar por qualquer procedimento estético devem se preocupar em verificar qualificação do profissional, para não se expor a riscos. “O barato pode sair caro e no Brasil temos os melhores especialistas, enquanto na Venezuela não há tradição alguma”, disse.

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