Terça-feira, 02 de Junho de 2020
NA ESTRADA

Turistas ocupam a Praça da Saudade e estão sem dinheiro para seguir viagem

Viajantes estrangeiros foram roubados e praça foi a única opção de estadia. Agora, eles buscam uma forma de conseguir o dinheiro que precisam para as próximas paradas



vIAJAN.JPG Foto: Euzivaldo Queiroz
16/05/2018 às 23:10

Quem passa pela Praça da Saudade, no Centro de Manaus, lança olhares curiosos ao acampamento que se formou em meio ao espaço público. Há 15 dias, um grupo de quatro pessoas ocupa os gramados e faz do local “a própria casa”. Lá eles fazem as refeições, dormem, cuidam da roupa e até trabalham para conseguir reverter a situação que os levou até ali.

Viajantes, eles tiveram contratempos que fizeram com que a praça fosse a única opção de estadia. Agora, eles buscam uma forma de conseguir o dinheiro que precisam para as próximas paradas. Enquanto esperam eles continuam na praça, onde não têm sido incomodados e nem incomodam ninguém.



Colombiano, o estudante de administração de empresas, Osman Nanyiber, 23, é um dos “moradores” da praça. Há oito dias ele está em Manaus e decidiu se instalar no local depois que foi roubado ao sair do porto da Manaus Moderna, onde o barco que ele estava atracou. “Eu vim de barco de Tabatinga e ficaria para dois dias, mas acabei tendo que ficar mais e estou nessa situação. Eu fui acolhido aqui porque eu estava passando, puxei conversa e eles disseram que eu podia colocar minha barraca. Não tinha onde ficar”, contou.

Ao deixar a embarcação, ele diz ter tido a mochila com objetos pessoais, telefone celular e dinheiro roubada.  Depois do roubo, ficou sem ter como pagar hospedagem e sem dinheiro para comprar a passagem até São Paulo (SP), onde precisa estar até o dia 23 de maio. “Eu vim para conhecer o Amazonas, mas acabei sendo roubado e não estou tendo como sair. A passagem de avião tem um preço alto e a de barco, para chegar a Belém e de lá seguir viagem, também não estou podendo pagar”, explicou.


Osman disse que teve a mochila com dinheiro e pertences roubadas no porto. Foto: Euzivaldo Queiroz

De São Paulo, onde  pretende ficar três meses trabalhando em um programa de férias universitária, ele deve voltar para Bogotá. O problema, segundo ele, está em chegar à capital paulista depois de perder tudo.  “Estou há oito dias aqui e em busca de conseguir uma forma de ir até lá. Estou tentando contato com a família para ver como podem me ajudar”.

Ainda que o local não ofereça estrutura como banheiro público, eles dizem que pretendem continuar principalmente porque se sentem seguros. “Aqui é ruim porque não era nossa prioridade, mas a gente se sente seguro. Ninguém mexeu conosco, ninguém tentou fazer mal ou qualquer coisa parecida. Então, estamos bem até as coisas melhorarem”, disse o equatoriano Baron Martinez, 28.

Meta: seguir viagem

Para Baron Martinez, a intenção não é alongar a estadia na praça. “São coisas que acontecem, dão errado. Mas agora a gente só quer continuar aqui até conseguir uma solução. Dá um desânimo, mas logo eu vou dar um jeito de continuar viagem”, disse ele ontem para a equipe do Portal A Crítica.

Destino é a capital de São Paulo

Baron Martinez também é dono de uma barraca na praça. Ele chegou no local há 15 dias depois de dois meses viajando pelo Amazonas. O equatoriano disse que não pretendia ficar acampado, mas também teve o material de trabalho roubado e perdeu o dinheiro para pagar hospedagem. “Eu nunca tinha precisado acampar no meio da cidade assim, mas acabou que a necessidade falou mais alto. Até eu conseguir um dinheiro é aqui que eu vou ficar”, conta ele que trabalha com a produção e venda de artesanato.

Com o artesanato, ele pretende conseguir o dinheiro para ir até São Paulo, que seria o próximo destino antes de perder boa parte do material. Além do dinheiro, ele também tenta carona de barco até Belém, no Pará, de onde pode tentar caronas pelas estradas.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.