O BEM EM MEIO AO CAOS

Um ano atrás, em meio ao caos do oxigênio, a solidariedade venceu

Famosos e pessoas comuns se uniram para ajudar da forma como podiam pacientes, médicos e enfermeiros que sofriam com a falta do abastecimento de oxigênio. Relembre:

Amariles Gama
16/01/2022 às 14:13.
Atualizado em 22/03/2022 às 14:35

Durante o colapso no sistema de saúde causado pela falta de oxigênio em Manaus, há um ano, uma rede de solidariedade se formava para ajudar os pacientes internados com Covid-19, familiares e profissionais de saúde. O engajamento espontâneo da sociedade civil, em uma união de esforços, resultou em um expressivo número de doações que minimizou os danos causados pela crise nos hospitais. 

A dor e o sofrimento que assolaram a capital amazonense sensibilizaram não só a população manauara como também pessoas de outros estados e países. Passado um ano do pior dia da pandemia no Amazonas, 14 de janeiro de 2021, quando o estoque de oxigênio para pacientes com Covid-19 esgotou, o portal A Crítica relembra também momentos em que a dor do outro se tornou uma luta comum, tendo como arma principal a solidariedade. 

Artistas, famosos, anônimos, profissionais de diversas áreas, times de futebol, empresários e o país vizinho, Venezuela, entraram na corrente de solidariedade e se uniram à população de Manaus para conseguir doações. Naqueles dias sombrios, não faltou somente oxigênio nos hospitais, mas também itens essenciais como água e EPIs. Essa informação tirou o sono da jornalista Maria Luiza Dacio, que estava de folga no dia, mas pelas redes sociais acompanhava o drama social.

“Eu deitei pra dormir e não conseguia, fiquei ansiosa e levantei umas 23h e joguei no Twitter: alguém aí com carro e gasolina que tope ir comigo procurar algum lugar pra comprar água e levar para esses hospitais que está faltando? Um colega que se tornou amigo, Igor Brito, disse: Malu, eu tenho carro aqui, vamos lá. E aí eu peguei do meu bolso uma grana, a última grana que eu tinha no banco, e fomos andando por Manaus procurando água”, conta. 

“A gente rodou essa cidade, eu moro na Zona Oeste e nós fomos parar na Zona Sul, foi quando a gente conseguiu encontrar uma farmácia aberta e compramos água. A gente chegou na maternidade Ana Braga e encontramos uns amigos que também estavam fazendo essas doações, e lá a gente descobriu que tinham outros lugares precisando também... A partir dali a gente não dormiu mais, a gente ficou direto mobilizando, e criou-se uma grande rede de ajuda”, relembra a jornalista.

Rede de Solidariedade

Postagens como a de Maria Luiza ganharam as redes sociais e mobilizaram diversas pessoas. A hashtag #OxigenioParaManaus ficou entre os assuntos mais comentados no Twitter. O humorista Whindersson Nunes usou a rede social para anunciar a doação de cilindros de oxigênio e convidar também outros artistas a realizarem doações. Uma verdadeira força-tarefa encabeçada pelo humorista e apoiada por outros artistas foi realizada para que os insumos doados chegassem a Manaus. 

A grave crise do desabastecimento de oxigênio nos hospitais sensibilizou também o país vizinho, Venezuela. Caminhões com carga de oxigênio atravessaram a fronteira com o Brasil para suprir a falta do insumo no Amazonas. A cada doação que chegava aos hospitais, a reação dos familiares que acampavam nas portas das unidades de saúde era a mesma, como descreve o investigador de polícia Fabiano Barroso, que atuou no apoio logístico durante crise.

“Era uma mistura de desespero com alívio. As pessoas se ajoelhavam, rezavam, agradeciam, era um negócio muito forte”, conta o investigador. O mesmo é descrito pela jornalista Maria Luiza, que acabou também ajudando, com apoio logístico, familiares de pacientes que precisaram adquirir oxigênio por conta própria. Ela conta que, durante a distribuição de doações em uma unidade de saúde, familiares desesperados pediram ajudaram para abastecer e transportar o insumo. 

“Quando a gente chegou com os oxigênios, a galera começou a chorar, gritava, eu lembro muito forte, eu consigo ouvir a voz da moça dizendo ‘Glória a Deus’ que a gente tinha chegado. Aquilo dava a energia que a gente precisava pra continuar... Essa foi uma história muito marcante que ficou na minha memória, também foi especial porque na época eu não tinha plano de saúde e aquele hospital era o que eu frequentava, é o hospital do meu bairro”, conta a jornalista. 

A união de voluntários e grupos solidários resultou em grandes campanhas de arrecadação de materiais essenciais no enfrentamento à Covid-19, que evitaram maiores perdas. Por outro lado, havia também a cobrança dos cidadãos por estratégias por parte das autoridades que pudessem remediar a tragédia que poderia ter sido evitada. Um ano após o triste episódio, ninguém foi responsabilizado pelas dezenas de mortes ocorridas naquele trágico 14 de janeiro de 2021.

Foto: Arquivo/AC

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