Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2020
Desperdício

Um ano depois de sua inauguração, Shopping T4 na Zona Leste continua fechado

Empreendimento foi inaugurado em 30 de junho de 2016, pelo então Prefeito de Manaus e candidato a reeleição, Arthur Virgílio Neto. O ato foi feito no último dia em que podia fazer inaugurações de obras públicas



t4_-.JPG Centro comercial segue com as portas fechadas e com seu entorno cheio de mato. Sua construção custou R$ 30 milhões aos cofres públicos (Fotos: Winnetou Almeida)
01/07/2017 às 05:00

Ontem completou um ano que o prédio do Shopping T4, no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste, foi inaugurado. Aliás, o ato ostentoso foi promovido no último dia em que o então Prefeito de Manaus e candidato a reeleição, Arthur Virgílio Neto (PSDB), podia fazer inaugurações de obras públicas. Mas o problema é que, até hoje, o empreendimento, cuja construção custou R$ 30 milhões aos cofres públicos, nunca abriu as portas.

A justificativa é que foi um pedido dos próprios microempreendedores escolhidos para trabalhar no Shopping T4, de só se instalarem no local quando pelo menos 50% das lojas âncoras, mini âncoras e quiosques estiverem funcionando. O ex-camelô Ronildo Moreira confirma esse fato. Todavia, salienta que a categoria nunca deixou de cobrar o prefeito para que os tais estabelecimentos fossem instalados, visto que possibilitarão maior fluxo de pessoas.



De acordo com ele, o movimento conseguiu fazer com que o prefeito Arthur Neto marcasse, recentemente, a abertura do Shopping T4 para o dia 24 de outubro deste ano. “Ele prometeu que dia 24 de outubro estará tudo pronto e funcionando. Isso aconteceu numa reunião que nós solicitamos por ofício. Caso ele não tivesse nos recebido, íamos fazer uma manifestação em frente à prefeitura, já tínhamos reunido a assembléia para tomarmos essa decisão”, afirmou.

Moreira revelou que a categoria ameaçou voltar para as ruas do Centro Histórico de Manaus caso não houvesse uma definição sobre o funcionamento do Shopping T4. Mas o prefeito prometeu abrir um empreendimento no dia do aniversário de Manaus e também conter a invasão no Centro contratando uma empresa privada para atuar junto com os fiscais e guarda municipal. “Ele está ciente que se o T4 não tiver com as lojas âncoras funcionando não vamos para lá e sim voltaremos para as ruas”.

O vendedor Miguel Pereira, 54, esteve presente na inauguração do Shopping T4, em 30 de junho de 2016, e viu quando Arthur Neto assinou o termo de permissão de uso do centro comercial. Ele acreditava, com isso, que o espaço de comércio popular fosse logo funcionar, mas não foi o que aconteceu. “Um ano se passou e nada. Isso está errado. Uma obra só é inaugurada quando é para funcionar. Fizeram aquele enxame todo e não dão uma reposta para o povo”, declarou.

Muitos microempreendedores do camelódromos provisórios Floriano Peixoto mantém suas bancas fechadas por falta de clientes

Sem retorno

A reportagem questionou a Prefeitura de Manaus sobre a demora da instalação das lojas âncoras, mini âncoras e quiosques, além dos microempreendedores, no Shopping T4, bem como o custo mensal de manutenção do local sem funcionamento e a previsão de sua abertura, mas até o fechamento desta edição não houve respostas.

Tristeza

A inauguração do Shopping T4, no ano passado, marcou para sempre a vida da família de Iris Santos, 39. Na ocasião, a filha dela Yasmim Silva dos Santos, 14, acabou morta ao ser atingida por uma bala perdida. A adolescente tinha ido vê o show pirotécnico realizado pela prefeitura para evidenciar a inauguração do empreendimento. “Nenhuma mãe gostaria de deixar a filha viva e encontrá-la morta quando chegasse. É uma dor que nunca passa. A polícia prendeu os quatro elementos que fizeram isso. Peço ao juiz que esteja com o caso que não os deixem impune. Que faça Justiça”, pediu Iris.   

Viva Centro Galeria Populares​

O Shopping T4 é a maior e última das unidades que integram o projeto “Viva Centro Galeria Populares”, composto ainda pela Galeria Espírito Santo e Galeria dos Remédios, ambas no Centro da cidade. Embora inaugurado, o empreendimento está fechado e com seu entorno cheio de mato.

Mato toma conta do terreno do Shopping T4

O centro comercial possui 32 mil metros quadrados de área total e, além de abrigar 700 microempreendedores, deve contar com praça de alimentação, supermercado, Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC), mini-auditório, salas de treinamento, agência bancária, banheiros, elevador, escadas, estacionamento e pista de caminhada.

Alguns ex-camelôs que aceitaram sair das ruas do Centro para ir para o Shopping T4 continuam atuando nos camelódromos provisórios, como o da avenida Floriano Peixoto, no Centro. Outros entregaram suas bancas e estão aguardando em casa a abertura do empreendimento. Para isso recebem os benefícios concedidos pelo projeto “Viva Centro Galeria Populares” (R$ 1 mil mensais + 1 cesta básica).


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