LEGADO ETERNO

Um ano sem Rosemary: relembre a trajetória da porta-voz do combate à Covid-19 no AM

A farmacêutica-bioquímica Rosemary Costa Pinto foi um dos personagens mais importantes no combate à pandemia da Covid-19 no Amazonas, em 2020 e até hoje, seu legado vive

Karol Rocha
21/01/2022 às 16:51.
Atualizado em 08/03/2022 às 16:01

Ela foi um dos personagens mais importantes no combate à pandemia da Covid-19 no Amazonas, em 2020 e até hoje, seu legado vive. Com suas inúmeras orientações em saúde foi a farmacêutica-bioquímica Rosemary Costa Pinto, a responsável por lutar pela vida de centenas de amazonenses. 

A sua voz e orientações foram ouvidas nas redes sociais, nas rádios e televisões durante os boletins diários da Covid-19 no primeiro ano da pandemia. E foi em meio a dedicação aquela jornada que em janeiro de 2021, o Amazonas perdeu a maior autoridade para a doença que continua devastando o mundo e o Estado. 

Neste dia 22 de janeiro, um ano de seu falecimento, familiares e colegas de trabalho relembram o convívio e a dedicação de Rosemary Costa Pinto à saúde no Amazonas. “Apesar do cansaço e da correria do trabalho durante a pandemia, minha mãe foi uma avó muito amorosa e participativa”, comenta a filha dela, a professora e servidora pública Mônica Costa Barros, de 37 anos. 

“Quando chegava do trabalho, tirava as roupas usadas na rua (tínhamos uma área para troca de roupas na entrada da casa. Adotamos um protocolo muito rígido de descontaminação de tudo o que entrava em casa, incluindo as roupas e sapatos usados na rua), tomava um banho e vinha correndo brincar com a neta. Minha lembrança mágica dessa época era ver aquela mulher forte e dinâmica dançando com a neta no colo, ou sentada no chão lendo livrinhos e imitando os sons dos animais”.

Rosemary Costa Pinto era casada há 43 anos com João Marcos Pinto, seu primeiro e único namorado. O casal teve três filhos: Luciano da Costa Pinto, de 43 anos, Mônica Costa Barros, de 37 anos e Camila da Costa Pinto, de 34 anos. 

Monica Costa lembra também do esforço feito pela própria mãe no início da pandemia da Covid-19, que se debruçou sobre dados e números, tudo para levar a informação mais precisa para a população bem como as orientações de cuidado à saúde. 

“Ela não parava aos finais de semana ou feriados, não tirava férias durante todo esse período, trabalhava até o anoitecer, estava sempre cercada de planilhas, mesmo em casa. Ela se preocupava muito com a população e sabia que caso houvesse uma contaminação maciça isso poderia levar ao colapso da rede hospitalar”, conta.

“Ela tinha muita esperança nas vacinas. Desde agosto de 2020, ela e a equipe da FVS já haviam elaborado os planos para a vacinação, feito os processos para adquirir os insumos necessários, preparado tudo para quando as vacinas chegassem. Infelizmente elas chegaram tarde demais pra minha mãe e pra tantas outras pessoas”. 

Luciano da Costa e Camila da Costa também fizeram questão de homenagear a mãe neste dia. A ausência de Rosemary mudou completamente a vida da família. “Está completando um ano que ela não está mais conosco, mas não há um dia sequer que não pense nela e na falta que ela nos faz. Ela e meu pai eram as duas metades da minha referência para tudo na vida. Agora uma dessas metades se foi de forma definitiva”, lamentou o filho.  

“Uma das áreas nas quais procuro seguir de perto seus passos é na questão da saúde, principalmente nessa pandemia, com essa doença terrível que a levou ainda galopante no mundo, e principalmente em nossa cidade! Não esqueço de todos os avisos que ela nos deu e cuidados que ela nos ensinou, independentemente de instruções de governos e autoridades. Para mim, a autoridade era ela”. 

A filha mais nova faz um apelo à população para que principalmente se vacine contra a Covid-19. “Eu peço que façamos o que ela sempre pedia: usem máscara, não se aglomerem, obedeçam aos protocolos de saúde e, se possível, fiquem em casa. Mas hoje ela também estaria pedindo algo diferente: tomem a vacina. Quantas doses estão disponíveis para você. A vacina é a única arma para diminuir os óbitos e podermos sonhar com um fim para esta pandemia”, pede Camila da Costa.

O legado que deixa à FVS-RCP

Em julho do ano passado, o órgão de saúde estadual passou a se chamar Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), em homenagem à primeira mulher a ter o cargo de diretora-presidente da fundação.

Atuando diretamente ao lado dela, a enfermeira e na época coordenadora da Comissão Estadual de Prevenção e Controle de Infecção em Serviços de Saúde da FVS,  Tatyana Amorim, atualmente a diretora Presidente do órgão lembra do fenômeno que era a pequena gigante, Rosemary Costa Pinto.  

"É impossível não pensar nela todos os dias da nossa jornada por aqui na FVS, nossa equipe foi treinada por ela, para utilizar a inteligência epidemiológica para tomadas de decisão diante de  um cenário desafiador como, o que estamos vivendo aqui hoje com a Covid-19 ". 

Para Tatyana, ela é um exemplo de profissional e ser humano a ser seguido pelo compromisso ao serviço público. "O seu legado vive em nós que seguimos firmes em busca de fazer o melhor e da melhor forma possível a prestação de serviço à sociedade.  De  forma incansável cada um da nossa equipe se mantém firme no combate à pandemia da Covid-19 pelo terceiro ano consecutivo, para consolidar   seus ensinamentos profissionais e salvar o maior número de pessoas possíveis".

Farmacêutica bioquímica de formação básica e sanitarista, Rosemary fez parte do grupo seleto de 12 profissionais de saúde (entre sanitaristas, epidemiologistas e infectologistas) que criaram a FVS, em 2004, quando ela ainda chefiava o Departamento de Vigilância em SES-AM, antiga Susam. O infectologista Bernardino Albuquerque também foi colega de trabalho dela e de seu amigo pessoal.

"Conheci a Dra. Rosemary quando fazia sua especialização em Epidemiologia há cerca de 20 anos atrás, no qual ministrei uma das disciplinas. A partir daí consolidamos os laços de amizade e parceria culminando com a estruturação e consolidação da FVS-AM”, lembra.

“Profissional responsável e dedicada, firme em suas decisões com grande zelo pela coisa pública. Amiga, confidente e extremamente generosa. Ao decidir me afastar da FVS e buscar um substituto, o nome foi de Dra Rose que na verdade não queria assumir. Desenvolvia um brilhante trabalho Interrompido precocemente por essa nefasta doença. A trajetória da Dra. Rosemary serve de exemplo a todos nós”.

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