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Um dos principais hospitais de Manaus sobrevive entre o descaso e a falta de estrutura

Sem ar condicionado e em péssimas condições estruturais Hospital e Pronto Socorro João Lúcio torna-se martírio para doentes 13/06/2013 às 07:51
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Pacientes nos corredores e acompanhantes que não têm cadeira, ficam no chão, expostos a vários tipos de doença
FLORÊNCIO MESQUITA ---

As condições de funcionamento e estrutura do Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, na Zona Leste, estão precárias. Os condicionadores de ar do setor de internação do hospital estão sem funcionar há pelos menos 20 dias, aumentando o risco de proliferação de bactérias. Esta não é a primeira vez que ocorre o problema e, no ano passado, quando o hospital ficou 50 dias sem refrigeração, nem mesmo o Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) foi autorizado a entrar no local.

A inoperância dos condicionadores de ar tem causado transtornos para os pacientes, principalmente, crianças e idosos que reclamam de assaduras causadas pelo calor. As janelas do hospital são mantidas abertas para amenizar o problema com a ventilação natural.   

Além disso, pacientes ficam expostos em macas nos corredores, sem atendimento adequado, enquanto equipamentos e medicamentos ficam expostos, em condições de higiene incondizentes com um ambiente hospitalar.

Não bastasse o problema com os equipamentos, os pacientes que necessitam de leitos denunciam que ficam em macas nos corredores do hospital por falta de vagas na internação. Uma cena que chama atenção é a de acompanhantes que ficam deitados no chão no corredor porque não há lugar adequado para eles. No mesmo chão onde os acompanhantes ficam deitados, caem materiais fisiológicos e sangue. Eles acabam expostos a vários tipos de doença.

Funcionários também questionam não somente a falha na refrigeração, mas a falta de estrutura do hospital. Médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem têm que atender pacientes se deslocando por vários setores em meio ao calor. Para uma funcionária, que pediu para não ter o nome revelado, os servidores não formalizam a denúncia porque temem pelos empregos. “Está difícil sim. Trabalhar com a roupa mais o jaleco por cima é complicado porque você anda de um lado para o outro e não tem como evitar suar. Não podemos falar sobre a estrutura precária porque é o nosso emprego que está em jogo. Tem muita coisa errada aqui”, contou.

Os acompanhantes de pacientes estão levando ventiladores portáteis, movidos à pilha, para amenizar o calor. A introdução de ventiladores no hospital é proibida, segundo uma acompanhante que também preferiu não se identificar, mas é feita pela maioria das pessoas que lá estão porque não há outra alternativa. “Como eles são pequenos dá pra levar na bolsa e colocar no leito. A pilha acaba rápido, mas é o único jeito. Os enfermeiros dizem que não pode usar o ventilador por questões de saúde, mas não dá pra ficar no calor”, disse. A  doméstica Lúcia Silva, 33, acompanha a avó dela, de 88 anos, desde o último dia 29 no João Lúcio. A idosa ficou no corredor durante dois antes de ser transferida para um leito. No local onde a idosa está também não há condicionadores de ar funcionado. Outros pacientes acamados dizem que a situação está insuportável.

Unidade está em reforma

A diretora do Pronto-Socorro e Hospital João Lúcio, Uildéia Galvão, reconhece o problema e informou, pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam), que a falha na refrigeração é decorrente de uma pane no sistema de condicionador de ar que atende duas áreas da unidade. Segundo ela, “o problema é técnico e todos os esforços estão sendo feitos para saná-los o mais rápido possível”. Nas áreas afetadas, o sistema está funcionando com 40% da capacidade.

De acordo com a diretora, logo que o problema foi detectado, os compressores que apresentaram falha no funcionamento foram encaminhados para conserto. A direção do hospital lamentou o ocorrido e informou que a previsão é de que o problema esteja sanado até a próxima sexta-feira.

Quanto às imagens, feitas ontem por pacientes dentro do hospital, e que mostram sujeira, além de pacientes em macas, a diretora do hospital, Uildeia Galvão, informou que “trata-se de área da unidade cujo espaço está passando por readequação, que inclui a troca de piso e armários”. Segundo ela, a imagem mostra a parte do piso que “já foi retirada”.

Conforme a Susam, um programa de ampliação da infraestrutura da rede estadual de saúde está sendo feito. A construção de hospitais, com a consequente ampliação do número de leitos, faz parte do programa.

Segundo um acompanhante, há disputa por cadeira. “O 28 de agosto é um luxo perto do João Lúcio. Lá tem poltrona para acompanhante. No João Lúcio, quando você encontra uma para passar a noite, se precisar sair para ir ao banheiro ou comer, quando voltar, ficam sem”, disse.

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