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Manaus
CORRUPÇÃO

Um em cada quatro investigações tocadas na PF Amazonas são sobre casos de corrupção

Suspeitas de desvios de recursos públicos ocupam um quarto dos inquéritos da Polícia Federal no Estado. É o que afirma o superintendente do órgão no Estado, Alexandre Saraiva 12/02/2019 às 08:15 - Atualizado em 12/02/2019 às 08:17
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Foto: Jander Robson
Joana Queiroz Manaus (AM)

A Polícia Federal tem 2.500 inquéritos em andamento no Amazonas e cada um deles pode resultar em grandes operações com prisões de pessoas e apreensões de bens materiais. É o que afirma o superintendente do órgão no Estado, Alexandre Saraiva. “Cada um desses inquéritos é uma sementinha em potencial de operações”, disse o superintendente em um balanço das ações ao A Crítica.

De acordo com Alexandre Saraiva, 25% desses inquéritos são de desvio de recursos públicos. Conforme o superintendente, a Polícia Federal tem uma delegacia, com três delegados, que atua na repressão ao crime organizado e que cuida especificamente desses casos. Os delegados, disse ele, estão empenhados nessas investigações.

O superintendente destacou que os crimes de desvio de recursos públicos têm demandado um grande esforço de repressão da Polícia Federal. “A sociedade de hoje não admite mais isso. As coisas estão mudando e eu sou otimista que a polícia faça parte dessa mudança”, disse ele.

Alexandre Saraiva preferiu não falar sobre os inquéritos em andamento e nem se há alguma operação prevista para o primeiro semestre de 2019. Mas, em tom de suspense, destacou que todo inquérito é uma operação em potencial. “Estamos trabalhando”, disse ele.

Ele assumiu a Superintendência da Polícia Federal no Amazonas há um ano, período em que foram deflagradas as operações “Custo Político” e “Estado de Emergência”, desdobramentos da “Maus Caminhos”, que colocaram atrás das grades ex-secretários de Estado e o ex-governador José Melo.

Segundo o superintendente, no começo das investigações era como a polícia “estivesse olhando um quarto pelo buraco da fechadura”. “Sabia-se que havia muitas pessoas e coisas lá dentro”, completou. Com o prosseguimento das investigações, muita coisa foi descoberta, o que resultou nas operações e consequentes prisões.

Para Saraiva, não há dúvidas que ainda há muito dinheiro desviado da Saúde e também da Educação em poder dos corruptos já fora do poder. Ele disse que isso fica muito claro quando se observa o padrão de vida altíssimo que os investigados têm, incompatível com os salários de servidores públicos.

Biopirataria no aeroporto

O superintendente da Polícia Federal, Alexandre Saraiva, destacou o trabalho que a PF faz no Aeroporto Internacional de Manaus Eduardo Gomes. De acordo com ele, no local, há uma equipe de policiais federais reforçada e treinada para fazer fiscalização, para reprimir contrabando, tráfico de drogas e de animais silvestres, não só de espécimes, mas também de partes e fragmentos de animais. E que o trabalho tem dado resultados tem sido positivos.

De acordo com ele, o aeroporto é “ponto quente” de fiscalização porque a aviação é a logística que os criminosos precisam e, na medida em que se consegue reduzir a utilização do aeroporto pelos criminosos, isso dificulta toda atividade criminosa.

Conforme o superintendente, na semana passada foram apreendidas no aeroporto partes de animais silvestres,  como penas e bicos e pele de cobra. Esse material estava sendo levado para o Rio de Janeiro. “Nós nem sabemos o que estamos perdendo, de modo que não se pode mais deixar que continue isso acontecendo” disse Saraiva.

Ele disse ainda que Polícia Federal tem um histórico de apreensões de biopirataria que estavam indo para o exterior, como ovos de pássaros, peixes ornamentais, alguns ainda desconhecidos pela ciência. “Para o Brasil isso é um prejuízo incomensurável”.

Narcotráfico

Além desse forte combate à biopirataria, a PF também atua com vigor no combate ao narcotráfico no aeroporto. No ano passado, por exemplo,  meia tonelada de drogas foi apreendida no local.  Conforme a PF, o Eduardo Gomes é o segundo aeroporto do País, depois do aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, em apreensão de drogas.

O aeroporto de Manaus é considerado estratégico pelo tráfico por ser o primeiro ponto de distribuição da droga que entra pela fronteira (para o País e para o exterior). Essa distribuição se dá em pequenas e grandes quantidades, porém com maior frequência.

Dependendo do modus operandis, as drogas saem de Manaus acoplada aos corpos de pessoas que são contratadas para fazer o transporte e a entrega, conhecidas como “mulas”, mas as maiores quantidades saem em malas, fundos falsos e geralmente vão para o exterior.

Maus Caminhos

Deflagrada em setembro de 2016 pela PF em parceria com o MPF, a operação “Maus Caminhos” tinha como alvo desbaratar uma organização criminosa que usava o Instituto Novos Caminhos para desviar recursos públicos da saúde. Prendeu, inicialmente, 16 pessoas e o médico Mouhamad Moustafa, apontado como o líder do grupo.

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