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Manaus
Transporte Público

Moradores do Porto da Ceasa relatam falta de estrutura e seguranças em coletivos

Sem estrutura, segurança, e nem fiscalização, ‘jeitinho’ dado pelas empresas provoca transtornos a usuários 13/02/2017 às 05:00
Show bola da gilete
Mesmo com sacolas e malas, usuário precisa descer e esperar no sol (Fotos: Euzivaldo Queiroz)
Silane Souza Manaus (AM)

Esperar até 30 minutos a mais no acostamento da BR-319 sem conforto nem segurança para seguir uma viagem que já era longa, disputar assentos no coletivo, ter que pegar dois ônibus em vez de um, ou percorrer alguns quilômetros a pé, carregando peso, debaixo de sol ou de chuva, para chegar ao destino porque as empresas de transporte público decidiram encurtar a rota “por tempo indeterminado”, para “fugir” da fiscalização da Polícia Rodoviária Federal. E tudo isso menos de um mês depois de o valor da passagem ter sido reajustado de R$ 3 para R$ 3,30. 

Essa vem sendo a rotina dos trabalhadores e moradores das proximidades do Porto da Ceasa, na Zona Leste. Eles estão passando pelo sufoco desde que foi implantado um terminal improvisado na “Bola da Gilete”, na avenida Abiurana, Distrito Industrial, Zona Leste. Apesar da situação já ter sido denunciada, a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) ainda não adotou nenhuma medida para coibir a prática irregular ou garantir a prestação do serviço aos usuários.

Os usuários reclamam que, no local, falta estrutura e segurança para eles e para os trabalhadores do sistema de transporte coletivo. Não há como se proteger de sol e chuva e há relatos de constantes assaltos. “A humilhação pelo que o pessoal está passando é muito grande. Eles são tirados de um lugar e colocados em outro à própria sorte sem nenhum tipo de conforto e segurança. Já houve arrastão por aqui”, relatou o taxista Celsimar da Silva. 

Morador da Vila da Felicidade, o garçom Abraão Fernandes, 31, contou que a mudança afetou a rotina das pessoas. “Agora é preciso esperar de 15 a 30 minutos para pegar o integração até a ‘Bola da Gilete’ ou vice-versa. Antes, a gente pegava um ônibus que fazia esse trajeto direto. Ficou ruim. Temos que sair mais cedo para não chegar atrasados ao trabalho e corremos perigo ao ficar muito tempo esperando o coletivo, principalmente de noite”, relatou.

Caminhada

Quem também está sofrendo com a situação é o usuário do Porto da Ceasa. Quem depende do transporte público para chegar ao local, por não saber do ônibus que faz a integração ou por não querer esperá-lo, faz o trajeto a pé. Foi o caso de Romilson dos Anjos, 27, e da esposa dele, Artemiza Ferreira, 22. Sob sol quente, eles foram andando com os dois filhos do casal, um deles de apenas um mês. “Na última vez que a gente veio não tinha integração. Achava que ainda estava assim”, disse Romilson. 

E não são poucas as pessoas que fazem o trajeto a pé até o Porto da Ceasa. Quem chega ao local de outras regiões também fica sem saber o que fazer, uma vez que não há placas indicando sobre a mudança no transporte. “Tem muita gente que não sabe que tem um ônibus fazendo integração e outros acham que tem que pagar mais de uma passagem. Não tem fiscal aqui e nem informações. Ficamos abandonados”, afirmou a atendente Léia Lima, 24.

Improviso contra PRF

O terminal na “Bola da Gilete”  foi improvisado pelas empresas que operam o sistema de transporte coletivo após veículos com licenciamento atrasado serem apreendidos no posto de fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na BR-319. Desde então, as linhas convencionais param na “Bola da Gilete”, os passageiros descem e são obrigados a esperar uma linha alternativa (integração) lotar para seguir viagem até o Porto da Ceasa ou fazer o trajeto oposto (Ceasa-Bola da Gilete).  A demora pode ultrapassar 30 minutos em trajeto que era feito em menos de 8 minutos.

Sinetram ‘aguarda’ a prefeitura

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram)  informou que aguarda definição da Prefeitura de Manaus para a operação das linhas que vão até o bairro Mauazinho e o Porto da Ceasa, por conta da fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF).  

Conforme o sindicato, as empresas estão inadimplentes quanto ao Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), posto que não foram remuneradas em planilha para pagar o tributo em 2016, contando com isenção por parte do Estado.

Para diminuir os transtornos dos usuários das linhas 013, 122, 213, 215 355, 418 e 713, o Sinetram informou que foram disponibilizados dois ônibus, que estão fazendo a coleta de forma gratuita dos usuários dessas duas localidades até a “Bola da Gilete”.

A Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) informou que irá realizar uma fiscalização no local para apurar as reclamações dos usuários, e caso sejam constatadas irregularidades, as empresas serão notificadas.

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