Terça-feira, 21 de Maio de 2019
DOCUMENTOS

Umanizzare alertou Seap sobre riscos dois dias antes de rebelião sangrenta

Reportagem do Jornal Nacional revela documentos enviados pela empresa solicitando revistas armadas e providências urgentes por conta de visitas de fim de ano



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Visitas puderam pernoitar no presídio, por autorização da Seap, e dificultaram fiscalização, conforme empresa (Foto: AC)
04/01/2017 às 20:45

A empresa Umanizzare, responsável pela administração do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, alertou a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) sobre os riscos de visitas e até pernoites de parentes de detentos na unidade prisional para as festas de fim de ano.

Os documentos encaminhados pela empresa à Seap foram revelados pelo Jornal Nacional, da TV Globo, nesta quarta-feira.  Conforme a reportagem, no dia 27 de dezembro, a empresa cobro providências do Estado por conta da não observância dos limites para os horários de visita, o que, segundo a empresa, prejudicou a revista de celos e a contagem dos presos, procedimento padrão de fiscalização.

A reportagem exibe ainda documentos datados do dia 30 de dezembro, dois dias antes da rebelião, cobrando providências urgentes "no sentido de que a Seap empreenda ações de revista com escolta armada para recuperação desses materiais furtados, possivelmente guardados dentro do COMPAJ- Fechado, desmobilizando-se, assim, aqueles reeducandos inclinados a realizar fuga".

Os materiais a que a nota se refere são sete barras de ferro de seis metros de cumprimento cada, retiradas do telhado, que já haviam sido usadas anteriormente em uma tentativa de fuga. Por conta disso, a empresa pediu uma revista armada na unidade, que não foi realizada. Dois dias após a emissão do documento, foi deflagrada a rebelião, que causou a morte de 56 detentos.

Uma esposa de um detento, identificada como Cleide Faria, de 42 anos, afirmou, à reportagem de A CRÍTICA, que passou a virada do ano com o marido no Compaj. " "Ele não disse nada, não esboçou nenhuma reação de que ia ter isso. Se eu soubesse eu não teria saído de lá, eu ainda dormi com ele e sai da cadeia ontem (domingo) pela manhã", disse.

À reportagem do JN, o secretário Pedro Florêncio admitiu que autorizou os pernoites. No entanto, disse que não sabia dos documentos enviados à Seap pois estava fora de Manaus.


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