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Unidade de saúde vira alvo de armas caseiras

Adolescentes ‘testam’ armamentos nas paredes e janelas da UBSF, assustando médicos e pacientes 14/01/2014 às 08:15
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Marcas dos disparos feitos com armas caseiras podem ser encontradas nas janelas e nas paredes da unidade de saúde
Carolina SIlva ---

Usuários e funcionários da Unidade Básica de Saúde da Família do Puraquequara, na Zona Leste, estão com medo de ficar no local, desde que um grupo de jovens passou a testar armas caseiras ao lado, e o pior, dentro do terreno da unidade. O posto de saúde, localizado na rua Ayrton Senna, é o único do bairro.

A comunidade teme ser prejudicada pela brincadeira de mau gosto que levou funcionários a pedirem transferência da unidade de saúde.

Pelo celular, um funcionário da unidade de saúde filmou a ação do grupo. No vídeo aparecem cinco garotos. Quatro deles aparentam ter entre 13 e 16 anos. Outro aparenta ter entre 17 e 18 anos e aparece com uma camisa branca enrolada na cabeça para que, provavelmente, não seja identificado e responsabilizado pelos prejuízos.

Durante dois minutos e meio, o funcionário filmou um dos garotos usando um objeto que parece ser uma arma de pressão com bombinhas. No vídeo dá para ouvir um barulho parecido com o disparo de arma de fogo. Logo em seguida, os garotos se aproximam e verificam se atingiram o muro da UBSF.

A ação foi registrada em plena luz do dia. A líder comunitária Neuza França, 55, relata que o grupo costuma “fazer o treinamento de tiro” no período da tarde. O local conta apenas com a segurança eletrônica, feita com câmeras. Em nome da comunidade, ela faz um apelo: “É preciso que pelo menos um vigilante fique aqui no local para impedir a presença dos garotos dentro do terreno da unidade”. O acesso ao local é facilitado porque não é todo cercado por muros.

“Funcionários estão com medo de voltar das férias por causada dessa insegurança. A maioria pensa em pedir transferência porque está assustada. Se ninguém mais quiser ficar aqui vamos ter que contar apenas com uma agente comunitária de saúde, mas ela não pode dar consulta e nem prescrever receita. Três mil pessoas podem ser prejudicadas por causa desses garotos”, desabafou Neuza.

Na sala do médico da unidade, a líder comunitária aponta para a janela que ainda está com a marca de uma das bombinhas disparadas pela arma caseira. Por sorte, no momento não havia ninguém no local. Até mesmo parte do muro desmoronou depois de ser atingido pelos disparos.

Outros danos

Os usuários da UBSF também acreditam que o mesmo grupo de garotos é responsável por quebrar as lixeiras, danificar um tubo de instalação elétrica e os compressores de ar-comdicionado split, que ficam na área externa.

O muro que foi derrubado e parte do forro da área externa que foi danificado pelas bombinhas disparadas pela arma caseira usada pelo grupo de jovens denunciado já passaram por reparos, custeados com recursos públicos. Até o momento, ninguém foi punido pelos danos causados ao patrimônio público e nem por colocar em risco a vida de pessoas que ficam no local.

Secretaria deve reforçar segurança

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou, em nota, “que está estudando as formas possíveis para aumentar a segurança no local”. De acordo com a secretaria, a unidade de saúde conta com um sistema eletrônico de segurança – alarmes e câmeras – monitorado por uma empresa terceirizada e que é acionada em casos de ameaças de roubo e arrombamentos.

“A Semsa já está providenciando a instalação de grades na Unidade de Saúde e já encaminhou à Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas pedido solicitando a intensificação das ações do Programa Ronda no Bairro na área, com o objetivo de inibir e combater a violência e o uso de drogas no local”, também informou, em nota.

Segundo a Semsa, uma reunião foi realizada na tarde de ontem pela direção do Distrito de Saúde Leste (Disa Leste) com os servidores da UBSF – L42. Na ocasião, eles relataram a situação que estão vivenciando no local.

Os moradores e os funcionários suspeitam que os cinco garotos que aparecem no vídeo e que causaram danos ao prédio da UBSF são moradores do próprio bairro. A líder comunitária Neuza França disse que ao menos dois garotos já foram identificados pelos moradores.

Polícia

Um boletim de ocorrência foi registrado no 17º Distrito Integrado de Polícia (17º DIP) e a comunidade pediu providências à Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). Porém, os moradores ainda aguardam alguma solução das autoridades.

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