Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019
terceira idade

Universidade Aberta da Terceira Idade já formou 360 especialistas em gerontologia

Amazonas passou a ser o Estado brasileiro com o maior número de gerontólogos - ciência que estuda o envelhecimento - na rede pública de saúde estadual e municipal



1015661.JPG Atualmente 10,7% da população brasileira estão acima de 60 anos e a previsão para 2030 é que esse índice salte para 20%, daí a importância dos gerontólogos (Arquivo A Crítica)
16/12/2015 às 13:43

Em cinco anos, a Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI), unidade suplementar da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), formou 360 especialistas em gerontologia, ciência que estuda o processo de envelhecimento em suas dimensões, para a rede pública de saúde estadual e municipal, o que levou o Amazonas a ser o Estado com o maior número de gerontólogos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do País.

As informações foram divulgadas pelo diretor da UnATI/UEA, Euler Ribeiro, ao comemorar a aprovação, no último dia 9, na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), do projeto de lei que regulamenta a profissão de gerontólogo. O texto (PLS 334/2013), do senador Paulo Paim (PT-RS), seguiu para análise terminativa na Comissão de Assuntos Sociais (CAS).



Euler Ribeiro revelou que o projeto recebeu duas emendas importantíssimas que foram feitas pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), a pedido da UnATI do Amazonas. “Nós falamos com o senador Omar Aziz e demos uma proposta para que ele apresentasse junto ao projeto do Paulo Paim, que acabaram sendo agregadas. A primeira foi a regulamentação da profissão e, a segunda, a previsão para inserção no SUS”, afirmou.

Além disso, o artigo 9.12 propõe considerar, nas políticas públicas de jovens e adultos, as necessidades dos idosos, com vista à promoção de políticas de erradicação do analfabetismo, ao acesso a tecnologias educacionais e atividades recreativas, culturais e esportivas. Também, à implementação de programas de valorização e compartilhamento dos conhecimentos e experiências dos idosos e à inclusão dos temas do envelhecimento e da velhice nas escolas.

“Os profissionais dessa área não eram reconhecidos no mercado de trabalho. Agora, a gerontologia vai ser profissão reconhecida e com exigência de que tem que haver pelo menos três gerontólogos nas Unidades Básicas de Saúde e um em cada escola. A regulamentação da profissão é fundamental para todo Brasil, e partiu do Amazonas, que apresentou ao senador e ele aceitou”, lembrou.

Euler Ribeiro ressaltou que, como o País envelheceu, hoje 10,7% da população, de 200 milhões de habitantes, estão acima de 60 anos, sendo que, como a previsão para 2030 é que sejam 20%, é necessário ter gerontólogos nas Unidades Básicas de Saúde e nas escolas primárias, no caso desta última, para ensinar a criança a envelhecer com qualidade.

Legislação avançada no exterior

A profissão de gerontólogo já é regulamentada em outros países que tratam a questão do envelhecimento como um processo ao longo da vida. Hoje, esses profissionais trabalham em planos de saúde, consultorias de preparação para aposentadoria, núcleos de convivência para idosos, hospitais-dia geriátricos, centro-dia.

Os habilitados em gerontologia também podem trabalhar na área da educação e se dedicar à pesquisa básica, inclusive sobre condições relacionadas a doenças frequentes entre idosos, como o mal de Alzheimer.

Contudo, atividades que compreendem o diagnóstico e o tratamento das doenças são exclusivas dos médicos geriatras ou de outras especialidades médicas voltadas ao idoso.

Meta é implantar curso de graduação em 2016

O diretor da UnATI/UEA, Euler Ribeiro, revelou que, muito provavelmente, em 2016 ou no ano seguinte, a instituição vai ter um curso de graduação de gerontologia. “Hoje nós temos somente pós-graduação em gerontologia. Esse curso é considerado pelo Ministério da Educação (MEC) padrão A no Brasil porque todos os nossos professores são doutores”, evidenciou.

Outra novidade para o ano que vem, conforme Euler Ribeiro, é a concretização de um projeto, com a Prefeitura Municipal de Manaus (PMM), que prevê a formação de 100 professores da rede municipal de ensino em gerontologia. “Esses professores atuarão nas escolas como determina o texto que regulamenta a profissão de gerontólogo”, enfatizou.

Euler Ribeiro adiantou que a UnATI, que é uma unidade suplementar da UEA, provavelmente irá se transformar em fundação. “A intenção de transformar a UnATI em fundação vem desde quando o senador Omar Aziz era governador. Só não se transformou ainda por conta da crise econômica, mas acredito que em 2016 seja transformada. Aí seremos a primeira universidade para idosos da America Latina”, frisou.

Estrutura

Das 17 UnATIs que existem no Brasil, apenas a do Amazonas tem sede própria. A instituição conta com 30 cursos de extensão voltados só para a idade tardia, em artes lúdicas, computação em todos os níveis, português, inglês, francês, espanhol, corpo e mente, cuidado especiais com as demências, recuperação da memória, entre outros. E ainda o curso de pós em gerontologia, além de outros cursos de educação.


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