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Universitários ocupam prédio em obras da Casa do Estudante da Ufam, no bairro Coroado

Cerca de 25 alunos da Universidade Federal do Amazonas invadiram a construção e exibiram cartazes contra a reitoria e contra os cortes da instituição. Panfletos assinados pelo Comando Unificado de Greve também foram distribuídos. 24/09/2015 às 13:53
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Universitários ocupam prédio em obras da Casa do Estudante da Ufam
acritica.com Manaus (AM)

Pouco mais de 25 universitários ocuparam, na manhã desta quinta-feira (24), o prédio em construção da Casa do Estudante da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) - localizado no bairro Coroado 1, Zona Leste de Manaus -, reivindicando moradia e criticando a reitoria da instituição. Além de cartazes e gritos de ordens, panfletos assinados pelo Comando Unificado de Greve (Clug) também foram distribuídos.

"Se cuida reitoria, sem moradia vai ter ocupação todo dia!!!", "Corte de recursos na Ufam. Você sabe onde?" e "Que a reitoria responda pelo caos na Ufam" foram algumas das frases expostas em cartazes. Os alunos, apoiados pela Associação dos Docentes da Ufam (Adua), cobram agilidade na obra da Casa do Estudante e culpam o orçamento enxuto da Universidade pelo atraso.

Segundo o aluno do 8º período do curso de Administração, Thiago Sartt - que faz parte do Conselho Universitário da Ufam, representando a capital, e integra o Coletivo Voz Ativa, um dos movimentos que há 25 dias ocupam o prédio administrativo da instituição, no campus principal -, o problema da Casa do Estudante não é só em Manaus, sendo que em municípios do interior do Estado a situação é ainda mais grave. "Há três anos que diversas Casas estão em obras, tanto em Manaus quanto em Humaitá e Parintins, por exemplo, e não avança. O contigente de estudantes que necessitam desta moradia para poder estudar na Ufam é enorme", diz.

Ainda de acordo com Sartt, os movimentos que estão nesta ocupação e que promovem atos simbolícos em prédios pertencentes à Universidade Federal buscaram outras formas de diálogo antes, sem sucesso. "Já enviamos ofício, encaminhamos cartas... Tentamos todos os caminhos burocráticos possíveis e não houve conversa. Agora, o Ministério Público está analisando um pedido de reintegração de posse no prédio que estamos ocupando desde o dia 31 de agosto. São entre 20 e 35 pessoas que ficam se revezando. (Essa ocupação) É algo histórico e democrático, e estão nos intimidando de forma sistemática", completa o universitário.


Thiago Sartt afirma que os universitários estão vivendo, atualmente, um "caos intitucional". "Na última sexta-feira, chegou um fiscal da Polícia Federal no prédio para ver o que stávamos fazendo, se impedíamos entrada das pessoas, se estávamos depredando o local, e nada disso aconteceu. Agora estamos acompanhando a decisão do MP sobre essa reintegração no prédio que abriga as reitorias e o gabinete da reitora. Vemos sim essa visita da PF, por exemplo, como um ato de intimidação, e é algo que acontece desde o primeiro dia de ocupação, quando a Polícia Militar esteve dentro do campus, fazendo aquela pressão psicológica na gente, e sabemos que isso é uma irregularidade. Agora, sofremos pressão pela segurança terceirizada da Ufam", declara.

Outros atos

Após a parada no prédio da Casa do Estudante, o grupo seguiu para o prédio onde deveria funcionar a fábrica de medicamentos da universidade. O prédio foi construído em 2003 e já foi reformado, mas nunca funcionou, acumulando poeira em diversas máquinas e equipamentos que estão no interior do prédio, muitos ainda com as embalagens.


No local, situado dentro no Campus da Ufam, os estudantes encontraram equipamentos abandonados, que estão sem funcionamento desde de época da construção. Até 2010, a obra já havia consumido R$ 3,5 milhões e precisava de mais R$ 2 milhões para entrar em operação. Se estivesse em funcionamento, a fábrica de medicamentos teria a capacidade de produção de 200 milhões de comprimidos, cápsulas e drágeas.


Resposta

Sobre a obra da casa do estudante Ufam, o prefeito do Campus Universitário, professor Atlas Augusto Bacellar, informou que a obra está suspensa desde janeiro deste ano por causa do processo jurídico do destrato com a empresa que havia ganhado a licitação para a construção da casa.

“A empresa deveria nos entregar a obra no mês de janeiro, porém quando chegamos ao mês decorrente, a obra estava 60% concluída. Eles pediram um tempo maior, mas conforme as legislações federais não teria como liberar mais um tempo para a conclusão, por isso pedimos o destrato”, explicou.

Conforme o prefeito, eles estão aguardando a finalização do processo do destrato e de imediato realizar uma nova licitação para a conclusão da obra da Casa do Estudante. Ele afirmou que com essa liberação, em menos de três meses, a obra será concluída. Bacellar garantiu que a universidade tem recursos para concluir a obra, avaliada em R$ 2,2 milhões.

O diretor do Departamento de Assistência Estudantil, professor Daniel Castro, contou que nenhum aluno dependente da casa está desamparado. De acordo com Castro, na capital a universidade possui 120 bolsas, e atualmente 82 bolsas são ocupadas por alunos que passaram em todos os processos do edital. “Fora os 82 alunos, também temos 15 alunos remanescentes da antiga casa que também recebem esse benefício.”, explicou.

O professor Daniel Castro informou que além das bolsas da capital, a universidade também distribui 720 bolsas no interior do estado. Há mais três casas do estudante que estão no processo de reforma nos municípios de Benjamim Constant, Itacoatiara e Parintins. A casa em Manaus terá 120 vagas deste número 30 são destinados para alunos portadores de necessidade especial.

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