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Manaus
SAÚDE

Completando 11 anos de atuação em Manaus, Samu é alvo de críticas da população

Usuários reclamam da demora e da burocracia do serviço, como a má qualidade e dificuldade para conseguir atendimento 15/03/2017 às 05:00 - Atualizado em 15/03/2017 às 11:43
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Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) é criticado pelos usuários (Foto: Arquivo A Crítica)
Lídia Ferreira Manaus (AM)

Um mês após completar 11 anos de atuação, o  Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) é criticado pelos usuários, especialmente pela demora e o má qualidade do atendimento. Um dos casos mais recentes foi o do estudante Edilbeth Pereira da Silva, 14, morto após passar mal numa aula de educação física. A escola fica a 500 metros de uma base do Samu, mas nenhuma ambulância atendeu ao chamado feito pelo 192.

A morte aconteceu no  dia 3 de março e causou comoção nas redes sociais, especialmente pela deficiência no atendimento. Os colegas de Edilbeth relataram   que foram várias as ligações para o 192. Sem retorno, os professores colocaram o aluno no carro e levaram até a base vizinha ao colégio. A base, localizada no bairro Cidade de Deus, Zona Norte, não é equipada com desfibrilador e nem possui médico no corpo técnico. O estudante morreu a caminho do Pronto Socorro Platão Araújo. 

A dificuldade em conseguir atendimento também ocorreu com a auxiliar administrativa Suelem Carvalho. De acordo com ela, foi necessário telefonar duas vezes para conseguir “convencer” a atendente que a avó dela, uma paciente de câncer de 80 anos, precisava ser levada  ao hospital, ea ambulância, de acordo com a recomendação do médico da família. “A primeira vez que liguei a pessoa fez mil perguntas, exigiu mil detalhes de pressão, temperatura e outras coisas que eu nem sabia explicar, com ninguém deve saber porque se está ligando para emergência é justamente porque não sabe como proceder”, diz.  A atendente desligou o telefone pois disse que não se tratava de uma emergência. Suelem insistiu, passou por todo o procedimento de atendimento novamente em quase 15 minutos de ligação telefônica. “Para quem está em emergência, é tempo demais. Fora a grosseira. Eles são despreparados, grossos e não sabem lidar”, destaca.  Depois de muita insistência, ela conseguiu a ambulância. “A equipe dentro da ambulância foi ótima, atenciosa e muito profissional”. 

O contador Sérgio Mendes relata que um dia em que uma senhora passou mal e desmaiou, no domingo de manhã, no calçadão da Ponta Negra. “Ela caiu no chão, no asfalto quente das 10h. Ligamos várias vezes. Foram bem umas 10 ligações para convencer atendente.   Depois de 40 minutos, veio a ambulância”, relata. Para ele, falta mais agilidade. “Pode até ser que tenha muitos trotes, mas ser necessário 10 pessoas ligarem é demais”.

Específico

Durante as comemorações dos 11 anos do serviço, o secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão Neto, fez questão de ressaltar que o Samu funciona apenas para  atender pessoas casos com risco de morte como acidentes de trânsito, ferimento com armas de fogo ou arma branca, infarto ou derrame. “As solicitações por telefone são avaliadas pelo médico regulador, que tem o trabalho de classificar o nível de urgência de cada chamada, definindo os procedimentos necessários, que vão desde uma orientação médica até o envio de uma ambulância para o local da ocorrência”, explicou.

Falsas ligações

O trote é um dos principais problemas, enfrentados pelo Samu em Manaus. Nesses 11 anos foram 1.033.172, representando cerca de 25% de todas as chamadas, de acordo com a Semsa. Em Manaus  na  região metropolitana, o Samu possui 13 bases: Puraquequara, Cidade de Deus, Colônia Antonio Aleixo, Cidade Nova, Santa Etelvina, Leste, Centro-Oeste, Oeste, Centro-Sul, Sul, Fluvial, PMA-Ponta Negra e Remoção. A equipe técnica conta com 941 servidores e 41 ambulâncias, 12 motolâncias e duas ambulâncias fluviais.

O protocolo do serviço é definido pelo Ministério da Saúde por meio da Portaria Nº 2.657, o Ministério da Saúde. Um das características dividir as bases em dois tipos: unidades de suporte básico (USB) ou unidade de suporte avançado (USA). Somente a última possui médico e equipamentos como desfibrilador.

Resposta

Em nota, a Semsa respondeu que  “os atendentes do 192 fazem os questionamentos ‘minimamente necessários’ e de acordo com as Portarias Ministeriais que regem o Programa Samu 192, como nome, idade, endereço da ocorrência, ponto de referência e qual o tipo de ocorrência, para então passar a ligação para o Médico Regulador. Este sim, faz vários questionamentos a fim de verificar as seguintes situações: é caso de ambulância?; que tipo da ambulância mandar? Ambulância básica (USB) ou de UTI (USA)?”, entre outros.

Sobre o atendente que desligou o telefone sem concluir a ligação da entrevistada, a Semsa respondeu que “muitas ligações não completam ou muitas vezes são interrompidas, por problemas na operadora, quem usa telefone, em especial celular, sabe bem disso. Outra situação, o solicitante que não tem seu pedido atendido, não entendendo  para que serve o Samu, fica questionando, agredindo verbalmente e muitas vezes ameaçando o servidor”, diz a nota.

Sobre o caso do estudante, a Semsa respondeu que o aluno já foi disparada uma ambulância “assim que recebeu a ocorrência”, mas que o aluno já chegou em parada cardiorrespiratória. “A criança foi colocada na Unidade de Suporte Básico (ambulância) , foram iniciadas as manobras de reanimação e acionada a Unidade de Suporte Avançado com UTI (USA) da base Norte (mais próxima do local), a qual interceptou a USB, complementando as manobras médicas, porém, a criança em nenhum momento apresentou sinais de vida”, diz a nota.

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