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Manaus
Dificuldades

Usuários do transporte coletivo apontam problemas enfrentados diariamente

Em meio a um novo aumento da tarifa, passageiros insatisfeitos criticam sistema e apontam fatos como atraso dos coletivos, superlotação e desrespeito como alguns desses entraves 15/04/2016 às 09:47 - Atualizado em 15/04/2016 às 10:20
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Vai e vem de passageiros no Terminal de Integração 5, no bairro São José, Zona Leste / Fotos: Antônio Menezes
Paulo André Nunes Manaus (AM)

A possibilidade iminente de reajuste da tarifa de transporte coletivo acentuou a frequente insatisfação dos usuários do sistema em Manaus. A CRÍTICA conferiu algumas das reclamações mais comuns dos passageiros, bem como os pontos positivos. Os atrasos gerados pela demora dos coletivos, bem como a superlotação, e outros aspectos como a grosseria de parte de motoristas e cobradores foram ressaltados pelos usuários ouvidos pela reportagem. E não se salvaram nem mesmo outros usuários.

Grávida de 7 meses, a estudante Kelly Cristina Ferreira, 27, sente na pele diariamente as agruras dos ônibus superlotados da cidade. E a falta de sensibilidade, deles, na hora de dar o lugar. “Várias vezes eu peço para a pessoa levantar do assento para mim sentar. Mas a situação como um todo do sistema de transporte coletivo é péssima.

A estrutura é deficitária, os funcionários são mal educados. E tem a demora nas paradas: não pego o ‘busão’ em menos de 30 minutos . Por isso que a população fica indignada”, declara ela, moradora do Novo Reino, na Zona Leste (é usuária da linha 089), e que ontem, no Terminal de Integração 5, no São José, aguardava há mais de meia hora pelo coletivo da linha 650.

“Acho que a única coisa que eu posso elogiar é a estrutura de terminais como esse e a diminuição de assaltos aqui no T5”, completa ela.

O casal Ketlen Ferreira, 20, estudante, e Juan Mendes, 23, autônomo, disseram que até aceitariam pagar mais pelo transporte público, desde que o serviço fosse bom. “As empresas nunca cumprem o prometido”, disse ele. Já a estudante, que é carioca, falou que os “ônibus de Manaus “não são novos, e sim reformados, constituindo uma maquilagem enganosa”.

Morador do conjunto Viver Melhor 2, o motorista Ronny Veiga, 38, aproveitou para criticar também os executivos e alternativos, as outras duas modalidades de transporte autorizadas a funcionar pela Superintendência Municipal de Transportes Urbanos. “Utilizo mais o alternativo pois onde eu moro não tem o executivo. Mas todos os três sistemas são precários. O pior são os sucateados, que são sujos, além da demora: hoje (ontem) eu esperei 40 minutos pelo 072 (Novo Aleixo). De positivo, não tenho nada a falar”, critica ele.

“A grosseria dos motoristas é grande. Demoro até 1 hora para pegar ônibus como o 080 (Armando Mendes). Não vejo aspectos positivos”, falou a aposentada Valceni Benaconth, 63.

Outros usuários como Luciano da Silva, 52, sofrem em dobro: cego há 22 anos após complicações de um glaucoma, ele criticou os ônibus velhos, a lotação e a impaciência das pessoas que não dão lugar a portadores de necessidades especiais como ele. “Não há como elogiar um sistema como esse”, disse ele.

Sistema tem 10 empresas

O transporte  convencional da cidade de Manaus possui um total de dez empresas funcionando atualmente.

Já os  operadores atuais dos sistemas alternativo e executivo não possuem contrato com o Município, e se organizam em cooperativas e não em empresas, informa a assessoria de comunicação da SMTU.

Para legalizar ambos os modais está em andamento uma licitação que vai disponibilizar 120 permissões para o executivo e 200 para o alternativo, todas direcionadas para pessoa física.

A Comissão Especial de Licitação (CEL) da SMTU está realizando o julgamento das propostas da fase de classificação dos concorrentes.

EM NÚMEROS

22.448.014: É o número mensal médio de passagens de ônibus de Manaus. Desse montante, 1.647.023 são gratuidades, 1.978.450 da integração temporal e 4.520.605 de meia-passagem. O transporte convencional tem uma frota operante de 1.389 ônibus, 260 alternativos e 204 executivos.

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