Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
Perigo nas paradas

Usuários relatam os 'sustos' de quem depende de ônibus a noite em Manaus

Usuários de transporte público ficam à mercê de assaltantes enquanto esperam o ônibus para voltar para casa



parada_2.JPG Estudante e trabalhadores dizem que sentem com medo ao ficar esperando o transporte (Antônio Lima)
14/08/2016 às 07:00

Passar um tempo, por menor que seja, nas paradas de ônibus, em Manaus, é  uma tarefa que exige atenção redobrada. Isso porque os usuários do transporte coletivo são constantemente alvos de arrastões. Seja por falta de iluminação ou mesmo por um deslize, os assaltos acontecem e deixam as pessoas assustadas.

Na avenida Carvalho Leal, na Cachoerinha, na Zona Sul, A CRÍTICA identificou ao menos duas paradas de ônibus que estavam sem iluminação. Quem precisa pegar o coletivo para voltar para casa reclama que a situação nunca melhorou.

A auxiliar de lavanderia Ágata Lima da Silva disse que, nas paradas que ficam em frente  à Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas  (UEA) e Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ), os roubos acontecem diariamente, principalmente nos finais de semana.  “Eu moro perto daqui e, para não ficar esperando muito e não ser assaltada , entro no primeiro ônibus que vejo porque sempre tem arrastão aqui. Depois das 22h, a situação fica pior ainda”, revelou ela que, apesar de nunca ter sido roubada no local, teme pela sua segurança.

O auxiliar de lavanderia Gielvano Farias  dos Santos, 24, disse que o ponto de ônibus em frente à FHAJ é  alvo de criminosos. Ele relatou que há poucos dias  presenciou um crime e ficou apavorado. “Dois homens estavam em uma moto e tinha um rapaz mexendo no celular. Os bandidos se aproximaram e arrancaram o aparelho da mão dele  e ninguém teve tempo de fazer nada”, contou.

Para não ser uma “presa fácil”, o auxiliar afirma que evitar usar o celular ou pegar objetos na mochila para não chamar a atenção dos assaltantes.

 

No meio da rua

A sensação de insegurança se repete facilmente em outras paradas de ônibus. Na avenida Leonardo Malcher, no Centro, por exemplo, estudantes preferem ocupar a calçada ou mesmo a rua, para não “cair nas garras” dos criminosos.

Enquanto dezenas de usuários aguardavam seus coletivos ao longo da calçada, na avenida Leonardo Malcher, Centro, o cobrador de ônibus Rosemberg Costa era o único esperando pela condução no local exato da parada, mesmo o local estando no escuro.

Para ele, embora a escuridão represente perigo, os pontos de paradas devem ser mais respeitados pelos usuários. “Entendo que eles preferem ficar onde tem mais iluminação ou onde tem mais gente. Mas se a parada é aqui, penso que é aqui que as pessoas devem esperar pelo transporte”, avaliou o cobrador.

 

Usuários cobram mais policiamento

O estudante de engenharia de produção Luiz Carlos Lopes afirmou que do prédio onde ele estuda, também na Leonardo Malcher, Centro, Zona Sul, é possível ouvir os gritos de vítimas de assaltos.   “Isso acontece costumeiramente. Mas a polícia só atua quando há denúncias. Aí eles vêm, ficam um ou dois dias rondando nesse trecho, mas depois desaparecem”, denuncia ele.

As amigas Lígia Viana e Amanda Muniz, que também são universitárias, dizem que chegam a desligar o telefone ou escondê-lo em lugares diferentes, além de evitar usar objetos mais caros para não serem assaltadas. “Essa parada  é  escura, pequena, não tem segurança. Por isso não podemos  vacilar”, disse Amanda, que já viu arrastões acontecendo  em outras paradas do Centro. “Outro dia eu estava da Praça da Saudade quando vi todo mundo saindo correndo, gritando. Era um assalto e os bandidos conseguiram levar  bolsas e celulares de algumas pessoas, por pouco eu não fui uma das vítimas”, lembrou.

O cenário é o mesmo nas paradas de ônibus de avenidas movimentadas como Getúlio Vargas, no Centro, e avenida André Araújo, no Aleixo, na Zona Centro-Sul. Nesses locais, além da pouca iluminação nos pontos de ônibus, a atuação da polícia nas proximidades, mesmo em áreas colegiais, torna-se cada vez mais rara. “A gente quase não vê policiamento nesse horário noturno. Para piorar a situação, como há muitos estudantes, muitos deles ficam com os celulares nas mãos, o que chama ainda mais atenção de bandidos”, opinou a universitária Ligia Viana.

 

Reforço policial e iluminação

O superintendente Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Pedro Carvalho, disse que 500 paradas de ônibus estão sendo reformadas e que todas elas vão receber iluminação e manutenção das lâmpadas para evitar que passageiros sejam assaltados. O Comandante–Geral da Polícia Militar, Augusto Sérgio Farias, afirmou que também irá reforçar o policiamento nas paradas e reforçou que a PM atua em toda a cidade.

 

Arrastão na Ufam

Na semana passada, na avenida Rodrigo Otávio, no Coroado,  homens armados fizeram um arrastão na parada de ônibus que fica em frente à Universidade Federal do Amazonas (Ufam). A ação causou revolta dos estudantes, que protestaram pedindo mais segurança. Na quarta-feira à noite, dois suspeitos de praticarem o arrastão foram detidos pela polícia.


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