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Usuários do transporte têm que ‘se virar’ para aguentar calor sem abrigos de ônibus em Manaus

Muitos pontos de ônibus na cidade estão sem abrigo, o que torna desafiador esperar o transporte coletivo para o usuário durante o período mais quente do ano 11/09/2015 às 20:44
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Segundo a SMTU, nem todos os pontos necessitam de abrigos.
Silane Souza ---

Debaixo de sol quente. Foi  assim que  usuários do transporte público esperaram ônibus no dia mais quente do ano, ontem. O motivo é a falta de cobertura nos pontos, onde a maioria conta apenas com placas de sinalização. Com o calor, o povo sofreu e teve de recorrer à criatividade para esperar o coletivo. Segundo a Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), a cidade tem 1.185 pontos de ônibus instalados.

A situação é pior nos pontos localizados nos bairros periféricos da capital, mas A CRÍTICA  encontrou diversas paradas sem proteção ao longo de uma das principais avenidas da cidade, a Constantino Nery. No segundo semestre deste ano, a Prefeitura de Manaus iniciou a reforma de 500 abrigos de ônibus, bem como a implantação de 200 novos abrigos do tipo telha de barro. Para a população, o trabalho está demorando muito a ser feito.

Enquanto isso, para se proteger do sol, o estudante Jairton Silva de Sena, 19, espera o ônibus próximo à parada, de preferência, no local onde encontra alguma sombra. Quando o coletivo vem, ele corre. “

Eu não fico na parada porque é mais quente, então procuro um lugar próximo do ponto, que tenha sombra”, revelou. Para ele, falta infraestrutura para melhorar a vida de quem depende do transporte público em Manaus.

No ponto de ônibus ao lado do Millennium Shopping, na avenida Constantino Nery, Zona Centro-Sul, usuários do transporte público relataram que antes a parada tinha cobertura, mas faz tempo que demoliram e não a reconstruíram. No local só tem uma placa de sinalização do ponto. “Se tiver sol nós temos que enfrentar, se tiver chovendo também. Não tem para onde correr”, relatou a funcionária pública Dermauria Angelim, 65.

Na mesma avenida, após a Arena da Amazônia, no sentido bairro/Centro, há outra parada de ônibus que conta apenas com a placa de sinalização. Para a autônoma Goreth Costa, 50, que sempre pega o coletivo no local, é muito desconfortável a situação.

 “Eu tento me proteger com a sombrinha, mas com esse forte calor de Manaus não adianta muito. A prefeitura deveria  criar um abrigo aqui igual aquele”, disse apontando para o ponto com cobertura no outro lado da via.

Inmet registrou ontem o dia mais quente de 2015

O manauense  está sofrendo com calor escaldante do verão amazônico influenciado pelo fenômeno El Niño normal nessa época do ano. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os termômetros oficiais do órgão registraram, ontem, a marca de 37 graus centigrados, o dia mais quente do ano.

 Em vários pontos da cidade a temperatura chegou aos 40 graus e levaram as pessoas a tomarem muita água e procurar uma sombra para fugir dos incomodos efeitos da sensação térmica.

Segundo o meteorologista do Inmet, Gustavo Ribeiro, a previsão para o final de semana é de mais calor, embora possa ocorrer chuvas em áreas isoladas da cidade. “A estação meteorológica automática do Inmet situada entre as avenidas Recife e Maceió, confirmou que a sexta-feira   foi até o momento, o dia mais quente deste ano quando a máxima temperatura do ar atingida foi de 37,3 graus. A previsão para este sábado é de tempo estável de céu claro e parcialmente nublado com pequena possibilidade de chuva em áreas isoladas devido ao calor. A temperatura mínima deve  variar entre 26 e 27 graus centigrados  e a máxima entre 34 e 35 graus”, explicou Ribeiro.

Enquanto isso, a população  amenizar os efeitos da sensação térmica na cidade. Ontem, os termômetros instalados na avenida André Araújo, no bairro do Aleixo, Zona Centro-Sul, até o bairro do Japiim (Zona Sul), de Manaus, registravam temperaturas que oscilavam de 38 a 40 graus centigrados. “Dentro do carro que não tem ar-condicionado a temperatura fica ainda mais quente. Está um inferno e ainda tem os engarrafamentos que aumentam o estresse”, disse o motorista Adelino Macedo sofrendo com o calor.

Questões técnicas

Segundo a SMTU, nem todos os pontos necessitam de abrigos. Nos localizados  dentro dos bairros, no sentido centro/ bairro, não há necessidade de haver abrigos visto que normalmente o usuário desembarca e segue o seu destino.

Nesses pontos, a linha passa quando ele segue em direção ao  ponto final. Segundo, uma das grandes dificuldades é falta de espaço na calçada. A largura mínima necessária  para a implantação do menor abrigo é de 2,10 m, sendo que boa parte dos pontos de parada estão em locais que não dispõe desse espaço.

Três abrigos reformados na Betânia

A Secretaria Municipal de infraestrutura (Seminf) informou que a reforma dos 500 abrigos, que usam telha de barro, está em andamento. Até o momento foi concluída a reforma de três abrigos no bairro da Betânia. “As obras agora estão concentradas no bairro Educandos, onde a reforma de cinco abrigos, entre eles, dois na avenida Leopoldo Peres, um na Presidente Kennedy, e outro na rua Rio Negro  está em andamento”.

Na Betânia, segundo a Seminf, dois abrigos da rua São Benedito e um na avenida Adalberto Vale receberam novas estruturas metálicas em substituição as antigas. Os serviços de reparo, executados por meio da própria pasta, incluíram ainda novas soldas para reforço dos pilares, troca de telhas, iluminação, pintura, piso e colocação de assentos.

A Seminf destacou ainda que todas as zonas da cidade serão contempladas com a reforma dos abrigos, seguindo o cronograma de obras. O prazo de vigência do trabalho  é de 120 dias. Já sobre os 200 abrigos novos, o projeto elaborado pela SMTU está na Seminf para ajustes na composição de custos e, posteriormente, ser licitado.

O investimento para a reforma dos 500 abrigos gira em torno de R$ 1,11 milhão (primeiro lote), R$ 1,26 milhão (segundo), R$ 1,09 milhão (terceiro), e R$ 1,23 milhão (quarto).

Dona de casa solicita mais abrigos

A dona de casa, Ellen Ruiz Lopes, 33, também é outra que sofre para esperar o ônibus, uma vez que fica exposta diretamente ao sol. Segundo ela, a saída é os órgãos públicos competentes construir abrigos nos locais onde não tem.

“A maioria das paradas de ônibus não tem abrigo. Quem tem guarda-sol se protege com ele e quem não tem fica no sol até o horário que o ônibus passa. O ruim é que na maioria das vezes o ônibus demora a passar”, afirmou.

Em uma parada de ônibus situada na praça Santos Dumont, próximo à passagem de nível da avenida Djalma Batista, o problema não é a falta de abrigo, mas sim, de cobertura da estrutura de proteção.

É que funcionários da Prefeitura de Manaus retiraram o telhado na última terça-feira  e até hoje não colocaram outro no lugar para amenizar o calor de quem fica na espera. “Tiraram tudo em 15 minutos, mas não vieram cobrir com a mesma agilidade”, revelou a microempresária Rosângela Alves de Almeida, 30.

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