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Manaus
Transporte público

Usuários que utilizam o Cartão Cidadão nos ônibus relatam dificuldades

O problema é que mesmo sendo utilizado por apenas 40% dos usuários, o sistema não dá conta da demanda, deixando muita gente sem alternativa que não seja o pagamento da tarifa em dinheiro 06/12/2016 às 09:53 - Atualizado em 06/12/2016 às 10:10
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Usuários de ônibus que utilizam o Cartão Cidadão disseram que os pontos de recarga sempre apresentam problemas. (Foto: Aguilar Abecassis)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Apesar de motivada pelo aumento da segurança no transporte coletivo, o veto ao pagamento das passagens de ônibus em dinheiro, em face da ampliação do sistema de bilhetagem eletrônica atual, vem preocupando usuários do sistema público de transporte de passageiros na capital. 

O problema, segundo quem usa o Cartão Cidadão - conhecido como PassaFácil -, é que mesmo sendo utilizado por apenas 40% dos usuários, o sistema não dá conta da demanda, deixando muita gente sem alternativa que não seja o pagamento da tarifa em dinheiro.

Hoje, quem tem ou utiliza o Cartão Cidadão sem ter vínculo empregatício precisa se deslocar até um dos 20 pontos de recarga de bilhetagem do Sindicato das Empresas de Transporte de Manaus (Sinetram) para comprar os créditos.

De acordo com o próprio sindicato, esses postos de recarga se encontram dentro dos terminais de integração 3, 4 e 5, além da própria sede do Sinetram, localizada ao lado do terminal de integração da Constantino Nery, o T2. O problema, apontam usuários, começa no horário de funcionamento: eles só atendem o público de segunda a sexta, das 7h às 19h. Os demais postos ficam dentro das unidade de Pronto Atendimento ao Cidadão (PACs), que por sua vez funcionam desegunda a sexta, das 8h às 17h. Ou seja, de segunda a sexta, antes das 7h ou depois das 19h não é possível fazer recarga nesses pontos, assim como nos finais de semana. 

Tiro pela culatra

A pensionista Conceição Cortez retirou recente o Cartão Cidadão para evitar pagar quatro e até cinco passagem por dia, mas a ideia não deu muito certo, contou ela. “Quando fui colocar crédito no PAC do Parque 10, me informaram que só era efetuada a recarga nos terminais de ônibus. No Centro, também procurei o PAC da galeria Espírito Santo, mas também informaram que não realizavam o procedimento lá. Fui ao terminal 2 e também não faziam a recarga, então desisti. Morei em outras cidades, como Curitiba, e lá o sistema funciona: a pessoa consegue fazer a recarga até nas bancas de revistas, enquanto em Manaus é cheio de burocracia”, criticou.

Para Conceição, a proposta de acabar com a circulação de dinheiro nos ônibus pode ocasionar transtornos à população se não for acompanhada de uma grande melhoria no sistema de bilhetagem. “Se tiver toda essa dificuldade para encontrar um posto de recarga funcionando, a mudança só vai acarretar mais problemas aos usuários”.

Estudantes reclamam do serviço

Quem depende do vale estudantil para estudar também reclama das dificuldades para recarregar o cartão. É o caso do universitário Gabriel Santos da Silva, 19, que frequenta duas universidades e, por não ter conseguido recarregar o cartão, já teve que descer do ônibus e pedir dinheiro emprestado de colegas para  não perder aula.

“Tinha esquecido o dinheiro em casa e não tinha nenhum lugar perto onde pudesse fazer a recarga. Resultado: tive que descer do ônibus e pedir dinheiro emprestado para não perder aula”. 

Para ele, tirar o dinheiro de circulação nos ônibus só vai funcionar se o sistema de recarga for totalmente remodelado. “Caso contrário, vai apenas complicar ainda mais a nossa situação”.

Burocracia no site

Para comprar créditos por meio de site do Sinetram, o usuário precisa, primeiro, enfrentar uma certa burocracia. Ele precisa ter uma conta de e-mail e fornecer dados pessoais, como identidade e CPF, além de endereço e CEP, informações que um turista, por exemplo, pode não ter “à mão”. 

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