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Manaus
INSATISFAÇÃO

Usuários reclamam de infraestrutura e do preço para entrada no Porto de Manaus

Taxa que cada pessoa paga para poder entrar no Roadway varia entre R$ 5 e R$ 20. Governo afirma ter projeto para revitalização do espaço a ajuste nas taxas 25/05/2018 às 03:29
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Ponte que dá acesso à balsa por veículos não tem mais asfalto. Foto: Jair Araújo
Silane Souza Manaus (AM)

Conforto, segurança e uma gama de serviços são coisas que fazem falta no Porto Organizado de Manaus (Roadway), de acordo com os usuários. As más condições de infraestrutura, observadas especialmente na ponte que dá acesso à balsa de embarque e desembarque, além da alta taxa cobrada pela empresa concessionária para a pessoa entrar no local, que deveria ser um dos cartões postais da cidade, também são motivo de reclamação e insatisfação.

A cozinheira Maria Francisca de Jesus, 54, diz que o porto não tem nenhuma atratividade e a pessoa ainda paga caro para entrar. “Até para buscar uma encomenda é necessário desembolsar no mínimo R$ 5. Ninguém entra se não comprar uma passagem, o que é um absurdo. Cinco reais é o valor da viagem do Roadway para o Cacau-Pirêra. Para onde vai esse dinheiro? Não é para melhoria do porto porque ele está com uma estrutura precária”, afirmou.

Para quem transita de carro a situação é mais dispendiosa. A pessoa tem que pagar R$ 20 para entrar no porto e ainda enfrenta problemas para chegar à balsa de embarque e desembarque devido aos buracos e falhas da pista. A ponte por onde os veículos trafegam tem vários trechos com asfalto desgastado e as ferragens à mostra. Um perigo na opinião dos condutores, principalmente quando chove, haja vista que os buracos ficam com água empossada.

O motorista de táxi-frete Edmundo Costa dos Santos, 60, conta que as mudanças ocorridas no porto não trouxeram melhorias. Há dez anos, conforme ele, quando começou a trabalhar no ramo, o preço cobrado para o táxi-frete entrar no local era R$ 5, hoje é R$ 18. “É muito caro. Se a gente entrar dez vezes, indo pegar passageiro ou não, temos que pagar R$ 18 em cada uma delas. Às vezes ficamos no prejuízo. Essa taxa deveria ser revista”.

Para a estudante Paula Teixeira, 27, o porto não está à altura da cidade. É carente de infraestrutura e de serviços. “Estamos na área mais rica e bela da cidade: o Centro Histórico, além disso, ainda tem o rio Negro, que por si só já é uma atração belíssima, mas o porto não tem nada para atrair as pessoas, nem sequer um lanche, e o pior é que para entrar ainda é preciso pagar. Isso é triste, pois esse local tem tudo para ser um ponto turístico maravilhoso”.


Balsas estão com aspecto ruim, sem pinturas e com partes de metal enferrujadas. Foto: Jair Araújo

Em junho de 2014, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) entregou as novas instalações do Porto de Manaus que foram reformadas pelo órgão em função dos jogos da Copa do Mundo. Na época, foram investidos cerca de R$ 15 milhões, com a entrega da Praça dos Ingleses e novas instalações sanitárias, incluindo estrutura especial para deficientes.

O restante das obras, que incluía recuperação das estruturas dos dois flutuantes, recuperação das pontes, construção de passarela climatizada e construção de 100 metros de flutuante no cais do Roadway que seria concluído até 2015, não saiu do papel.

SNPH promete revitalização e ajuste nas taxas cobradas

O titular da Superintendência Estadual de Navegação, Portos e Hidrovias (SNPH), Francisco da Jornada, reconhece que a situação do porto não é uma das melhores, mas garante que em breve será lançado um projeto para revitalização do espaço a ajuste nas taxas.  A proposta é do Governo do Amazonas, que retomou a administração portuária do local após a extinção da Companhia de Docas do Maranhão (Codomar).

De acordo com Francisco Jornada, a SNPH aguarda o convênio de delegação que está sendo preparado pela Secretaria Nacional de Portos do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil para poder dar início ao projeto que pretende tornar o porto em um ponto turístico, com unidades de Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC), casa lotérica, supermercado, restaurantes, entre outros serviços, além de recuperação das pontes metálicas e demais espaços.

As ações devem ser executadas em parceria com a empresa concessionária do local. “Estamos finalizando o projeto para quando recebermos o convênio. Creio que até o próximo feriado, iniciar os trabalhos. O porto vai virar um ponto turístico, onde turistas e moradores de Manaus poderão passear e aproveitar os serviços que serão oferecidos no local”, disse Jornada.

Privatização no TCU

Nessa quinta-feira (24), o plenário do Tribunal de Contas da União (TCU)  apreciou um relatório de 2006 do ministro Augusto Cavacalti Sherman sobre o processo envolvendo irregularidades na privatização do porto em 2002. O processo (TC-007.582/2002-1) tramita há 16 anos naquele tribunal. Mas, a única decisão que os ministros tomaram ontem foi de reconhecer que dois dos multados no processo por irregularidades pagaram os valores, que totalizam R$ 15 mil.

1899

Ano em que foi aberta a concorrência para a construção do porto, que só começou em 1902, sob o contrato com a firma inglesa Manaós Harbour Limited.

Resquícios do auge da borracha

A implantação do Porto de Manaus pelos ingleses significou para a sociedade do início do século XX, um movimento de modernidade, que somado ao auge da borracha, ergueu um poderoso comércio em Manaus. O balanço das atividades econômicas desenvolvidas na área portuária pontuava a vida dos manauaras, tornando o local ponto de encontros, onde famílias inteiras passeavam nos fins de semana e se deslumbravam com as chegadas e saídas de navios, festejado e grande acontecimento da época.

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