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Manaus
Saúde

Vacinação é a melhor forma de prevenir doenças que já tinham sido erradicadas

Após surto de sarampo e alerta de risco de poliomielite, Susam reforça importância da imunização, que teve queda de cobertura após as erradicações 21/06/2018 às 06:00
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Vacinar os filhos é obrigatório e as vacinas estão disponíveis na rede de saúde. Foto: Susam/divulgação
acritica.com Manaus (AM)

O que define o risco de uma doença imunoprevenível, que pode ser evitada com o uso de vacinas – como sarampo e poliomielite –, voltar a aparecer em uma região onde há muito tempo não se tinha registro de ocorrência dela, é a cobertura vacinal da população. Quanto mais pessoas vacinadas, menor o risco de disseminação da doença. A decisão de se vacinar é pessoal, mas a consequência desse ato atinge toda a comunidade. Quem explica é o médico infectologista Antônio Magela, diretor de Assistência Médica da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

De acordo com ele, no caso do sarampo e poliomielite, que voltaram a preocupar as autoridades de saúde, a cobertura vacinal no País está abaixo do que é recomendado pelo Ministério da Saúde (MS), que é a imunização de 95% da população. De sarampo, hoje, é 80% e de poliomielite 77%. No Amazonas não é diferente. A cobertura para sarampo é de 79,4% e para pólio 70,7%. Até por conta disso, a nova administração da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), que assumiu em outubro de 2017, vem trabalhando junto às secretarias municipais de saúde, que cuidam da vacinação, para que a programação de imunização contra essas doenças seja intensificada. 

Mesmo não tendo sido confirmado o caso de poliomielite na Venezuela (o que foi anunciado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, após a divulgação de casos no país vizinho, no dia 7 deste mês, pela Sociedade Venezuelana de Saúde Pública), a Susam diz que o alerta permanece e é preciso alcançar a meta do MS, reforçando a orientação para que os pais procurem atualizar o calendário de vacinação dos filhos. “Isso vai mantê-los seguros”, afirmou Antônio Magela.

Segundo o infectologista, as pessoas se acomodam quando não há mais registro de determinada doença, no local onde moram, e acabam não indo aos postos de vacinação para se proteger e também não levam os filhos, ficando, portanto, vulneráveis à reintrodução dos vírus. “O risco maior é não se vacinar. Se a pessoa não quer se vacinar por medo de se expor ao vírus atenuado (vivo, mas enfraquecido), acaba se expondo ao vírus selvagem, que é muito mais grave”, alertou.

Ele explica que o sarampo e a pólio são doenças infecto-contagiosas, com alto grau transmissível, porém imunopreveníveis. Magela ressaltou que a população conhece e conta com a principal ferramenta que a protege – as vacinas –, que estão disponíveis em todas as unidades da rede básica de saúde. “É preciso se conscientizar do risco que essas doenças causam”, afirmou.

De acordo com o diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), Bernardino Albuquerque, o sarampo não ocorria no Estado há 18 anos, e a pólio não é registrada há quase 30 anos. Talvez por isso, diz ele, ao longo desses anos, a cobertura vacinal contra essas doenças veio caindo.

Albuquerque cita o exemplo da febre amarela que, por sua ocorrência ter ficado restrita a Amazônia, nas demais regiões do Brasil, apesar da imunização ser disponível no calendário oficial, o interesse da população em se vacinar só foi registrado após a notificação dos casos da doença, o que acabou contribuindo para o surto no Sudeste do País, em 2016 e 2017. “Sabiamente, a doença encontrou uma população suscetível e aconteceu o que vimos. A febre amarela se espalhou por vários Estados, a partir do Sudeste”, disse.

Obrigação dos pais

Vacinar os filhos é obrigatório. Além de serem multados em até 20 salários, conforme determina o art. 14, Parágrafo 1º e art. 249 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os pais ou responsáveis também podem ser responsabilizados por negligência caso a criança venha a ser vitimada pela doença da qual não tiver sido imunizada.
Esquema de vacina 

Doses 
 
Para a pólio, o esquema vacinal vigente é de uma dose da Vacina Inativada Poliomielite (VIP) aos 2, 4 e 6 meses de vida, e uma dose da Vacina Oral Poliomielite (VOP) aos 15 meses e aos 4 anos. Para o sarampo, é de uma dose da vacina tríplice viral aos 12 meses e uma dose da tetra viral aos 15 meses de idade. Ambas as vacinas estão disponíveis na rede de atenção básica de saúde da capital e do interior, de forma rotineira, durante o ano todo.

Na Venezuela

Testes realizados pelo laboratório global especializado em sequenciamento genético descartaram a presença tanto do poliovírus selvagem quanto do poliovírus derivado da vacina (VDPV) em um caso de paralisia flácida, na Venezuela. O VDPV é um vírus Sabin com mutações genéticas que lhe conferem a capacidade de produzir a doença. Não há risco de disseminação para a comunidade ou surtos de poliomielite neste caso, segundo a Susam.

Contudo, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) pede que os países mantenham uma forte vigilância, juntamente com uma alta cobertura de vacinação contra a poliomielite em todas as comunidades, a fim de minimizar o risco e as consequências de qualquer eventual reintrodução ou reaparecimento do poliovírus.
 

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