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Manaus
MERCADO IMOBILIÁRIO

'Vai faltar imóvel em Manaus', afirma coordenador de pesquisa sobre mercado

Censo divulgado pelo Sinduscon-AM nesta terça-feira (28) revela que Manaus é uma das capitais com mais baixo estoque de imóveis novos, o que deve levar a uma escassez do produto no início de 2017 29/06/2016 às 12:14 - Atualizado em 29/06/2016 às 18:25
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O ápice dos lançamentos de empreendimentos residenciais foi nos anos de 2011 (22,1%), 2012 (12,6%) e 2013 (12,6%, tendo caído para 3,2% em 2014 (Foto: Clóvis Miranda)
Lucas Jardim Manaus (AM)

A hora é de comprar imóveis em Manaus, pois vai faltar em 2017. Essa é a principal conclusão apontada pelo censo do mercado imobiliário manauara entre os anos de 2010 e 2016, divulgado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM) em um evento na manhã de ontem.

A escassez de imóveis de estoque é dada como a principal causa para uma futura redução na oferta no mercado, que precisará de algum tempo para suprir de forma adequada - período de tempo durante o qual os preços deverão subir.

“Como nosso ciclo de construção é de 36 a 40 meses, nós podemos afirmar que, daqui a pouco, vai faltar imóvel, talvez ainda não este ano, mas no ano que vem, com certeza”, disse Marco Bolognese, presidente da comissão da indústria imobiliária do Sinduscon-AM, que contratou a pesquisa.

Atualmente, Manaus conta com 14,5% de estoque, um número bem abaixo de outras capitais do Brasil como Curitiba (28%), São Paulo (25%) e Porto Alegre (22%). “Nós temos 14,5% de tudo o que foi lançado, tanto de imóveis prontos quanto em construção, e de todas as tipologias, do AA ao ‘Minha Casa, Minha Vida’. Esse número é relevante, porque a gente ouve dizer que o estoque está grande e que tem muito imóvel, mas isso não é uma verdade absoluta”, explicou Marco. O ápice dos lançamentos de empreendimentos residenciais foi nos anos de 2011 (22,1%), 2012 (12,6%) e 2013 (12,6%, tendo caído para 3,2% em 2014.

Crescimento vegetativo

Marco também comentou que a pesquisa lhe deu um dado surpreendentemente e novo relacionado à demanda manauara. “Descobrimos que Manaus tem um crescimento vegetativo por necessidade de novos imóveis de cerca de 4% ao ano. Isso quer dizer que a gente precisa de 20 mil novos imóveis todos os anos, de todas as tipologias, e a gente produz bem menos que isso. Tudo bem que estamos vindo de um cenário de recessão econômica, mas em 2015 não lançamos nem mil unidades. É uma diferença muito grande”, comentou.

Apesar dessa disparidade, ele mantém que ainda há imóveis prontos (ou quase finalizados) disponíveis, em preços competitivos, representando uma boa oportunidade para os interessados.

Manaus em destaque

O economista Fábio Araújo, um dos sócios diretores da Brain, empresa curitibana de consultoria que realizou o estudo, destacou que nenhuma cidade com mais de um milhão e meio de habitantes no Brasil tem um valor tão baixo nesse indicativo.

Ele atribuiu isso ao fato da crise ter atingido Manaus antes, largamente devido a perda de competitividade do Brasil no mercado internacional e o subsequente impacto na indústria, bem como a saída de muitas empresas de capital aberto presentes na cidade.

Ele destacou ainda que, com o volume de lançamentos em 2014 e 2015 é incompatível com o tamanho da cidade, o que o surpreendeu. “Só não faltou imóvel no período porque o que havia antes foi consumido”, informou o economista.

Marco Bolognese, do Sinduscon, informou que já há previsão de novos empreendimentos para o segundo semestre do ano. “Há a expectativa de pelo menos três: um de ‘Minha Casa, Minha Vida’, um para o segmento econômico e um condomínio de lotes. Vai ser bem variado e acredito que isso já demonstra o início da saída da crise“, disse.

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