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Manaus
DOAÇÃO DE SANGUE

'Vampirão' vai estar nas ruas de Manaus para reforçar estoque de sangue no Carnaval

Os excessos da folia acabam abastecendo de vítimas as unidades de saúde e levando os bancos de sangue de Manaus a necessitar do dobro de seus estoques. Campanha na capital começa dia 2 24/01/2018 às 23:22
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Foto: Divulgação
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Infelizmente, Carnaval não significa somente alegria. Os excessos da folia acabam abastecendo de vítimas as unidades de saúde e, consequentemente, levando os bancos de sangue de Manaus a necessitar do dobro seus estoques. Para evitar um colapso no sistema, a Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHemoam) já iniciou a ampliação de sua campanha de coleta, começando pelo interior. 

Durante toda essa quarta-feira (24), o “Vampirão”, unidade móvel de coleta, esteve em Itacoatiara (a 175 quilômetros de Manaus) e dia 31 estará em Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus).

“Na Região Metropolitana, a gente chega antes, faz uma grande campanha de conscientização até com curso de multiplicador, para mostrar à importância da doação e depois fazemos a coleta. Começamos por Itacoatiara e Manacapuru depois vamos para outros municípios”, destacou a assistente social Eleonora de Alencar Araújo, sub-gerente de coleta externa da fundação.

Ela anunciou que a abertura oficial da campanha voltada para o período de Carnaval será dia 2 de fevereiro, no Studio 5, na Zona Sul de Manaus. Nos dias seguintes, até a sexta-feira (9), a unidade móvel estará em mais cinco locais, dentre eles a Igreja Universal, com a participação das demais denominações, Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz) e na empresa Recofarma, dentre outras.

De acordo com a sub-gerente, a grande preocupação é manter o estoque diário de mil bolsas de sangue (cada uma com cerca de meio litro), além das que são distribuídas diariamente às unidades de saúde da rede pública e da privada tanto da capital quanto do interior.

Entretanto, a situação é bem melhor que a enfrentada no mesmo período do ano passado e até mesmo nos primeiros dias de 2018, conforme mostrou reportagem do Portal A Crítica publicada no último dia 8. 

“Já temos mais de setecentas bolsas e acredito que nos próximos dias alcançaremos a meta de um mil. É um trabalho diário. Todas as terças e quintas abastecemos os mini-estoques dos hospitais de Manaus”, informou Eleonora Araújo.

Dos mais de 400 mil doadores cadastrados, apenas 3% doam sangue regularmente. Mas, as “formiguinhas” da FHemoam não desistem. Além do uso da mídia, ao longo do ano, a fundação desenvolve campanhas nas indústrias, igrejas, instituições civis e militares, além de convocações por telefone.

Coleta na Ana Braga

Os grupos sanguíneos mais difíceis de conseguir são os de fator Rh negativo (A, B, AB e O). Além da unidade móvel e da FHemoam, as coletas podem ser feitas na maternidade Ana Braga, que fica localizada na Alameda Cosme Ferreira, na Zona Leste de Manaus, e  funciona das 8h às 13h.

Prazer em ajudar o próximo é estímulo

Os marinheiros Jackson Reis, 19, João Henrique Gonçalves, 20,  fizeram  suas “estreias” como doadores, na última terça-feira, e estavam felizes no centro de coleta da FHemoam. “Como a gente é jovem e tem saúde, por que não ajudar quem está precisando?”, disse o militar da Marinha do Brasil.

Já autônomo Rainey Rodrigues, 30, é voluntário há dois anos, e  também levou a namorada para praticar a boa ação. “Eu me sinto bem porque quem sabe amanhã não vai ser eu que vou precisar”, disse Rodrigues.

O sargento do Exército Raimundo Rocha, 49, não é daqueles que esperam ser chamados ou serem obrigados pela instituição a ajudar quem precisa de sangue. Para ele, a doação já se tornou um ato rotineiro e ao mesmo tempo prazeroso, afinal ele já emplacou 30 anos como doador.

“Mesmo que não me convoque eu venho espontaneamente, de seis em seis meses, e me sinto muito bem em ajudar ao próximo. Faço a minha parte”, ressaltou o sargento.

Há 12 anos, a assistente social Suely Menezes, 32, decidiu fazer o mesmo que o militar: tornou-se doadora contumaz. “Fui atraída pelas campanhas que o Hemoam faz  regularmente na minha igreja e resolvi assumir a condição de doadora permanente”, revelou Suely Menezes.

Além dos doadores espontâneos  frutos das campanhas da fundação nas mídias, a FHemoam mantém campanhas em empresas e instituições, como o Exército. Só no Centro de Embarcações do Comando Militar da Amazônia  (CECMA), que fica na 12ª Região do Comando Militar da Amazônia (CMA), foram cadastrados 22 mil candidatos a doador, que poderão ser chamados a qualquer momento.

Impedimentos

- Quem fez tatuagem só pode doar sangue 365 dias depois;

- O mesmo tempo é para quem se submeteu a alguma cirurgia;

- Quem já contraiu hepatite, nunca poderá ser um doador;

- Quem fez viagens a estados distantes ou a outros países só pode doar 30 dias após o retorno;

- Ter menos de 18 anos de idade (sem autorização dos pais) e mais de 69 anos;

- Ter ingerido bebida alcoólica nas últimas 12 horas anteriores à doação;

- Estiver com hipertensão ou hipotensão arterial no momento da doação;

- 30% dos cadastrados pela FHemoam, que estão impedidos de doar por estarem com anemia.

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