Quinta-feira, 04 de Junho de 2020
PROPOSTA

Vanessa busca unificar a oposição contra o governo Bolsonaro

A ex-senadora, e atual pré-candidata à Prefeitura de Manaus, diz que o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) visa formar uma frente ampla



VANESSA_7AE7C318-32A0-43F4-A13D-79CF94C02E7C.JPG Vanessa afirma que o seu partido o PCdoB está aberto ao diálogo e busca a unidade para vencer a direita Foto: Euzivaldo Queiroz
15/03/2020 às 11:45

Unificar o campo progressista e de oposição ao governo Bolsonaro na capital amazonense. Este é o objetivo do PCdoB com o anúncio recente da disponibilidade do nome da ex-senadora Vanessa Grazziotin, 58, como pré-candidata à Prefeitura de Manaus.

“O partido disponibilizou o meu nome para por no conjunto dos partidos e apenas para isso. Se meu nome não for o que aglutina todos, o partido também está disposto a se manter na frente partidária caso haja um outro nome de um outro partido que promova essa unidade”, explicou Vanessa em entrevista exclusiva concedida à reportagem.



Os interessados em disputar as eleições de 2020 têm até o dia 3 de abril para estar filiados a um partido. O período conhecido como Janela Partidária é um momento de reposicionamento dos candidatos.

Frente dividida

A intenção do PCdoB é formar uma frente ampla, puxada por forças progressistas e democráticas. Apesar da tentativa do partido, outros nomes já se mostram lançando candidaturas independentes, fora da frente. Como é o caso do Partido dos Trabalhadores (PT) que tem os deputados Sinésio Campos e José Ricardo como pré-candidatos a prefeito de Manaus.

“A gente está vendo partidos políticos, que até então participavam de conversas, tomando decisões unilaterais, anunciando decisões. Se de fato isso se confirmar, fora dessa frente nós teremos um candidato, mas este candidato não serei eu”, afirmou a ex-senadora. “De nossa parte defendemos a bandeira da unidade. Vivemos um momento de investida das forças retrógradas, um momento de avanço de obscurantismo. Estamos retrocedendo em tudo: no campo das  ideias, no campo da cultura e no campo da ciência”, disse a ex-senadora.

Cenário conservador 

Vanessa acredita que a onda de conservadorismo vivida no Brasil e no mundo afeta as candidaturas progressistas de uma maneira geral, não só a dela. “Além de ser reacionário e retrógrado, esse cenário é esquisito, porque a gente não sabe de onde as coisas vêm. Os instrumentos que essas forças políticas usam aqui no Brasil são sofisticados, poderosos e caros. Eles induzem as pessoas espalhando mentiras em relação à oposição”, afirmou. 

Ela acredita que a oposição só tem chances de vencer as eleições se permanecer  unida. “Se sair todo mundo dividido, eu temo que nem para o segundo turno a gente vá”, afirmou.

Representatividade 

“O momento de retrocesso que a gente vive não é só no campo político, é no campo dos costumes”, ponderou a ex-senadora sobre a questão das candidaturas femininas no contexto conservador.Para ela, mulheres sofrem mais porque além dos embates das ideias, tem uma questão de gênero.

Vanessa relembrou o caso em que foi agredida pelo advogado Paulo Henrique da Rocha Louris Demchuk, à época do impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff. “Isso mostra como pessoas que estão na direção dessas coisas são pessoas desequilibradas. Não foi só a mim que ele agrediu e isso é um perigo”, disse.  A ex-senadora também lamentou o retrocesso da representação feminina do Estado do Amazonas em relação à União, no Senado e no Congresso Nacional. “Eu olho aquela bancada e me dá uma tristeza profunda, porque a metade da nossa gente não está nessa fotografia. Essa metade somos nós, as mulheres”.

Para Vanessa as pessoas que estão hoje no poder não se importam com os problemas das mulheres. Apesar disso, há uma nova geração que traz esperança. “A gente tem uma nova geração aí bastante consciente. Pessoas que vêm daquela camada da sociedade que foi incluída no processo social por meio de políticas públicas”, concluiu.

Repórter de A Crítica

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