Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
POLUIÇÃO

Vazante do rio Negro revela cenário de lixo e preocupa moradores da orla do Educandos

Segundo a Semulsp, todos os dias cerca 22 toneladas de lixo são retiradas da orla do bairro Educandos, localizado na Zona Sul de Manaus



24/09/2017 às 19:03

Quando o nível do rio Negro começa a baixar, o cenário na orla do bairro Educandos, na Zona Sul da capital, também se transforma. Um “rio de lixo” toma conta de quase toda a extensão da área, revelando uma sujeira que passou meses “escondida” sob as águas. Todos os dias cerca de 22 toneladas de lixo são retiradas dali, segundo a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp).

Não bastasse o lixo que se acumula ao longo dos anos, a orla do Educandos ainda recebe as águas poluídas do igarapé do 40, que recebe o lixo de vários bairros da capital. Do começo ao fim da orla, é possível encontrar diversos objetos, como garrafas plásticas, pedaços de madeira, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, roupas e até entulhos de estaleiros e embarcações. No entanto, segundo o administrador Paulo Reis, 45, o maior perigo é invisível: ele contou que algumas fábricas do Distrito Industrial despejam até mesmo metais pesados no rio, como bário, chumbo e arsênio.

“Muitas vezes os donos das fábricas não sabem, mas quase toda a rede de esgoto do polo industrial, que foi construída há mais de 50 anos, deságua no rio Negro. Por isso, além da sujeira, existem componentes químicos nocivos à saúde de quem mora por aqui”, disse.

Aos 62 anos, o aposentado Francisco Mota Filho vive no Educandos desde que casou com a costureira Milena Mota Silva, 65, há 38 anos. De lá para cá, o lixo mudou bastante o cenário. O casal, que construiu a própria casa na orla quando ela ainda não estava poluída como hoje, cobra do poder público projetos de revitalização do local. 

“Desde a ‘entrada da cidade’, na orla do ‘Amarelinho’, até o porto da Manaus Moderna, tudo está em péssimas condições. O prefeito começou um projeto no Centro para revitalizar a Manaus Moderna, mas eu não vi grandes mudanças”, explicou Francisco.  “Que bela maneira de dar boas vindas para quem chega, não é? O turismo poderia ser muito bem aproveitado se houvessem políticas públicas que, de fato, resolvam o problema, com uma força-tarefa de todos os órgãos para dar uma nova vida para o que hoje é só lixo”, completou Milena.

Destroços

Além do lixo, outro problema grave encontrado na orla do Educandos é que o local virou um “cemitério” de casas flutuantes e embarcações abandonadas. São lanchas, motos aquáticas, balsas, rebocadores, todos abandonados há pelo menos cinco anos. Para o bancário João Mendes, 34, a culpa é da própria população. “Eu já vi diversas vezes pessoas jogando sofás, geladeiras, berços, entulhos e até peças de carro nesse igarapé. É muito triste saber que o manauara ‘tá’ precisando de boas maneiras. Os próprios moradores do bairro não respeitam a natureza”, denunciou.

A Semulsp informou que continua o trabalho de limpeza parcial da área do Educandos, com duas escavadeiras e material de varrição e limpeza.

Quem viu o ‘antes’ se espanta

Aos 74 anos, o empresário Mário Silva viu o Educandos se transformar de ‘paraíso popular’ para ‘lixeira coletiva’.

 Ele contou que se divertia com a família, tomando banho de rio em frente à casa onde mora há 60 anos. Com o passar dos anos, o desenvolvimento das indústrias e a chegada de pessoas carentes, vindas do interior do Estado, resultaram em um ‘boom’ que ele não esperava. “O que eu achava ser o lugar perfeito, se tornou um inferno”, criticou.

Mário também reclamou da falta de segurança do bairro. “O tráfico por aqui também é feito pelos igarapés e ninguém faz nada”, denunciou.

Receba Novidades

* campo obrigatório

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.