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Manaus
Descida das águas

Vazante de rios amazônicos faz surgir praias para a felicidade de banhistas

Fenômeno da “descida” de rios como o Negro forma praias que viram opção de lazer para moradores de Manaus 17/09/2016 às 19:09 - Atualizado em 18/09/2016 às 10:49
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Banhistas brincam na praia da cabeceira da Ponte Rio Negro (Fotos: Clóvis Miranda)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

O fenômeno das vazantes nos rios amazônicos está fazendo a alegria de banhistas que vêem, com o aparecimento das praias, a oportunidade de desfrutar de mais uma opção de lazer. Um desses locais bastante procurados é a área de cabeceira da Ponte Rio Negro, sentido Cacau-Pirêra, que recebe vários moradores oriundos principalmente de Manaus, conforme constatou a reportagem, para se banhar, se divertir nas quadras improvisadas de areia ou, de quebra, faturar um dinheiro extra.

Uma das praias mais famosas é conhecida por até três nomes: praia do Amor, da Ponte e do Cacau. São dessas três formas que os banhistas das vazantes se referem a uma das mais frequentadas delas. Em um domingo de clima ameno, um bom número deles estava na praia pra curtir os últimos momentos de folga antes da segunda-feira que lhes esperava. Coma a família do eletricista Paulo José, 35, onde um total de 25 pessoas se deleitava nas águas do rio Negro tranquilamente vindas do Japiim, na Zona Sul da capital.

“Essa é uma opção de lazer que fica próxima da cidade, com menos poluição, a água é legal e tem como armar as redes embaixo das árvores. Quanto à poluição, se formos falar do outro lado (praias da margem de Manaus) aqui está bem melhor. Por isso que escolhemos esse lugar aqui”, relatou ele, após ter comido um tambaqui assado.

Para o seu irmão, Lázaro Batista, a praia formada com a vazante é sinônimo de diversão e lazer dominical. “Quando chega o domingo nós ficamos naquela expectativa para sair de casa e vir pra cá. Aqui é tranquilo, dá pra trazer a família para se divertir”, destaca ele, que trabalha numa loja de materiais de construção e estava na praia do Amor pela primeira vez.
Em tom de brincadeira, os irmãos dizem que falta mais areia na praia, e que há muitas pedras. Outra coisa ausente em vários frequentadores é a consciência ambiental: é fácil verificar a existência de focos de lixo pela extensão do local (sacos e copos plásticos, por exemplo).

A alguns metros dalí avistamos Arleane Silva, 19, e sua família jogando vôlei de praia em uma área improvisada com paus, pedaços de pano e uma fita azul. O importante era brincar e aproveitar a tarde. Mas ela, mãe da pequena Brenda, de 1 ano de idade, sentiu falta de um salva-vidas no local.

“Nós já frequentamos aqui há cerca de 3 anos, mas nunca vimos sequer um salva-vidas para atuar em caso de uma emergência aqui na área. É preocupante”, disse a banhista, moradora da Compensa.

Antes do parto

A dona de casa Inene Cristina  moradora da Compensa, aproveitou que estava na praia da Ponte para fazer uma espécie de terapia antes do parto: ela entrou no 9º mês de gravidez. “Estou visitando a praia pela 1ª vez e está sendo como uma terapia. Apesar de haver muito barro, mas aqui é bacana”, conta ela.

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O pedreiro Ricardo Ferreira, 47, é o que podemos chamar de homem trabalhador. Morador do Nova Esperança, Zona Oeste, ele vem sempre às terças, quartas e quintas-feiras para a praia conhecida como do Amor, da Ponte ou do Cacau, vender bebidas e  salgadinhos de queijo. É o trabalho paralelo ao que faz nas obras da capital. O mais surpreendente é que ele vem empurrando o seu carrinho de mercadorias do bairro em que mora, passando pela ponte e levando, em média, até 1 hora  para chegar até a praia.

“Chego por volta de 11h30 aqui e fico até umas 18h, 18h30.  Chego ‘cedo’ porque o pessoal gosta de tirar a ressaca pela manhã”, comenta o trabalhador, que não reclama da maratona para chegar à praia, e tampouco do lucro que tem. “Quando dá gente dá pra comprar umas galinhas”, diz Ferreira, sem relevar sua “renda”.

Frase

"A população deve se conscientizar para produzir e levar seu lixo para onde haja coleta, porque isso fica pra mim, você e para todos que frequentam ese lugar”, disse Paulo José, 35, eletricista e frequentador da praia da Ponte.

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