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Manaus
DROGAS

Vecute nega pedido de liberdade provisória para jovens presos com drogas sintéticas

O bando foi preso no fim de semana e passou pela audiência de custódia onde a juíza plantonista Caren Aguiar decidiu transformar a prisão em flagrante em prisão preventiva 23/03/2016 às 10:47 - Atualizado em 27/03/2016 às 21:43
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Drogas eram vendidas em baladas e raves (Divulgação)
JOANA QUEIROZ MANAUS

A juíza da 1ª Vara Especializada em Combate, Uso e Tráfico de Entorpecentes (Vecute), Lídia Abreu, indeferiu o pedido de liberdade provisória dos integrantes do bando suspeito de abastecer com droga sintética, barcos e flutuantes onde acontecem as festas raves na área do Tarumã e em condomínios de luxo da Ponta Negra, impetrado pela defesa do grupo.

Na decisão, que teve o parecer favorável do Ministério Público Estadual (MPE), na última segunda-feira, a magistrada disse que entende que, pela natureza da infração e diante das circunstâncias do flagrante, a liberdade dos suspeitos atenta contra a ordem pública e põe em risco a segura aplicação da lei penal, exigindo-se o caso a manutenção da segregação cautelar deles.

Klinger de Paula Fortes, 27; Lucas Mateus de Souza Cruz, 18; Emanuel Vitor de Souza Vieira, 23; Rossana Késsia Pessoa da Silva, 32; Vinicius Gomes Clementino, 26; e Carlos Eduardo Gomes Pontes Filho foram presos em flagrante por policiais do Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) no dia 11 deste mês portando aproximadamente mil comprimidos de ecstasy e LSD, além de 15 quilos de skunk.

Ainda de acordo com a juíza, ela decidiu por indeferir o pedido de liberdade provisória de Klinger, Rossana, Carlos Eduardo, Lucas Matheus e Emanuel Victor, nos termos do artigo 312 do Código de Processo Penal (CPP).

De acordo como artigo 312, a prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria.

O bando foi preso no fim de semana e passou pela audiência de custódia onde a juíza plantonista Caren Aguiar decidiu transformar a prisão em flagrante em prisão preventiva. Até ontem, o MPE ainda não havia oferecido denúncia contra os suspeitos devido o inquérito policial não ter chegado à Justiça. A polícia tem 30 dias para concluir as investigações e mandar o inquérito à Justiça.

Conforme informações do titular Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), delegado Samir Freire, hoje, as drogas sintéticas podem ser encontradas em Manaus, em diversos lugares, como as academias, shoppings e principalmente nas festas frequentadas por jovens da alta sociedade.

São nas raves onde elas são mais consumidas. Em Manaus, as festas acontecem em áreas livres, sítios, chácaras, pista de arrancada e até em flutuantes. A polícia dificilmente consegue pôr a mão no fornecedor da drogas sintéticas.

Droga é produzida no exterior

O ex-superintendente da Polícia Federal, Mauro Spósito, diz que o consumo de droga sintética ainda é pequeno em Manaus, mas concorda com o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) de que o consumo vem crescendo. De acordo com ele, a droga é produzida no exterior e, na maioria das vezes, entra no Brasil por meio da Venezuela.

Mauro Spósito ressalta que as drogas sintéticas são usadas por jovens de alto poder aquisitivo. O preço de uma unidade pode chegar a R$ 40 e é consumida em boates e reves (festas com músicas eletrônicas que acontecem em sítios, na área rural).

Efeitos das drogas sintéticas

Diferente da maconha, da cocaína e do crack, as drogas sintéticas não causam dependência química, apenas alucinações, mas que também podem levar a morte. Uma pessoa sob o efeito delas pode pegar um carro, atropelar alguém ou causar a própria morte.

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