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#Vemprarua: Povo amazonense dá lição de cidadania em protesto

População de Manaus mostra que é possível manifestar sua indignação e cobrar mudança de forma pacífica e alegre 21/06/2013 às 09:02
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Até a "Tia da trufa" manifestou-se contra a corrupção
FLORÊNCIO MESQUITA ---

O Ato Nacional Contra o Aumento da Passagem II realizado nesta quinta-feira (20), em Manaus, foi marcado por uma maneira diferente de protesto. Enquanto nas demais capitais do País, as manifestações têm como base a indignação e até atos de violência, os cerca de 90 mil manifestantes manauaras que saíram do Centro, em direção à Arena da Amazônia, na Zona Centro-Oeste, mostraram o descontentamento com as injustiças do País de forma ordeira e festejando.

Ao contrário do grupo que promoveu vandalismo na Prefeitura de Manaus, na Zona Oeste, os manifestantes que seguiram até se dispersar na arena Amazônia foram acompanhados pela banda da Polícia Militar (PM) cantando o hino nacional e músicas que incentivam a mudança como “Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores”, de Geraldo Vandré. As milhares de vozes se juntaram aos metais da banda da PM e derem exemplo de civilidade. As ruas do Centro, bem como, dos bairros por onde passou a multidão, foram tomadas por um protesto alegre. Por onde passava, a multidão gritava “vem pra rua”, palavra de ordem que saiu das redes sociais para ser usada em todas as manifestações no Brasil.


Das janelas das casas, os moradores respondiam com acenos em apoio ao ato. Sem líder ou causa única, os manifestantes provaram nas ruas que é possível mostrar a insatisfação com a corrupção na política, baixos salários de professores, agentes de saúde e policiais, entre outros, sem depredar o patrimônio público ou entrar em confronto com a polícia. Muitas pessoas dançaram e outras cantaram. Cada cidadão e cidadã levou seu próprio cartaz, não para ferir ou agredir, mas com o objetivo de expor sua opinião e mostrar que não concorda com a má gestão dos recursos públicos e a péssima qualidade dos serviços prestados à população.

Apesar da maioria dos participantes ser jovem, muitas pessoas que fizeram acompanharam o movimento “Caras Pintadas”, em 1992, viram no manifesto de ontem, a chance de mudar mais uma vez o País. “É de arrepiar ouvir o hino nacional numa multidão nas ruas de Manaus. Acompanhei os ‘Cara Pintadas’, mas nunca vi algo assim. Esse manifesto é diferente. É emocionante ver que o povo, quando quer, pode mudar o País indo para as ruas e mostrando que não concorda com o que está ai”, disse o professor Ricardo Vasconcelos, 58.

Muitas pessoas levaram os filhos e netos para a manifestação como a psicóloga Lúcia Almeida, 29. Ela levou o filho de 3 anos para mostrar que desde cedo é preciso saber que o cidadão não pode aceitar tudo que os governos impõem. “Ensino meu filho que temos direitos e deveres. Que temos leis e voto e que devemos cobrar dos nossos governantes melhorias e que eles não podem trair o voto que receberam do povo. O Brasil está repleto de corrupção porque o povo se acomodou e parou de cobrar. Agora isso vai mudar”, disse.

Caminhada sem depredações

A multidão ocupou todos os espaços das ruas onde passou sem quebrar, pichar ou depredar lojas ou mobiliários urbanos. Na chegada à arena Amazônia, a multidão se concentrou no cruzamento das avenidas Constantino Nery e Pedro Teixeira. No trajeto percorrido, há várias lojas e estabelecimentos comerciais. Em algumas delas, os lojistas colocaram faixas brancas com as frases “Apoiamos vocês” ou “Chegou a horas de mudar. Vocês são a mudança”.

A democracia vista no início do ato se repetiu no encerramento. Duas Kombis utilizadas como carro de som foram palco para a manifestação popular. Quem quis expor suas reivindicações subiu no carro e discursou para todos. Professores, médicos, universitários, agentes de saúde e mães puderam, alguns pela primeira vez, falar para milhares de pessoas que entendiam o que estavam dizendo. Depois de quase cinco horas de protesto, o grupo se dispersou.

No final do ato, dezenas de motocicletas que acompanhavam os retardatários promoveram um buzinaço pelas ruas. Uma ambulância, além de viaturas do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, deram suporte ao ato. Nenhum incidente foi registrado pela PM durante a caminhada.

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