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#VemPraRua: Protestos que tomaram conta do País chegam a Manaus nesta quinta (20)

Edição manauense da mobilização pelo passe livre e de temas como o combate à corrupção promete reunir mais de 43 mil pessoas 19/06/2013 às 16:09
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Estudantes se reuniram nesta terça-feira na praça São Sebastião, no Centro, para confeccionar cartazes que serão usados no ato público
Rosiene Carvalho e Florêncio Mesquita ---

A onda de insatisfação popular contra o precário sistema de transporte público, a corrupção e a farra com o dinheiro do contribuinte chegou a Manaus e até, nesta terça-feira (18) à noite, segundo dados registrados nas redes sociais, contava com a adesão de pelo menos 43.117 pessoas. Durante todo o dia desta terça-feira, o assunto pautou as conversas nas ruas, nos ambientes virtuais e nos órgão públicos de Manaus e promete reunir os manifestantes na Praça da Matriz, Centro, a partir das 17h desta quinta-feira (20).

“A população finalmente acordou e está cansada de ser feita de fantoche. Está indo para as ruas. Estamos cansados do transporte público precário, dos terminais lotados, dos ônibus sucateados. Estamos acordando e indo buscar nossos direitos. Chega de passar por isso. Chega de sermos feitos de palhaços”, declarou o universitário Getúlio Cordeiro, 24 anos, que, nesta terça-feira, representou a organização do “Ato Nacional Contra o Aumento da Passagem II. Movimento Passe Livre Manaus” em reunião na Secretaria de Estado de Segurança (SSP).

A exemplo do que ocorreu  em outras capitais do País, a pauta dos manifestantes começou com o aumento da tarifa de transporte público - um problema social no Brasil que afeta todas as classes sociais - e foi ampliada para os atos dos poderes Legislativo e Executivo em desarmonia com a expectativa popular.

Para o vice-presidente do Instituto Amazônia de Cidadania (Iaci), Luiz Odilo, que participará da manifestação, a população chegou ao limite e está nas ruas para demonstrar sua insatisfação. “Eu acho que é importante e legítimo demonstrar que nós brasileiros não estamos acomodados. Não aprovamos a corrupção que quem está no poder promove. O povo quer respostas”, declarou.

Getúlio afirmou que também está na pauta da manifestação a cobrança por investimentos na Educação; contra a aprovação da PEC 37, a PEC da Impunidade, que retira o poder do Ministério Público de investigar, entre outros. Na página criada para o evento no Facebook, a cada momento a lista de reclamações aumentavam. As pessoas que aderiam ao movimento reclamavam contra os políticos, contra os serviços públicos e promoviam enquetes para que os demais participantes escolhessem os piores.

Outros pontos da onda de manifestações que estão tendo ressonância em Manaus são: a adesão de pessoas de diferentes classes sociais, rejeição a qualquer tipo de manifestação partidária e uma aclamação para que a manifestação seja pacífica. “A nossa orientação é que as pessoas não escondam os rostos e que levem suas indignações”, disse Getúlio.

Reunião para dividir tarefas

A manifestação foi decidida em assembleia, realizada na segunda-feira (17), as 17h30, na Praça da Heliodoro Balbi, no Centro. Líderes do “Movimento Pela Melhoria do Sistema Público de Transporte e Redução das Tarifas” elegeram quatro comissões para auxiliar o protesto (Segurança Jurídica, com acionamento de advogados, orientação em caso de prisões e de como se portar durante o ato; Comissão de Saúde para prestar apoio de primeiros socorros em caso de necessidade durante as passeatas; Comissão de Comunicação: logística de cartazes, palavras de ordem, elaboração de textos, disponibilização de informações à imprensa; Comissão de Organização responsável por todas as atribuições das outras comissões, além do setor de carro som, trajeto, articulação com outras organizações).

Primeiro evento teve tumulto

A mobilização que começou em protesto contra o valor da tarifa do transporte público e passou a reivindicar investimentos em educação e saúde, além de ética na política, será a segunda realizada em Manaus, em sete dias. Na quinta-feira da semana passada, aproximadamente cem pessoas entre estudantes secundaristas e universitários protestaram, no Terminal Integração 1, na avenida Constantino Nery, no Centro.

O ato terminou em tumulto e com oito manifestantes presos por dano ao patrimônio público. A Polícia Militar (PM) usou bombas de efeito moral, spray de pimenta e balas de borracha para dispersar o grupo que defendia a redução da tarifa de ônibus em Manaus e a melhoria do transporte coletivo. Alguns manifestantes ficaram feridos. O grupo detido foi encaminhado para o 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), na Praça 14.

‘Quem quer a paz se prepara para a guerra’

A manifestação programada para esta quinta-feira na cidade deve paralisar o trânsito no Centro da cidade e provocar um efeito cascata em todos os pontos de Manaus já que pela Praça da Matriz passa a maioria das linhas de ônibus. Outra consequência do ato será o fechamento do comércio no Centro às 16h, na quinta-feira.

A cúpula da Segurança Pública fará plantão no Ciops, no horário do evento, segundo o secretário de Estado de Segurança, Coronel Vital, para acompanhar o movimento pelas câmeras de monitoramento instaladas no Centro. Vital Melo disse que a orientação é que a polícia evite o confronto com os manifestantes, mas não assegurou o não uso de spray de pimenta e de balas de borracha. “Se você quer a paz tem que se preparar para a guerra. Não podemos ir para lá desprovidos”, declarou.

‘O povo cansou de escândalo’

O empresário Rafael Rezz é um dos que aderiram ao movimento em Manaus. Ele passou a compartilhar o convite nas redes sociais para mobilizar o maior número de pessoas e cedeu à própria empresa para que fossem confeccionados cartazes para a manifestação.

Ela acredita que houve grande adesão porque o “povo está cansado” de escândalos na política e da carência de melhoria de vida. Para Rafael, a manifestação é um instrumento para mostrar que o povo não aguenta mais ser prejudicado. “Não sou organizador, mas como cidadão acredito que é dever de todos descruzar os braços e lutar para mudar o que está errado. É hora de ir pra rua e mostrar que o transporte, saúde, educação e qualidade de vida do cidadão estão péssimos”, disse.

Para o cicloativista Keyce Jhones, a mobilização “é um exercício de cidadania”. Ele defende que é a chance da população expor as constantes indignações sobre os absurdos que ocorrem no País. “Eu sou um cidadão como qualquer um e vou me manifestar diante da falta de compromisso principalmente com a mobilidade urbana na cidade, pois sou um cicloativista e venho fazendo a defesa constante do uso da bicicleta como meio alternativo, mas defendo muito a melhoria e ampliação de infraestrutura e investimentos para o transporte coletivo”, disse.

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