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Venda de alimentos na rua ou de forma regular esconde ameaças graves à saúde, em Manaus

Banquinhas de churrasco em ruas de grande fluxo, peixes e peças de carne expostos para insetos e o despreparo de comerciantes no manuseio são apenas algumas irregularidades que podem colocar em risco a saúde do consumidor 23/01/2015 às 15:03
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Na rua Itaeté, que fica ao lado da feira do Mutirão, a higiene é mínima, mas os riscos à saúde estão por todo lado: peixes, frangos e peças de carne ficam expostos na calçada, prática totalmente irregular
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Quem percorre espaços da capital onde a venda de alimentos é realizada de forma intensa e indiscriminada acaba notando que muitos deles não oferecem condições sanitárias para instalar os produtos, e o pior: isso acaba não impedindo a venda. Banquinhas de churrasco em ruas de grande fluxo, peixes e peças de carne expostos para insetos e o despreparo de comerciantes no manuseio são apenas algumas irregularidades que podem colocar em risco a saúde do consumidor.

Na rua Itaeté, ao lado da Feira do Mutirão, no bairro Amazonino Mendes, Zona Leste, onde essa prática é diária, ela é até considerada comum para muitos. No local, vendedores descumprem todo tipo de norma sanitária e chegam a expor isso para quem deseja comprar. “Estou vendendo peixe e pegando no dinheiro”, gritou um comerciante para chamar a atenção dos clientes. Em uma banca de verduras, uma vendedora pegava cebolas e batatas com as mãos totalmente descobertas e recebia as cédulas simultaneamente.

Marcele Dias, 26, trabalha em um carrinho de café da manhã na rua Itaeté. Ela conta que todos os vendedores que trabalham ali atuam de forma clandestina, pois não são permissionários da Feira do Mutirão. No caso do comércio dela, Marcele afirma que busca manter um “padrão” de limpeza. “Apesar de trabalhar na rua, a gente tenta fazer as coisas o melhor possível pra não sair uma imundície”, explica.

O aposentado Valmir Sampaio Corrêa, 61, diz que não observa um risco tão grande ao comprar um alimento em condições de manutenção duvidosas. “Eu venho aqui porque é mais perto e sempre compro peixe. Ninguém da minha família passou mal até agora. Acho até que o peixe vendido em feira de rua tem mais qualidade do que o do supermercado”, argumentou.

Sujeira dentro e fora

A situação do comércio informal do lado de fora não é diferente se for comparada à própria Feira do Mutirão. No local trabalham cerca de 160 permissionários cadastrados na Secretaria Municipal de Feiras, Mercados, Produção e Abastecimento (Sempab).

As irregularidades praticadas nos dois pontos são semelhantes: carnes de animais expostas sem refrigeração ou/e proteção, não utilização de luvas na manipulação dos produtos por parte dos feirantes e problemas na estrutura da feira afetam a qualidade dos serviços.

A presidente da Comissão Gestora da Feira do Mutirão, Kelly Uchôa de Castro, admite que o local apresenta diversos problemas no que diz respeito às condições sanitárias, porém ela aponta que uma das causas para isso é a resistência dos próprios trabalhadores em se adequarem às normas. “O maior problema da Feira do Mutirão é que tem permissionário que só quer ganhar mas não investe no estabelecimento. Todos têm que entender que esta é uma feira comunitária e nós temos que nos adequar”.

Sobre os problemas na estrutura do prédio, Kelly diz que aguarda resposta da prefeitura há dois anos para a construção de uma nova cobertura, mas nada foi feito. “A gente está no meio de rato aqui dentro. Quando chove os bueiros sobem e a feira fica alagada”.

Denúncias ainda são poucas

Um dos órgãos responsáveis por realizar fiscalizações sobre a venda de produtos vencidos ou em má conservação é a Vigilância Sanitária do Município (Visa Manaus), vinculado à Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). De acordo com o especialista em Saúde Fábio Markendorf, o setor realiza fiscalizações por meio de denúncias e inspeções de rotina em todas as zonas da cidade.

Segundo o profissional, a demanda da capital é grande, porém a participação da população ainda é pequena para denunciar casos. Ele relata que um dos fatores que contribuem para isso é a questão “cultural”. “O amazonense gosta de ver o peixe na bancada. Isso é um hábito que não devemos achar comum porque aquele alimento está ali mas está sujeito a vários tipos de contaminação. Outra coisa é a ter uma infecção na ingestão de algum produto e achar isso natural. Não se deve pensar assim. A população ainda é o nosso maior fiscal”, disse o especialista.

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