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Manaus
Informais

Vendedores ambulantes tomam conta das avenidas de Manaus

Nas proximidades de terminais de ônibus, no Centro, eles ocupam as calçadas e até partes das pistas de rolamento, atrapalhando o trânsito dos veículos e colocando em risco a vida do usuário do transporte coletivo 19/11/2016 às 09:54
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Os camelôs invadiram as calçadas e tiraram o espaço dos pedestres. Foto: Evandro Seixas
Náferson Cruz Manaus

Calçada, de acordo com o dicionário  de Aurélio Buarque de Holanda, é um caminho pavimentado para pedestres, numa rua. Em Manaus, no entanto, vendedores ambulantes simplesmente estão demarcando território e tomando conta delas  próximas aos pontos de ônibus das avenidas Epaminondas e Floriano Peixoto e nas ruas Tamandaré e 15 de Novembro,  no Centro. 

Comerciantes regulares e consumidores que frequentam as lojas notaram o aumento no número de bancas de vendedores ambulantes nos últimos meses. Os produtos mais vendidos são verduras e frutas. Mas, bancas de produtos eletrônicos também invadem as calçadas da avenida, causando riscos de atropelamento, pois os pedestres precisam desviar pela pista. “Os pedestres correm perigo porque tem que se locomover pela via e ainda tem os ônibus passando em alta velocidade e sem se importar com os pedestres que estão passando”, disse o comerciante Jaime Lemos, 38.

Nesta sexta-feira (18),  A CRÍTICA foi aos locais e constatou que os vendedores ambulantes disputam espaço com pedestres. Em alguns trechos das vias, a banca com produtos fica junto aos pontos de ônibus.

“Um dia desses estava aqui esperando o ônibus e um rapaz foi correr para tentar alcançar o veículo e acabou se chocando com uma das bancas e as frutas e verduras se espalharam no chão, deu maior confusão”, lembrou Mário Lúcio Albuquerquer, 25, que atua em uma loja em frente à parada de ônibus próxima ao Colégio Militar.

A maioria dos pedestres ouvidos por A CRÍTICA afirmam que entendem que a atividade informal é a fonte de renda de muitas famílias, mas criticam a ocupação irregular das calçadas. “É difícil opinar porque são pais de famílias que estão desempregados e procuram uma alternativa para garantir o sustento em casa, mas por outro lado, traz risco ao pedestre ao ocupar de forma irregular as calçadas”, comentou Sílvio Oliveira, 42, professor de uma unidade educacional do Centro. 

A preocupação de quem circula diariamente por aquela área da cidade é que o números de vendedores ambulantes nesta região da cidade aumente com a proximidade do fim do ano. Para um comerciante, que preferiu não se identificar, além de ocupar as calçadas os vendedores “comprometem” o tráfego de pedestre e a circulação de veículos. “É muito complicado caminhar aqui porque eles estão em todos os locais. Se não tiver cuidado a gente esbarra nas mercadorias deles e eles ainda ficam bravos”, contou.

 A CRÍTICA não identificou nenhum funcionário da Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempab), pasta responsável pelo ordenamento e fiscalização do comércio informal.

Ação foi coibida por fiscais da prefeitura em 2014
Em dezembro de 2014, ao menos 60 barracas foram instaladas de forma ilegal no “calçadão” em frente ao Shopping Via Norte, no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte. As barracas ocupam metade da calçada, o que impedia a locomoção de pedestres. A ação coordenada por um grupo de camelôs não durou muito, dias depois, as barracas foram retiradas por fiscais da Prefeitura de Manaus.

Se expulsos, prometem voltar
Na avenida Epaminondas, um dos vendedores ambulantes que vende frutas e verduras, conversou com a reportagem. Ele não quis se identificar, mas contou que sabe que é proibido vender naquela área. Contudo, aquela é a única fonte de renda dele, alega. “Eu não sei fazer outra coisa da vida. Sempre trabalhei vendendo alguma coisa e aqui é um bom ponto porque o fluxo de pessoas é grande”, contou o comerciante de verduras, que disse ter 50 anos.

O vendedor contou que fosse expulso pelos fiscais, voltaria a trabalhar na área porque está desempregado e essa é a única forma que tem de garantir a renda da família. “Se me mandarem embora eu vou, só que assim que virarem as costas eu volto porque é daqui que consigo o aluguel da minha casa e o nosso alimento”.

Para os pedestres a prefeitura deveria “pôr ordem na casa”, como fez com os camelôs, que foram retirados das calçadas das ruas e alocados em galerias populares. “A prefeitura fez tanta coisa para retirar os camelôs da rua porque não retira esses ambulantes também, que ficam atrapalhando o tráfego”, questionou um cabeleireiro que preferiu não quis se identificar.

 

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