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Vendedores credenciados temem concorrência dos ambulantes irregulares, na Ponta Negra

Quem é cadastrado reclama que os ambulantes que vendem produtos de forma ilegal prejudicam o faturamento de quem tem o selo com a logomarca da prefeitura 26/11/2014 às 09:18
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Osvaldo Pascoal trabalha desde 1995 na Ponta Negra, mesmo sem permissão
Cynthia Blink Manaus (AM)

Em meio ao impasse sobre a Concorrência Pública para a gestão de 14 quiosques e uma banca de revista que estão sendo construídos no Complexo Turístico da Ponta Negra, na Zona Oeste, que foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), os trabalhadores legalizados que já atuam no complexo afirmam que a maior preocupação não são os futuros ‘vizinhos’, mas a concorrência desleal de vendedores ambulantes clandestinos.

Quem é cadastrado reclama que os ambulantes que vendem produtos de forma ilegal prejudicam bastante o faturamento de quem tem o selo com a logomarca da prefeitura (os licenciados). É o caso do pipoqueiro Raimundo Carvalho, 59, que para não falhar no pagamento do aluguel e conseguir obter lucro, precisará fazer um reajuste no valor do saquinho da pipoca a partir de dezembro. “Hoje eu vendo a R$ 3, mas em dezembro vou vender a R$ 4. Primeiro porque o aluguel vai subir de R$ 500,00 para R$ 1.510,00 e, depois, porque os clandestinos invadem a Ponta Negra. Estamos pagando para os clandestinos trabalharem. Com esse novo valor de aluguel, vamos exigir que a prefeitura seja mais dura”, disse.

“A gente paga um aluguel caro e ainda tem que enfrentar essa concorrência desleal”, reclamou Clodoaldo Pinheiro, que trabalha há três anos na Ponta Negra vendendo algodão doce. “Os irregulares tomaram conta daqui. Nas datas de maior movimento, eles caminham por todo o calçadão e vendem mais barato. Vendem bebida, pipoca, algodão doce... tudo. Assim fica difícil. Só vai funcionar se tiver fiscalização sempre”, analisou.

O outro lado

Quem está irregular também reclama e resiste às fiscalizações. É o caso do pipoqueiro Osvaldo Pascoal, que trabalha na Ponta Negra, mesmo sem licença da prefeitura. “Se quiserem me tirar, vão me tirar. Só que eu não vou parar, porque é com esse trabalho que eu sustento a minha família. Já estou com 64 anos, onde vão dar emprego para alguém da minha idade? Eu trabalho aqui desde 1995 e tenho como provar, mas ainda não consegui a licença”, disse ele, que contou fazer parte de uma cooperativa que não ganhou a licitação, em novembro, na Concorrência Pública 004/2014, para comércio ambulante e de barracas de praia. “Preciso trabalhar e vender as pipocas aqui, é a minha única opção para sobreviver”.

Segundo a assessoria de imprensa do Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb), a fiscalização ocorrida na quarta-feira passada apreendeu bastante material e a prefeitura já planeja fazer uma nova ação.

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