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Manaus
IMIGRANTES

Venezuelanos abrigados em Manaus planejam criar associação

Indígenas, que estão em abrigo da Zona Leste de Manaus, querem produzir produtos para vender 14/06/2017 às 05:00
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Indígenas vêm confeccionando seus produtos dentro do abrigo, como redes que o público pode comprar no local. Foto: Márcio Silva
Paulo André Nunes Manaus

Trabalhar e buscar novos horizontes é um dos pensamentos primordiais dos indígenas venezuelanos warao que estão desde o dia 1º no Serviço de Acolhimento Institucional de Adultos e Família, abrigo localizado na avenida Cosme Ferreira, Coroado, Zona Leste, onde funcionava o antigo programa Jovem Cidadão. Quem está instalado no local diz não ter muitas reclamações do espaço no qual dorme e come três refeições por dia, mas nem tudo são flores, diz o cacique Anibal Perez, um dos porta-vozes dos 297 indígenas que, anteriormente, estavam acampados no Terminal Rodoviário.

“Precisamos de ventiladores, colchonetes, um cozinheiro e um antropólogo”, resume ele. De acordo com a Secretaria de Estado da Ação Social, todas essas reivindicações estão sendo providenciadas, mas é necessário um prazo legal.  

Anibal Perez, uma das lideranças warao, revelou que os indígenas pensam em se organizar em uma associação para explorar, além do artesanato, também as potencialidades do ramo pesqueiro.

“Estamos seguros, mas necessitamos trabalhar, e para conseguir trabalho sabemos que é preciso documentação e estamos em processo (de expedição desses documentos), de classificar família por família”, disse Perez.

Sentado em sua rede, o warao Ponciano Carbona, 44, também disse não ter o que reclamar do abrigo, mas que deseja voltar a trabalhar com seu artesanato. “Queremos que nos arrumem trabalho”, frisou ele, casado e pai de 4 filhos.

Alguns dos indígenas que estão abrigados no Coroado ocupam seu tempo a confecção de produtos artesanais que são vendidos nas ruas e no próprio local, servindo para sustento das famílias. É o caso de Eurelis Carolina, que costurou uma rede artesanal em tecido e que é vendida a preços que variam de “R$ 130 a R$ 150”, diz ela, dependendo do modelo.

Ela integra um grupo que tem também a indígenas Delia Gonzalez, 50, Berkis Gonzalez e Miriam Gonzales, esta última a mais experiente delas com 70 anos de idade. “Trabalho produzindo redes desde criança”, faz questão de falar ela, à reportagem. As redes são um produto bastante inspirativo entre os warao: só no abrigo do Coroado existem, exatas, 286 delas para acomodar os indígenas.

Por meio de sua assessoria de comunicação, a Secretaria de Estado da Ação Social informou que as redes podem ser adquiridas no próprio abrigo.

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