Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
CLIMA

Após 'calor do século' no ano passado, verão amazônico será menos intenso em 2016

Especialistas em meteorologia afirmam que condições de chuva estão normais para o período. Em 2015, Inmet registrou no mês de setembro a maior temperatura em 90 anos na capital, a de 39,3ºC



calor1.JPG Em algumas zonas da cidade, marca de 40ºC foi marcada em termômetros (Foto: Euzivaldo Queiroz)
01/08/2016 às 15:58

Embora os termômetros da capital tenham começado a marcar altas temperaturas, uma boa notícia: o calor será menos intenso que o do ano passado. É o que dizem especialistas em meteorologia. No ano passado, Manaus registrou a maior temperatura em 90 anos após estações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontar a marca de 38,6°C. No entanto, o manauara sentiu na pele uma sensação térmica equivalente a 39,3°C. 

A maior temperatura em quase um século foi registrada no dia 21 de setembro, entre as 12h e 14h. Segundo o Inmet, a máxima ocorreu entre as avenidas Maceió e Mário Ypiranga, no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul da cidade. 

Com o início da estação seca no Amazonas, conhecida como o “verão amazônico”, que vai do mês de julho ao de setembro, é comum que a nebulosidade diminua. Apesar disso, os especialistas afirmam que a probabilidade do calor de 2015 não ser superado em 2016 é grande.

De acordo com os dados da estação automática do Inmet, até o momento a maior temperatura registrada foi de 34,5°C no dia 17 do mês de julho, sendo que a média das temperaturas máximas para o mês é de 32,7°C, algo em torno de 1,5°C acima do normal para o período. Porém, segundo o meteorologista Gustavo Ribeiro, as altas temperaturas verificadas nesta época são consideradas “normais”.

“Não fizemos a previsão de temperatura máxima anual, mas muito provavelmente este ano não bateremos o recorde atingido ano passado, já que este ano estamos sob condições normais de chuvas para o período, que são em pequenos volumes nesta época do ano”, disse o meteorologista.

O meteorologista do Sistema de Proteção da Amazônia, Lucas Mendes, também defende que a marca de 39° não será ultrapassada. “No momento os modelos de previsão não apontam para a quebra deste recorde, porém, certamente, teremos dias ultrapassando a marca de 36°C a sombra em setembro e outubro”.

El Niño

No ano passado, o El Niño (aquecimento anômalo das águas superficiais e sub-superficiais na região Equatorial do Oceano Pacífico) foi um dos fatores primordiais para a ausência de chuvas e o registro de temperaturas elevadas. Segundo Gustavo Ribeiro, a situação deve ser diferente em 2016. “O fenômeno El Niño que estava bastante intenso em 2015, este ano está em franco decaimento (enfraquecimento)”, disse Ribeiro. Ele explicou ainda que as maiores temperaturas deverão ser registradas no mês de setembro.

Conforme explica Lucas Mendes, do Sipam, o que provoca as altas temperaturas no Amazonas nessa época do ano é a presença de uma intensa massa de ar seco no Brasil Central, caracterizada por um sistema de alta pressão. “Esse sistema de alta pressão impede a propagação de sistemas frontais para latitudes mais baixas, o que favorecia a formação de nebulosidade (áreas de instabilidade) aqui no setor norte do país e, portanto, teria temperaturas menos elevadas”, destacou.

Fumaças

Em 2015, a população foi surpreendida por uma densa nuvem de fumaça proveniente de queimadas realizadas na capital e no interior do Estado. Segundo o coordenador do Programa de Monitoramento de Queimadas e Incêndios Florestais por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Alberto Setzer, do dia 1º de janeiro a 28 de julho deste ano, o Estado registrou 1.986 focos de queimadas, algo em torno de 340% a mais que o mesmo período de 2015.

Ainda com o número alarmante, o especialista destaca que não há como prever o surgimento de fumaça para os próximos meses. “Se tiver muitas queimadas nos próximos meses, com certeza terá. As queimadas não são coisas naturais. Isso depende muito da atuação das autoridades. Se ninguém colocar fogo, não vai ter fumaça. O fogo decorre da ação humana”.

Multas

No primeiro semestre desse ano, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou um total de R$ 541.402,68 mil em multas por queimadas em 10 municípios do Amazonas. O campeão de flagrantes foi o município de Manacapuru, onde os fiscais do Instituto registraram 21 autos de infração. O órgão recebe denúncias de queimadas e outros ilícitos ambientais pelos telefones (92) 2123-6715 ou 2123-6729 ou diretamente no Ipaam.

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