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Manaus
ARMAS

Vereadores batem boca na CMM em debate sobre legislação do porte de armas

“Desarma o pessoal de bem e deixa o bandido armado. Meu partido é contra o armamento, mas eu sou a favor”, disse um dos parlamentares 27/11/2017 às 15:58 - Atualizado em 27/11/2017 às 16:11
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Foto: Arquivo A Crítica
Camila Pereira Manaus (AM)

Os vereadores Sassá da Construção Civil (PT) e Chico Preto (PMN) bateram boca no plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM), na manhã desta segunda-feira (27), ao debaterem sobre o poder da CMM de legislar sobre armamentos e porte de armas.

O tema veio à tona enquanto os parlamentares discutiam sobre o assassinato do advogado Wilson Justo dentro da casa de show Porão do Alemão, ocorrido no último final de semana em Manaus. Os tiros que mataram o advogado foram disparados por um delegado de Polícia Civil que estava no estabelecimento e tinha permissão para o porte da arma.

Vários parlamentares, incluindo Chico Preto, entraram com requerimentos propondo soluções para que casos como o do advogado Wilson Justo não se repetissem.

Na tribuna, Sassá afirmou que a Câmara Municipal não tem legitimidade para legislar a respeito de desarmamento de policiais. “Isso é lei federal. Não vamos mudar a lei. Isso é para o Senado. Essa lei de desarmar o policial, bandido vai entrar e assaltar todo mundo lá dentro”, disse. “A gente não pode criar lei para dar mídia para as pessoas lá fora. Ninguém aprova lei municipal”.

Sassá continuou o discurso dizendo ser a favor de armamento para cidadãos comuns. “Se a população tivesse armada, não tinha a quantidade de assaltos que temos hoje. Desarma o pessoal de bem e deixa o bandido armado. Meu partido é contra o armamento, mas eu sou a favor”.

Chico Preto se manifestou afirmando que as propostas apresentadas não se tratam de desarmar policiais. “Não vi nenhum vereador na tribuna dizer que quer proibir o uso de arma por  policial. O que se está discutindo é a CMM com a sua legislação municipal discutir o consumo de bebida alcoólica por quem está armado”, falou Chico Preto.

“Às vezes a gente precisa ser didático, porque tem gente que não entende. Sou contra se tirar a arma de policial, a discussão é outra. A Câmara não pode, por exemplo, legislar sobre violência contra mulher, mas podemos fazer a discussão. Já aprovamos outras leis sobre consumo de bebida. É uma discussão que precisamos enfrentar”, comentou.

Logo depois, Sassá foi até a bancada de Chico Preto e houve uma discussão mais forte. O bate boca precisou ser apartado pelo vereador sargento Bentes Papinha. “Bater boca dependendo do que acredita, é normal. Eu precisava fazer uma intervenção para que as colocações do vereador Sassá não desvirtuassem o debate”, comentou Chico Preto. 

A reportagem tentou falar com o vereador Sassá, que não foi localizado até a publicação desta reportagem.

Advogado assassinado

O advogado Wilson Justo foi assassinado na madrugada do último sábado (25) após ser alvejado com quatro tiros disparados pelo delegado Gustavo Sotero durante uma briga dentro da casa de show Porão do Alemão, na Zona Oeste de Manaus. Outras três pessoas ficaram feridas, incluindo a esposa do advogado. O delegado Gustavo Sotero foi preso em flagrante.

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