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Manaus
FÉRIAS

Vereadores de Manaus gastam R$ 602 mil de cota durante o período de férias

Dos 41 vereadores de Manaus que estavam nos cargos em janeiro durante o recesso da Câmara Municipal, 40 fizeram gastos com a Ceap, a cota mensal a que cada parlamentar tem direito para despesas 17/02/2019 às 05:35
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Foto: Arquivo A Crítica
Larissa Cavalcante Manaus (AM)

A Câmara Municipal de Manaus (CMM) desembolsou R$ 602 mil para bancar as despesas dos vereadores no período das férias de janeiro. Desse total, 63% foram gastos com aluguel de veículos e combustível, valor  que corresponde a R$ 377,3 mil. O levantamento foi feito com base nas planilhas disponíveis no site da Câmara no item transparência, publicadas no dia 14 deste mês, que detalham quanto e para quais empresas foram destinados o Cotão.

Em janeiro, a Casa Legislativa estava no período de recesso parlamentar que iniciou no dia 20 de dezembro e retornou às atividades no dia 6 de fevereiro. No recesso, as sessões plenárias e reuniões ordinárias são suspensas. Assim com as atividades das comissões.

Cada vereador tem direito a R$ 18 mil mensal da Cota de Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) para custear os gastos do mandato como telefonia, correios, locação de móveis e equipamentos, material de expediente, acesso à internet, assinatura de publicações, locação de veículos, combustível, consultorias técnicas e divulgação da atividade parlamentar. Além do Cotão, o vereador recebe R$ 15 mil de salário, e tem direito a R$ 48 mil de verba de gabinete para contratar assessores.

O vereador Isaac Tayah (PSDC) lidera o ranking de utilização da Ceap durante o recesso, tendo usado R$ 17,9 mil. Deste total, R$ 8,5 mil foram dedicados a aluguel de veículo, R$ 7,4 mil  oi em combustível e R$ 2 mil para divulgação da atividade parlamentar. Também utilizaram o Cotão nas férias, os vereadores David Reis (PV), Reizo Castelo Branco (PTB), Álvaro Campêlo (PP), Gilvandro Mota (PTC) e Therezinha Ruiz (PHS) no valor R$ 17,9 mil, cada.

Nove vereadores utilizaram pouco mais de R$ 17 mil. São eles: Wilker Barreto (PHS) - R$ 17,8 mil; Glória Carrate (PRP) - R$ 17,7 mil;  Everton Assis (DEM) - R$ 17,5 mil; Sassá (PT), Dallas Filho, Joana D’arc (PR), Gilmar Nascimento (PSD) e Ewerton Wanderley (PHS) - R$ 17,4 mil cada; e Diego Afonso (PDT) - R$ 17,2 mil. Outros três ficaram na faixa de gastos de R$ 16 mil: Roberto Sabino (PHS) - R$ 16,8 mil; Sargento Bentes Papinha (PR) - R$ 16,5 mil; e Raulzinho (DEM) - R$ 16 mil.

Invenção que deveria acabar

Para o fundador e diretor executivo do Instituto Amazônico da Cidadania (IACi), Hamilton Leão, a Ceap é uma invenção que deveria acabar. “A Ceap é uma invenção e deveria acabar. O dinheiro público deveria ser bem aplicado, de forma ordeira com especificidade. Podemos exaltar a atitude desse único vereador que não usou a verba nas férias e os demais deviam seguir o mesmo exemplo. O vereador ganha suficientemente bem e poderia custear suas despesas, sem que o dinheiro público fosse disponibilizado para uma atividade do parlamentar. Usufruem de um recurso público que é mal aplicado, sem controle e com isso a farra é muito maior. Qual a garantia de que o valor informado foi de fato aplicado no serviço? Eles podem muito bem ‘maquiar’ um serviço”, comentou Hamilton Leão.

“O IACi há anos questiona esses gastos exorbitantes da Ceap pelas Casas Legislativas. Há cinco anos atrás lançamos uma cartilha com os gastos. Na época, realizamos um levantamento. Somando ao longo do mandato o vereador ganhava R$ 1,2 milhão. Ou seja, são novos milionários que surgem. A ideia de entrar na política é um bom negócio. Para acabar com os gastos desnecessários no serviço público é preciso aplicar o que se faz na iniciativa privada. A Câmara e a Assembleia deveria dar o exemplo cortando gastos. A Câmara deveria fazer o dever de casa e começar a fiscalizar os gastos e o Tribunal de Contas do Estado poderia ser mais rígido quanto a isso”, finalizou.

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