Quarta-feira, 21 de Abril de 2021
Câmara

Vereadores justificam gastos para defender uso de 'cotão' parlamentar

Os vereadores William Alemão (Cidadania) e Capitão Carpê Andrade (Republicanos) justificaram gastos e alfinetaram o colega Amom Mandel, que abriu mão do uso da verba mensal acima de R$ 18 mil



Sem_t_tulo_EA64CF77-8EA3-4F19-8B5B-6CE5FF2577D8.jpg Foto: Reprodução/Internet
05/04/2021 às 15:23

Os vereadores William Alemão (Cidadania) e Capitão Carpê Andrade (Republicanos) demonstraram incômodo a respeito de críticas do uso dos recursos da Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP). Ambos vereadores criticaram sem citar o nome do vereador Amom Mandel (Podemos), que abriu mão dos recursos da CEAP. As declarações foram feitas em sessão plenária virtual da Câmara Municipal de Manaus (CMM) na manhã desta segunda-feira (5);

"Não ficamos em casa, tenho rodado em média 250 km por dia. Mesmo estando aqui, a minha equipe está na rua trabalhando. Isso vai de encontro, justamente, sobre o que falei durante a campanha que falei que estaria na rua fiscalizando. Ouvi esses dias, inclusive, um dos nossos nobres colegas, dizendo que não precisa usar a verba CEAP, porque … Primeiro que ele não vem nem aqui, né!”, disse Alemão.



Amom não fez uso do recurso do chamado 'cotão'. Ele não usou e nem pretende usar, conforme confirmou em entrevista à coluna Sim & Não de A CRÍTICA. O vereador disse que não entrou na política para ganhar dinheiro e "uso parte dos meus recursos para custear o mandato".

Os vereadores Raulzinho (PSDB) e Lissandro Breval (Avante) foram os maiores “gastadores” da Cota para Exercício da Atividade Parlamentar nos dois primeiros meses deste ano. Os dois gastaram todos os R$ 36 mil a que tinham direito. Os gastos de Lissandro são exatamente iguais em janeiro e fevereiro: R$ 9 mil em combustível, R$ 3 mil em locação de veículo e R$ 6 mil em consultoria; Já Raulzinho gastou R$ 15,1 mil em janeiro e R$ 20,9 mil em fevereiro com veículos, gasolina e divulgação.

Capitão Carpe Andrade chegou a se manifestar sobre a CEAP ao cumprimentar William Alemão pelo discurso e emendou “"quem trabalha realmente precisa de estrutura. Quem não trabalha, infelizmente não precisa".

William Alemão, proprietário do 'Porão do Alemão', não usou os recursos do cotão do mês de janeiro. No mês de fevereiro, o empresário gastou R$ 6,5 mil em combustível e assessoria técnica. O vereador tem um projeto chamado 'gabinete móvel' que faz uso de uma van para acompanhar comunidades em bairros de Manaus.

Capitão Carpê usou R$ 14,9 mil em janeiro e R$ 15,6 mil no mês de fevereiro entre despesas de combustível, locação de veículo e assessoria técnica.

A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar – CEAP (antiga verba indenizatória) é uma cota única mensal destinada a custear os gastos dos vereadores exclusivamente vinculados ao exercício da atividade parlamentar. A Câmara Municipal de Manaus paga aos 41 vereadores da atual legislatura R$ 18 mil mensais só em verba da CEAP.

Conforme a transparência da CMM, Amom acumulou R$ 36 mil em recursos do cotão. William Alemão que usou R$ 6,5 mil acumula até fevereiro R$ 29,5 mil. Carpe Andrade tem um saldo de R$ 5,4 mil.

Outros três vereadores, se não chegaram a gastar tudo, deixaram só um “troco” no saldo da Cota. David Reis (Avante) tem apenas R$ 144 de saldo, contra R$ 200 de Elan Alencar (PMN). O menor saldo é de Rosivaldo Cordovil. Ele gastou, em dois meses, R$ 35.998,39. Restou de saldo, para o próximo mês R$ 1,61.

Apesar de não ter sido citado pelos vereadores, Amom Mandel afirmou, em nota, que "nunca faltou a uma sessão plenária sequer". Confira a nota enviada pela asessoria do vereador, na íntegra: "O vereador Amom Mandel (PODE) informa que desde que assumiu o mandato, nunca faltou a uma sessão plenária sequer, estando sempre presente nas votações e proposições na Câmara Municipal de Manaus, seja presencialmente, como nas diversas ocasiões retratadas pela mídia e nas redes sociais, seja de forma híbrida. Sobre a CEAP, o famoso “cotão”, o vereador reforça que a verba não é, de fato, ilegal, mas que não a usa por uma política e escolha sua, gastando do seu próprio bolso para custear o mandato com o salário de vereador, fiscalizando o Poder Executivo e exercendo o seu papel como parlamentar", conclui a nota.


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