Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
Desaparecidos

Viaturas e armas de policiais envolvidos em desaparecimento de jovens são periciadas

Delegado que investiga o caso do desaparecimento de três jovens garante que o crime 'será elucidado’



05/11/2016 às 09:19

Ontem, completou uma semana que os jovens Alex Julio Roque de Melo, 25, Rita de Cássia Castro da Silva, 19, e Everton Marinho, 20, desapareceram. Na noite do dia 28, eles foram algemados e colocados dentro de duas viaturas da Polícia Militar da 4ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) e, desde então, desaparecem. Seis policiais militares são os principais suspeitos pelo sumiço deles.

A cada dia que passa, a esperança de encontrá-los com vida vai diminuindo, mas a vontade de saber onde estão não acaba. Com recursos próprios, nos últimos dias, eles entraram nas matas à procura dos jovens.

Os familiares, quase vencidos pelo cansaço, não desistiram das buscas e, ontem, retornaram as buscas. Munidos com facões e garrafadas de água, eles esquadrinharam as matas nos arredores do ramal Chico Mendes, no bairro Puraquequara, onde foram encontrados indícios de que os desaparecidos passaram por lá. Eles observaram também o movimento dos urubus e onde há aglomeração das aves, nesse local são feitas buscas. Pela manhã, as buscas se estenderam para o ramal do Brasileirinho, nos quilômetros 12 e 14. Porém, nada foi encontrado.

As buscas têm começado no início da manhã e só terminam a noite. Qualquer informação que chega é checada por eles, que têm tido o apoio da Polícia Civil e da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM). A investigação está sendo coordenada pelo titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Ivo Martins. “Nós estamos entrando nas matas e esquadrilhando toda a área. Uma coisa eu garanto: esse crime será elucidado”, disse o delegado.

De acordo com Martins, até ontem, foram ouvidos os seis policiais. Perícias foram realizadas nos carros e armas das duas guarnições de plantão na noite do sumiço. Buscas com o uso do Corpo de Bombeiros e de cães farejadores da PM também foram realizadas ontem.

Os seis militares foram ouvidos por mais de uma vez na DEHS e negaram qualquer envolvimento com o desaparecimento. Eles confirmaram que fizeram a abordagem, para checar se havia um mandado de prisão para Alex. O policiais disseram que os jovens foram levados até a 4ª Cicom e, como não havia nada contra eles, os três foram liberados.

A polícia, no entanto, já tem fortes indícios que apontam para o envolvimento de pelo menos seis policiais militares lotados do desaparecimento dos jovens. “São provas, imagens e depoimentos que apontam a participação dos militares. Agora, precisamos saber como aconteceu isso”, disse ontem o secretário da SSP-AM, Sérgio Pontes.

Após pressão, OAB e MP-AM reagem

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AM) Marco Aurélio Choy, disse que encaminhou um oficio à Promotoria do Controle Externo da Atividade Policial (Proceap) e a Secretária de Segurança Pública (SSP-AM) solicitando informações sobre o desaparecimento de Rita, Alex e Weverton. Marco Aurélio Choy disse que vai acompanhar os trabalhos de investigações que estão sendo feitos pela polícia. “Se for necessário, iremos até a Corte Internacional de Direitos Humanos, caso esses jovens não sejam encontrados”, afirmou o presidente da entidade, que após seis dias de repercusão do caso ainda não havia se pronunciado.

A titular da 61ª Proceap do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), Cley Miranda, por sua vez, informou que já foi instaurado um procedimento e que o Ministério Público está acompanhando de perto o desenrolar das investigações da Polícia Civil.

Cronologia

28 de outubro : Jovens que estava voltando de uma festa no Armando Mendes são abordados por polciais da 4ª Cicom e somem.

29 de outubro: Familiares encontraram as sandálias de Alex sujas de sangue e cápsulas de pistola calibre ponto 40 no ramal do Brasileirinho. À noite, família e amigos fazem um protesto em frente à unidade policial, quando surge a versão de que os três seriam traficantes.

3 de novembro: Seis militares investigados pelo desaparecimento são ouvidos na DEHS e negam participação.


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