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Vida nova: Detentas recebem batismo inédito dentro de Centro de Detenção Feminino

Trinta detentas do CDPF receberam, pela primeira vez dentro da unidade prisional, o batismo por um capelão missionário 22/12/2015 às 10:44
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Emocionadas, detentas contaram que é dolorido e não é fácil a vida delas na cadeia, mas acreditam uma nova vida
Kamyla Gomes Manaus (AM)

Com louvor, pregação e muita música, aproximadamente  30 detentas do Centro de Detenção Provisório Feminino (CDPF), no quilômetro 8 da BR-174, se batizaram e renovaram seus votos com Deus. O momento, ocorrido pela primeira vez dentro da unidade, foi realizado na manhã de ontem  com muita emoção e reflexão para elas.

De mãos dadas, as detentas fizeram um círculo enquanto o pastor que preferiu se identificar apenas como capelão missionário, ministrava o batismo. Muitas delas estavam bastante emocionadas e diziam que aquele era um momento único em suas vidas.

Longe do crime há dois meses, a ex-detenta Adriana Lira, de 31 anos, contou para a equipe de A CRÍTICA como tem sido sua vida fora do CDP. Ontem, ela retornou à unidade, mas com um propósito diferente, que foi dar seu testemunho e pregar a palavra de Deus. “Estou bem espiritualmente, psicologicamente e materialmente. Pronta também para ajudar na realização do batismo”, disse Adriana, que passou três anos presa pelo crime de tráfico de drogas.

Viúva e mãe de dois filhos, a ex-detenta também contou que para ela, se converter foi algo que tocou seu coração. “Quando estamos aqui, temos que nos apegar a algo, e eu via todo tempo Deus, então eu resolvi me converter”, relatou.

Emocionada, a detenta Valdirene Costa de Souza, 34, contou da opção de se batizar dentro da unidade prisional. “É dolorido, não é fácil essa vida aqui, mas acreditamos na nova vida. Estou renovando os votos com o Senhor”, disse a mulher que está presa há aproximadamente cinco meses por tráfico.

Trabalho no CDPF durou seis meses

A programação foi dirigida pelo pastor capelão missionário, que dirige o Ministério Apostólico Leão de Judá, no bairro Cidade de Deus, Zona Norte. Ele relatou o trabalho que vinha sendo realizado até o dia do batismo no CDPF. “O batismo foi um trabalho árduo de seis meses. Que toda a honra e toda a Glória se manifeste na vida delas”, relatou o pastor, acrescentando o primeiro batismo a ser realizado no CDP.

O ato foi marcado por alegria, choro, cânticos e todas as detentas se abraçavam e se emocionavam com o momento de muita emoção para elas. O pastor acrescentou, também, que o ato foi um sucesso e que levar a  elas a intimidade com Deus foi totalmente gratificante e uma ação de esperança.

Longe do crime

De acordo com secretário da Seap, Pedro Florêncio, a ideia de humanizar o sistema tem como objetivo fazer com que ao ganhar liberdade o ex-presidiário não tenha que retornar, mas que ele esteja consciente que ele pode levar uma vida digna fora do crime.

O secretário destacou como uma das propostas que está sendo viabilizar,  a implantação, em parceria com o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), do sistema que permite a realização de audiência de custódia por vídeo conferência.

Para as presas que receberam o batismo, o momento foi considerado único para elas e uma forma de começar uma nova vida, desta fez longe da criminalidade. A conversão tocou o coração delas e as levou ao choro em muitos momentos da pregação e louvor.


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