Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020
MÁ HIGIENE

Vídeo de xixi no tucumã reacende discussão sobre higiene do ‘x-caboquinho’

O fato deixou a população intrigada e os comerciantes que tomam o devido cuidado apreensivos com a má reputação deixada para quem vende o produto nas feiras da capital



lima_43D1A226-15F3-40EF-A6B6-7F4221DE8466.JPG Foto: Antônio Lima
06/08/2019 às 07:08

O vídeo viral de uma criança urinando em um recipiente usado supostamente na separação de tucumã em uma barraquinha que vende o fruto no Centro da cidade trouxe à tona os riscos da falta de higiene e perigo presente no ingrediente fundamental do conhecido sanduíche “x-caboquinho”. O fato deixou a população intrigada e os comerciantes que tomam o devido cuidado apreensivos com a má reputação deixada para quem vende o produto nas feiras da capital.

Na feira da Manaus Moderna a todo o momento tem gente em busca do produto para consumo próprio ou para usar como ingrediente nos restaurantes e bancas de café da manhã.  A procura maior é pelo tucumã  já descascado, que depois do vídeo viralizar, deixou até os feirantes preocupados.



“A gente tem todo um cuidado, usamos álcool, luvas, aí quando acontece algo assim complica para a gente. As pessoas acabam achando que todos fazem igual, sem higiene, de qualquer jeito. Mas, não é assim! Não aqui na nossa barraca e nem na de muitos aqui na feira. Os nossos clientes são exigentes. É chato isso que aconteceu, porque pega mal para a gente”, disse Erivam Souza, feirante  há mais de 10 anos.

Assim como na barraca do Erivam, ontem, em muitos outros boxes da feira que vende o tucumã, as luvas eram o item principal  durante o descascar e a retirada da polpa do  fruto típico da  nossa região.  

No boxe da dona Meire Jane Santos, a rapidez impressiona. Ela e seu ajudante descascam em media 200 tucumãs a cada 30 minutos e prezam pela qualidade do produto. “A gente tem todo um cuidado antes mesmo de tirar a polpa. Temos que lavar o tucumã e depois de limpo a gente tira a casca e a polpa para ensacar. Todo tempo com luva. Os clientes não vão levar algo impróprio. Eles observam e exigem”,  disse a feirante.

A higiene foi o que motivou a autônoma Cleia Linhares a procurar o local. “A gente tem uma banca de café da manhã, e  só compra  aqui porque a gente sabe que eles têm esse cuidado. É importante para a gente que trabalha com alimentação. Por isso procuramos um local com mais higiene para poder passar isso aos nossos clientes”, afirmou a comerciante.

Assim como Cleia, a dona de casa Jucy Oliveira disse que adora tucumã e sempre compra para comer em casa, mas fica de olho  nessa questão da limpeza. “Aqui mesmo na feira tem gente que não é limpinho, eu já vi, mas já sei onde as pessoas são cuidadosas e compro sempre nos mesmos locais. É preciso ter cuidado, né? Com alimentação e saúde não se brinca. Eu até vi o vídeo do garoto, achei um absurdo”, comentou.

Barraquinha foi apreendida

A questão da higienização no momento de descascar e vender o fruto voltou à tona após um vídeo viralizar nas redes sociais no último fim de semana. Nas imagens, um menino de aproximadamente 10 anos urina em um recipiente de alumínio ao lado de uma barraquinha onde um homem descasca o tucumã.

O registro, feito por um celular, foi gravado na calçada da rua Barão de São Domingos, esquina com a rua Miranda Leão, no Centro da cidade. Nas imagens, após urinar, o menino pega o  recipiente, que estava dentro de um balde, joga o “xixi” no  meio fio e põe a vasilha  onde urinou em cima da banca onde o homem descascava o produto.

Devido o ocorrido, fiscais da  Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc) estiveram no local na manhã de ontem e  apreenderam o carrinho e os produtos do comerciante, que segundo a pasta atuava irregularmente.

O órgão orientou  que a população não compre produtos com origem duvidosa vendidos nas calçadas e ruas da cidade e denunciem esse tipo de irregularidade, a fim de que as providências imediatas sejam tomadas, através do disque-denúncia do órgão,  o  3663-8488.

Enquanto isso, MP ‘desburocratiza’

 A desburocratização e simplificação de licenciamento para empresas de baixo risco sanitário foi objeto de discussão no Fórum de Vigilância Sanitária: Inovações e Avanços nos Setores Público e Privado, ocorrido ontem, em Manaus. A mudança surgiu a partir da Medida Provisória da Liberdade Econômica (881/2019), publicada pelo Governo Federal em abril deste ano, que permite a atuação de atividades econômicas dessas empresas sem a necessidade de licenças, autorizações, registros ou alvarás para funcionamento.

A partir disso, o papel da Vigilância Sanitária tanto no âmbito federal, estadual e municipal como fiscalizador se faz mais do que necessário, já que, assim, o problema geralmente é apresentado durante o funcionamento do estabelecimento e não na abertura da empresa, como afirmou o especialista em Regulação e Vigilância Sanitária da Assessoria do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (ASNVS/Anvisa), Edson Donagema.

“É fundamental montar uma vigilância capaz de monitorar e acompanhar o funcionamento desses estabelecimentos na medida em que eles existem. A atividade contribui para destravar o setor econômico para que as pessoas possam empreender, mas ao mesmo tempo também, nos organiza para que possamos ter mais um pouco de foco no risco efetivo das atividades e essa é a grande preocupação no Brasil inteiro”, ressaltou ele, que discutiu o assunto: “A simplificação do licenciamento com segurança sanitária”.

“O que acontece é que o empreendedor vai poder trabalhar sem precisar de licença e o que será feito é o monitoramento por parte das vigilâncias. No caso do Visa Manaus, vamos fazer o monitoramento para verificar se tudo o que ele autodeclarou na sua inscrição é verdadeiro, se ele não mentiu ou omitiu e essa licença pode ser caçada a todo o tempo por que, a lei veio para simplificar a abertura de uma empresa, mas ele não pode fugir da regulamentação sanitária”.

Sobre os procedimentos de fiscalização e punição do órgão municipal, a Visa Manaus afirmou a  necessidade de promover ações de educação direcionadas a estabelecimentos tanto de baixo risco quanto de alto risco. 

“Se for um risco eminente a saúde, o estabelecimento é interditado na hora, se não for um risco eminente, abre-se um prazo para a regularização, e aí nós vamos tendo todo um acompanhamento. Vale destacar que, atualmente, a vigilância sanitária realiza muitos trabalhos com capacitações, a exemplo daqueles feitos em associação dos supermercados e setor farmacêutico”, complementou.

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Repórter de Cidades
Formada em 2010 pela Uninorte, é pós-graduada em Assessoria de Imprensa e Mídias Digitais pela Faculdade Boas Novas. Repórter de Cidades em A Crítica desde 2018.

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