Terça-feira, 31 de Março de 2020
EDUCAÇÃO

Vinte usuários da Biblioteca da FIEAM são aprovados em medicina

Eles serão calouros do curso de medicina na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e Universidade Federal de Roraima (UFRR)



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24/02/2020 às 07:49

Estudar na Biblioteca Raimar Aguiar, da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), deu certo neste início de ano para 30 usuários, aprovados em vestibular e concurso público. Com um destaque, do total, 20 serão calouros do curso de medicina na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e Universidade Federal de Roraima (UFRR).

“Para a FIEAM, que mantém a biblioteca em suas dependências, esse resultado confirma a importância do apoio, estímulo ao conhecimento e capacitação das pessoas, e também ao desenvolvimento da cidade”, disse o presidente Antonio Silva. Em 12 anos de funcionamento a biblioteca, a biblioteca da FIEAM já contabilizou 134 frequentadores aprovados em vestibulares e concursos públicos.  



Maria Luiza Vidal, 20 anos (5ª colocada), Clarissa Ruas, 21 anos (9ª colocada), Ludmila Azevedo, 22 anos (19ª) e Isadora Camile Peres, 20 anos (20ª colocada) estão entre os classificados em primeira chamada, no dia 28 de janeiro, para o curso da Ufam, um dos mais concorridos no Amazonas e disputado por estudantes de todas as regiões brasileiras.

Para 2019 a universidade federal disponibilizou 28 vagas para ampla concorrência, o que exigiu das quatro candidatas dedicação ainda maior para a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), já que para entrar na Ufam o aluno precisa obter pontuação suficiente para ser aprovado pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

“Foram mais de três anos estudando para passar em medicina na Ufam, após o término do ensino médio, com muitas reprovações até aqui. Sou a primeira a passar em uma universidade pública na família, já que meus pais não tiveram a mesma chance, pois moravam no interior do Maranhão”, disse Ludmila Azevedo.

Antes de concorrer “de verdade” às vagas disponíveis na universidade pública, Ludmila realizou vários testes para saber o nível do conhecimento adquirido em sua escola, não obtendo êxito em seus resultados finais. Foi quando descobriu que a escola particular não a preparou para esse fim, e decidiu, com a ajuda dos pais, recorrer aos cursinhos.

Não apenas ela. As demais parceiras de biblioteca também procuraram cursinhos para reforçar o aprendizado e concorrer às vagas das universidades públicas. “Achamos sempre que estamos sendo bem preparados, mas não foi o que aconteceu nem na escola e muito menos nos cursinhos que fizemos. Lá não tínhamos atenção em relação aos nossos erros”, disse Clarissa Ruas.

“E foi assim que descobrimos esse lugar maravilhoso que é a Biblioteca Raimar Aguiar”, disse Clarissa, ao contar que no local, além dos livros e outras publicações para auxiliar nos estudos, o ambiente é tranquilo e acolhedor. “Tem também o cafezinho para nos acordar e dar ânimo para continuar os estudos diários. Chegávamos cedo. Às 8h, já estávamos na biblioteca e saíamos às 16h ou mesmo quando a biblioteca fechava, às 18h. Ah, sem esquecer que isso tudo é de graça”, lembrou Ruas.

Já com uma noção do que precisavam realmente aprender, as quatro estudantes passaram a estudar por conta própria, na biblioteca, e a pagar algumas “salinhas” de matérias em que tinham mais dificuldades. O que, de acordo com Ludmila, foi o melhor que fizeram, porque passaram a se ajudar mutuamente. “No cursinho nos ensinam a ver o colega como concorrente e acabamos nos isolando, na biblioteca, não olhamos os outros como aliados, e pelo visto essa tática deu certo, pois passamos juntas”, frisou ela.

Maria Luiza Vidal, considerada pelas colegas “a mais cabeça” das quatro, afirmou que todas já dominavam os conteúdos, mas precisavam estudar de forma correta para acertar as questões das provas. “Estudávamos as matérias por exercícios todos os dias, passamos a resolver as provas anteriores da banca específica, a realizar simulados com o mesmo tempo de prova, para nos avaliarmos, e isso fez a diferença para todas. Quando errávamos, buscávamos saber o motivo do erro nos livros ou em videoaulas”, revelou Maria Luiza, que alcançou 960 pontos na redação.

Segundo Maria Vidal, uma dica de ouro é treinar leitura dinâmica para a prova. “Viu a questão, sabe que não dá para ler todas as palavras com calma, para entender, por exemplo, em (ciências) exatas, pega apenas os números e o que a questão exige, e responde. Com a prática do simulado e com o tempo, você se acostuma. No começo é difícil, mas com a prática, você vai entendendo o que a banca quer de você”, afirmou.

Estudo x Vida social

De acordo com as futuras médicas, não foi necessário abandonar a vida pessoal e nem as redes sociais, que podem ser estratégicas até para provas, na obtenção de informações atuais e úteis, e ajudam a relaxar.

"Claro que não dava para viver todos os momentos, muita coisa perdemos, parece que foram momentos apagados de nossas vidas, mas foi o que escolhemos fazer. Eu saía, namorava, curtia bem o meu tempo livre, até porque precisávamos relaxar depois de uma semana de estudos", explica Ludmila Azevedo.

Vidal não deixou de lado o celular, apenas silenciou as notificações e, quando achava que tinha que ver algo, pegava o celular. Para Ruas, era melhor guardar o celular ou ainda dar para a amiga guardar, pois para ela era mais seguro. “É impossível estudar com o celular ao lado, o melhor é evitar”.

Para não precisar largar o Instagram, por exemplo, Peres usava o aplicativo com tempo cronometrado. E como precisava realizar atividade física, usava o Instagram como premiação, um incentivo para realizar a atividade. “Eu chegava em casa, já corria para fazer minha esteirazinha, para quando desse, tipo 18h, eu pudesse ficar no meu Instagram”, lembrou ela.

Leitura é base para redação

Para quem busca atingir uma boa pontuação na redação, a futura médica Ludmila Azevedo indica que todos leiam clássicos (mesmo que resumos), assistam a filmes, séries e prestem atenção em tudo para formar um senso crítico, este muito avaliado nas provas do Enem.

“Ficava com peso na consciência ao assistir à minha série favorita (Riverdale), mas foi ela que me ajudou a obter a pontuação de 960 pontos. Consegui utilizar o que aprendi com ela, encaixando as referências na redação. Não se culpem galera”, ensinou Azevedo.

Já para Maria Vidal, compilar ideias de seus autores preferidos é uma boa opção, além de montar a sua própria forma de redação. “Eu citei as ideias de Newton (Isaac Newton), em uma das minhas redações e fui muito elogiada pela professora. Desde lá uso Newton em todas as minhas redações. Precisava montar a minha fórmula, pois não sou tão boa na hora de criar. Nunca pensei obter 960 pontos em uma redação”, disse Vidal.

Já Clarissa Ruas, que alcançou 980 pontos na redação, teve como referência o pensamento do filósofo Aristóteles, e do economista Karl Marx, pela familiaridade com esses autores desde a época do colégio. Mas, deixou como dica referências nacionais, como o filósofo Mário Sergio Cortella, o escritor Machado de Assis e o poeta Carlos Drummond de Andrade, entre outros escritores brasileiros bem quistos pelos avaliadores, principalmente do Enem.

“Em cursinhos são repassados esqueletos de redação para que o aluno tenha mais facilidade na hora de montar sua redação, mas corre o risco de todos tirarem a mesma nota, se você quer se diferenciar, o bom é ter o seu próprio esqueleto. É importante você levar ou encaminhar seus textos para alguém que entenda e que possa dizer o que pode ou não ser feito em uma redação”, disse Clarissa Ruas.

Ruas ainda completa que o estudante não precisa inovar sempre. “Quanto mais reciclar melhor. No início é bem difícil, mas quando você para de inovar nas redações e começa a fazer algo coeso, que faça sentido e que seja bom, você vai ver que não precisa ser Machado de Assis, você só precisa treinar e se adaptar”, disse ela.

Biblioteca Raimar Aguiar

Há mais de 12 anos aberta ao público em geral, a Biblioteca Raimar Aguiar, instalada no edifício homônimo, na Avenida Joaquim Nabuco, 1919, Centro, possui acervo de 5,3 mil títulos para atender às necessidades de vestibulandos e concurseiros.

Além dos aprovados para universidades federais, a biblioteca também contabiliza dois frequentadores aprovados no concurso público para o cargo de Analista Jurídico da Defensoria Pública do Estado (DPE/AM), Igo Menahem Correa, que irá atuar no município de Tefé, e Raul Segundo, que atuará em Tabatinga.

Desde 2012, quando começou a contagem, a Biblioteca Raimar Aguiar soma aprovação de 128 dos seus leitores em vestibulares (Ufam, UEA, UFRR e UFPA) e seis aprovados em concursos públicos. Diariamente passam pela biblioteca cerca de 60 pessoas, dentre elas, estudantes que buscam a tão sonhada vaga em uma universidade pública ou mesmo a tão sonhada colocação no mercado por meio do concurso público.

Dos 20 aprovados este ano para medicina, 13 vão para UEA, cinco para UFAM, dois para UFRR. Três frequentadores assíduos da biblioteca vão cursar Farmácia (Ufam), dois foram aprovados para Direito (Ufam e UEA), e dois para Enfermagem (Ufam).

*Com informações da assessoria

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