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Violência ‘financeira’ é o crime mais comum contra idosos em Manaus , afirma especialista

Alerta fez parte do Dia Nacional de Combate à Violência Contra a Pessoa Idosa, celebrado nesta segunda-feira (15) 16/06/2015 às 09:48
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Violência financeira não deixa cicatrizes externas, mas causa prejuízos mentais e emocionais às pessoas idosas
Oswaldo neto ---

Em quatro meses, mais de dois mil crimes contra idosos foram registrados na capital, sendo que casos de furtos possuem os índices mais altos, seguidos de ameaças e roubos. Apesar disso, o tipo de violência mais comum dentro dessa faixa etária não está nas ruas, mas sim dentro do seio familiar, chamada por especialistas de violência financeira. Uma série de eventos promovidos na cidade ontem, 15 de junho, alertou para o Dia Mundial de Combate à Violência Contra a Pessoa Idosa.

A violência financeira ou econômica não deixa marcas físicas e também é pouco conhecida por muitas vítimas, o que dificulta estimar os crimes ocorridos. A assistente social Socorro Lima trabalha há 15 anos com pessoas idosas e conta como se dá esse tipo de violência, cometida na maioria das vezes pelos próprios parentes.

“É quando eles acabam sendo provedores da própria família. Por terem um salário fixo, por exemplo, os familiares muitas vezes pegam esse dinheiro, os enganam e a maioria deles tem medo de falar”, explica.

Ainda segundo ela, os danos causados pela atitude podem ser irreparáveis. “A violência financeira começa dentro do lar, a doméstica, a psicológica... E finaliza com a falta de respeito no transporte coletivo. Tudo isso deprime o idoso, mas pra mim, a mais grave é a financeira justamente porque esse idoso acolhe o parente, mas é enganado”.

Ações

Segundo a assistente social, existem pelo menos sete tipos de violência contra a pessoa idosa, são elas: física, sexual, psicológica, financeira, abandono, negligência e autonegligência.

Na capital, três ações marcaram o Dia Mundial de Combate à Violência Contra a Pessoa Idosa, alertando sobre as características das ações consideradas criminosas.

No Centro, idosos realizaram uma caminhada do Largo São Sebastião à Praça Heliodoro Balbi, lembrando a data.

Em outro evento, promovido na UBS Armando Mendes, bairro Manôa, Zona Norte, cerca de 40 pessoas participaram de uma programação que incluía teatro de fantoches e palestras sobre a existência desse tipo de crime na sociedade.

No Centro de Convivência do Idoso (CCI) Geraldo Magela, na Zona Leste, também ocorreu uma roda de conversa a respeito do assunto.

Estatuto

O Art. 3º do Estatuto do Idoso diz que “é obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta propriedade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

Furto tem o índice mais alto, diz SSP

Conforme dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP), de janeiro a abril deste ano foram registradas 2.603 ocorrências de crimes contra a pessoa idosa. A maior incidência está relacionada a furto (598), seguido de ameaça (297), roubo (262) e perturbação da tranqüilidade (170).

Em todo o ano de 2014 foram registradas 6.265 ocorrências. As zonas com maior incidência de violação de direitos do idoso, em ambos os anos, são a Sul e Norte. Na faixa etária de 60 a 70 anos, o maior índice de vítimas é do sexo masculino, cerca de 53% do total.

Em caso de denúncias, estão disponíveis o Disque 100 e o 3214-5800, telefone da Delegacia Especializada em Crimes Contra Idosos (Deci). 


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